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quarta-feira, 28 de abril de 2010

Juventude Rebelde

Boa matéria da revista Veja sobre jovens cubanos que desafiam, de uma forma ou de outra, a ditadura dos irmãos Castro - e são perseguidos por isso. Os terríveis atos subversivos dessa gente reacionária incluem músicas contra o regime, mensagens antirevolucionárias em tênis e camisetas e, como já sabemos, blogs atualizados a duríssimas penas. Na reportagem, presenças dos nossos já bastante conhecidos Yoani Sánchez e Gorki Águila.

Notar no texto algo que já comentamos aqui: como a capacidade de simplesmente sobreviver - obter seu sustento material - fora da rede de empregos do Estado aumenta a liberdade dos indivíduos sob ditaduras comunistas. Com o crescimento do turismo e das oportunidades por ele geradas, alguns dos personagens apresentados pelo jornalista Duda Teixeira - como Claudia Cadelo e a própria Yoani - já vivem de empregos privados, serviços prestados clandestinamente (sem autorização oficial) a turistas - o que lhes permite escapar ao menos das chantagens que pesam sobre aqueles ainda dependentes do patrão Estado. O mesmo se percebe nos comentários sobre a Juventude Comunista cubana: o êxodo sem precedentes - segundo o artigo - deveria algo também ao fato de que as perspectivas de emprego abertas ou facilitadas pelo simples pertencimento ao órgão (e mais tarde ao Partido) já não seriam mais tão tentadoras assim - exatamente por conta das opções por vezes muito mais interessantes abertas em torno da atividade turística. É um dilema: a ditadura é cada vez mais dependente do turismo - uma força que ao mesmo tempo a enfraquece.

quarta-feira, 10 de março de 2010

O apoio dos líderes do PT à ditadura cubana

Em recente visita a Cuba, Lula manifestou mais uma vez o seu apoio à ditadura comunista de Raúl e Fidel Castro, tratando com desdém os presos políticos daquele país. O presidente brasileiro não fez crítica alguma às sistemáticas violações dos direitos humanos em Cuba, nem mesmo quando morreu Orlando Zapata Tamayo. Agora Lula comparou os presos políticos cubanos a bandidos. Disse ainda que "temos de respeitar a determinação da Justiça e do governo cubano de prender as pessoas em função da legislação de Cuba, como quero que respeitem a do Brasil". Reinaldo Azevedo tem razão em afirmar que é "uma fala útil para endossar qualquer horror". Dilma Rousseff não é diferente de Lula.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Minority Report cubano

A organização não-governamental espanhola COLEGAS denunciou no começo desse mês mais um episódio no recrudescimento da perseguição a homossexuais em Cuba: repercutindo nota da cubana Fundação Reinaldo Arenas, o grupo espanhol acusa a ditadura castrista de ter condenado recentemente seis gays da ilha sob pretextos diversos, incluindo aí a premonitória acusação de "criminoso em potencial". Contando com dois costureiros que trabalhavam sem licença e um rapaz sem ocupação estável que aparentemente vivia de se "relacionar com estrangeiros", o grupo de detidos parece ter em comum algo mais além da orientação sexual: segundo as organizações locais, todos teriam sido perseguidos por não trabalharem "para o Estado" - sempre um problema seríssimo para os regimes comunistas, que têm no caráter de empregador exclusivo (ou quase, no caso da Cuba atual) do Estado uma de suas principais formas de coação e repressão de comportamentos indesejáveis*.

* -Sobre a relação entre pluralidade de proprietários dos meios de produção e liberdades intelectuais, ver O Caminho da Servidão, de Friederich Hayek. Um exemplo cubano: Reinaldo Arenas, marido da famosa blogueira dissidente Yoani Sanchez, foi jornalista até 1988 - quando teria sido demitido do jornal oficial Juventud Rebelde por escrever textos "inadequados à linha" da publicação. Vetado na única imprensa (a estatal) que emprega no país, Arenas hoje trabalha como professor de espanhol e guia para turistas - como o provável michê preso pelo governo, sobrevive à margem da economia legal e "se relacionando com estrangeiros".

Nota: Pensei na referência a Minority Report assim que soube do caso, o que provavelmente se daria com qualquer um que goste de ficção científica como eu - ou com sujeito que pelo menos conheça o filme arrasa-quarteirão do Tom Cruise; certamente por conta dessa obviedade quase automática(robótica?hehe), descobri logo que a sacada já existe em pelo menos um outro blog por aí, ferindo um tanto cruelmente a literatice do dia...

sábado, 17 de outubro de 2009

Síndrome da China

Aberta na última terça-feira, a 61ª edição da Feira do Livro de Frankfurt - o mais tradicional e importante encontro do mercado livreiro no mundo - enfrenta duras críticas dentro e fora da Alemanha por ter cancelado a participação em seus simpósios e debates de todo e qualquer intelectual vetado pelo governo da China comunista, país homenageado no evento desse ano. Em resposta, organizações como o PEN Club alemão estão promovendo atividades paralelas com alguns dos escritores excluídos, garantindo que ao menos longe de casa (são exilados, em sua maioria) suas críticas ao regime chinês poderão ser livremente expressas e ouvidas por quem assim o desejar.

domingo, 4 de outubro de 2009

O Gibbon do comunismo

Em sua última edição, o interessante programa de entrevistas Milênio(Globo News) apresentou uma instrutiva conversa entre o sempre competente jornalista Silio Boccanera e o historiador inglês Archie Brown, autor de um calhamaço de 720 páginas recentemente lançado em seu país e entitulado simplesmente de The Rise and Fall of Communism(2009), título remetendo(como tantos outros) dificilmente por acaso ao monumental clássico Declínio e Queda do Império Romano, marco do iluminismo publicado em fins do século XVIII por seu conterrâneo Edward Gibbon. Como o antepassado mais notável, Archie também debruçou-se em fontes primárias e extraiu conclusões polêmicas, não se furtando a analisar tópicos delicados - por exemplo, os reais graus de afinidade entre o já famoso "marxismo de Marx" (a expressão vem de outro livro importante, dessa vez do francês Raymond Aron) e as trágicas e ditatoriais experiências ditas comunistas do século XX e os papéis e relevâncias de Reagan, João Paulo II e Gorbachev na crise que deflagrou o fim desses regimes no Leste Europeu. Sobre a primeira questão, Brown faz coro com as leituras conservadoras e liberais mais usuais e identifica no comunismo inequívocos males de origem, enfatizando entre eles a ausência dos tão anglo-saxônicos mecanismos de responsabilização(accountability, a tradução é aproximada) e equilíbrio entre os poderes(usa o termo checks and balances, a vertente americana da idéia) nas obras dos patriarcas Marx e Engels, silêncio explicado pelo utopismo central de uma visão totalizante pretensamente científica - salvacionismo muito bem discutido, aliás, no belo O Fenômeno Totalitário, de autoria do falecido professor uspiano Roque Spencer Maciel de Barros; sobre o segundo ponto, recusa os protagonismos comumente atribuídos a Reagan e ao Papa polonês e afirma que o governo soviético e seus vizinhos afins só implodiram por conta das escolhas de um Gorbachev reformista e crescentemente simpático à democracia, com os discursos e práticas do presidente americano apenas fortalecendo os linhas-duras de Moscou e o líder católico servindo principalmente como fonte de inspiração e conforto espiritual para alguns dos dissidentes do paraíso terreno, especialmente na Polônia.

A íntegra da entrevista está disponível no blog do programa, no post seguinte à apresentação em que Boccanera anuncia para logo uma edição brasileira do livro de Brown.

sábado, 19 de setembro de 2009

Censura à web aumenta no sudeste asiático

Governos sem recursos técnicos usam coersão e intimidação num esforço para suprimir críticas online (Wall Street Journal, 14 de setembro de 2009). Tradução livre de alguns trechos:
Malásia, Tailândia e Vietnã não possuem o tipo de tecnologia e os recursos financeiros que a China e outros países grandes usam para policiar a internet. As nações do sudeste asiático estão usando outros métodos - também vistos na China - para reprimir críticas, incluindo a prisão de blogueiros e indivíduos que publicam pontos de vista controversos online.

A Malásia recentemente tem usado sua legislação da era colonial, que permite detenção por até dois anos sem julgamento, para amordaçar blogueiros. A Tailândia tem contado com sua recém-criada Lei de Crimes Digitais para reduzir críticas à sua família real e limitar a divulgação do que o governo chama de material subversivo. O Vietnã, um país comunista autoritário [como se houvesse "comunismo democrático"], tem prendido pessoas pegas postando idéias contrárias à política governamental, e prendem também os advogados que tentam defendê-las.
Há também um infográfico interessante, com o mapa das mordaças e acesso à rede (Coréia do Norte e Irã impressionam, como sempre).



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domingo, 9 de agosto de 2009

Quatro dias na Coreia do Norte

A jornalista Sarah Wang esteve na Coreia do Norte e relatou sua experiência em artigo publicado na Slate Magazine. Ao povo norte-coreano faltam comida, informação e liberdade, e tal escassez é obra do comunismo.

sábado, 20 de junho de 2009

De pé, ó vítimas

Na última segunda-feira, a Victims of Communism Memorial Fundation(Fundação Memorial das Vítimas do Comunismo) lançou na internet o Museu Global do Comunismo, uma iniciativa que pretende "contar a história completa do comunismo", incluindo "mostras sobre cada nação e pessoa que sofreu" sob o regime e um "Registro de Vítimas global". Embora ainda bastante incompleto e um tanto comedido nas estimativas - apenas 73000 mortos sob a tirania do Dr.Castro, contra análises que falam em 17, 19 milhões de pessoas -, o Museu, alimentado por especialistas(Richard Pipes entre eles), tem tudo para se tornar uma importante fonte de consultas para todos aqueles interessados em conhecer a ideologia mais genocida de todo o sangrento (e para algumas vítimas, longuíssimo) século XX.

domingo, 14 de junho de 2009

Uma sentença de morte

Texto publicado no jornal Zero Hora trata dos campos de trabalho forçado da Coreia do Norte, onde milhares de pessoas são torturadas e escravizadas.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Ninguém entende, ninguém explica

Em qualquer democracia minimamente digna do nome, o Presidente da República(ou o primeiro-ministro) é sempre alvo privilegiado dos mais diversos tipos de humor. Com maiores ou menores graça, sensibilidade e audácia provocativa, humoristas vários se debruçam sobre o chefe do Executivo federal e satirizam trejeitos, maneirismos verbais, tropeções retóricos(ou não), gafes diplomáticas e tudo mais que possa ser matéria de piada, produzindo uma coleção de visões em torno de um mesmo personagem que vai do chiste episódico e superficial ao comentário político mais constante, explícito e pretensioso - e tudo isso em diferentes suportes e meios de comunicação, atingindo de variadas formas boa parte da sociedade nacional e, eventualmente, internacional. Com o Presidente Lula(já há piadas prontas aqui, aliás) não foi exceção, felizmente: vítima habitual dos próprios arroubos discursivos e de singular arrogância que no mais das vezes mal e mal se esconde por trás de uma sabedoria pretensamente inerente ao coletivo dos humildes, o ex-metalúrgico e militante profissional que ora nos preside já é objeto de todo um anedotário específico, melhor conhecido quanto mais o indivíduo lê ou ouve as pérolas que Sua Excelência profere. E é a esse anedotário que somamos, sob a rubrica tragicômica, a beleza que vem abaixo:

"Indagado se a decisão fortalece a OEA, o presidente afirmou que mais do que fortalecer a entidade, a revogação da suspensão ao país caribenho foi um ato em que 'prevaleceu o bom senso', porque 'ninguém mais conseguia explicar, ninguém mais conseguia entender'.De acordo com o presidente, o período em que Cuba foi 'o patinho feio' acabou, e isso 'foi bom para o mundo'".

Isso é o Presidente Lula, falando dessa feita sobre o fim da suspensão que impedia a ditadura comunista cubana de ingressar na OEA. Para nosso digníssimo molusco-em-chefe, ninguém entende(olha a arrogância aí: ninguém, absolutamente ninguém entende o que ele não entende, justifica o que ele considera injustificável), ninguém consegue explicar porque Cuba permanecia excluída da OEA. Na fala do presidente, a situação parece beirar o surreal: a exclusão da Ilha dos(updated) Drs.Castro não teria explicação alguma, seria - ainda que não explicitado - mera birra estadounidense, mais uma (dentre incontáveis birras!) desse país imperialista e malvado que, veja só, forçaria a ausência de um país irmão em fórum de deliberação política tão fundamental para os povos de nuestra America.

Mas faltou combinar com o acaso, esse reacionário: menos de 24 após a declaração do Ungido de Caetés, o governo cubano prendeu em espetacular operação marítima um grupo de proletários desesperados que tentavam escapar das revolucionárias conquistas da república popular do povo socialista, possivelmente instigados pela incessante propaganda contra-revolucionária do Império vizinho. As fotos são reveladoras: tão intelectual e emocionalmente subjugado pelas promessas do consumismo febril e antiecológico do Tio Sam maligno, um iludidíssimo servo da gleba caribenha chega a saltar alucinado em direção ao mar, mesmo após já estar absolutamente patente que eles foram, graças ao bom Marx, devidamente abalroados e inequivocamente capturados pelos diligentes tentáculos da pátria-mãe gentil.

Tragicômico à parte, ficam as perguntas: é realmente possível ignorar imagens dessas com cinismo, disfarçá-las com ideologia? É realmente preciso ser liberal - ou conservador ou, genericamente falando, em algum grau anti-esquerdista - para se chocar com a visão do homem cubano atirando-se enlouquecidamente ao mar, pensando sabe-se lá o que, temendo sabe-se lá que castigo? É realmente possível não perceber que essas pessoas não são - e a discussão sobre políticas imigratórias fica para depois - cidadãos sendo presos por país que quer impedi-los, por algum motivo, de entrar em seu território - mas sim indivíduos sendo capturados em alto-mar e levados à força, qual escravos mesmo, para um pedaço de terra que decidiram voluntariamente abandonar, arriscando sobre isopôr ridículo as próprias vidas? Podemos de fato acreditar que o Presidente da República Federativa do Brasil, limitações culturais à parte, não consiga sequer sentir aquilo que a média da humanidade sente, quase que imediatamente, quando contempla cena tão inacreditável, tão reveladora do drama e do horror da vida em um país-prisão?

Realmente: ninguém consegue explicar, ninguém consegue entender.

PS - Dificultando ao máximo a emigração de seus cidadãos, o governo cubano só faz acompanhar a política de países comunistas congêneres, de ontem e de hoje - antes um Muro de Berlim, atualmente uma polícia costeira a catar balseros que fraquejam e traem a revolução. Por trás de tanto zelo, muita realpolitik: a saída voluntária do socialismo em construção rumo à exploração capitalista seria (e de fato foi, mesmo que restrita a um mínimo por muros, cercas, fuzilamentos) um dano enorme para as ditaduras de partido único, constituindo uma legião de dissidentes no mais das vezes enormemente dispostos a falar o quanto sofriam sob o comunismo e usufruir das benesses do sistema econômico condenado pela História. Mas há algo mais ideológico por trás da coisa: como nos mostra o excelente texto A Tortura pela Esperança, do nobre(em mais de um sentido) contista francês Villiers de L'Isle-Adam, o ideólogo - no conto dele, um inquisidor católico; discutimos depois se catolicismo é ideologia - é antes de tudo alguém que está tão absolutamente certo de possuir uma verdade suprema ignorada pelos demais que entre suas atividades se propõe, talvez principalmente, a proteger todo e qualquer ente ainda ignorante da Revelação de seus próprios pecados, de suas próprias falsas escolhas, motivadas por uma visão equívoca do mundo. No conto, o inquisidor impede um infeliz e torturado prisioneiro de fugir da condenação divina que aguardava seu corpo, lamentando mesmo e amorosamente (sim, amorosamente) que o homem não tenha entendido e aceito, no fim da vida, o pecado que cometia ao não abdicar do judaísmo e a punição que mereceria por tão vil atitude. Na ilha-prisão de Cuba, não há porque duvidar que muita gente (esfriamento ideológico e doble moral de lado) realmente lamentou pelos homens terem se atirado ao mar e, amorosamente, se vê disposta a protegê-los de si mesmos e das mentiras em que acreditam.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Crítica da razão crítica

Qualquer um que já tenha suportado disciplinas de educação em universidade brasileira - ou que tenha cursado Pedagogia propriamente, valei-me o pai - sabe bem que o alfabetizador marxista Paulo Freire(1921-1997) domina absolutamente o campo, aparecendo como um espectro a governar imperioso os destinos dos infelizes vivos submetidos(por obrigação acadêmica ou vestibular mais acessível, não raramente) aos cuidados das suas nem sempre letradas sacerdotisas. Nesses ambientes fantasmáticos, cada e toda palavra da terrestre prosa freireana ganha status transcendente, através de dolorosas operações alquímicas que transformam em pérola embasbacante - o olhar da sacerdotisa é sempre de perpétua epifania - platitudes setentistas que caberiam, se tanto, em About Me de mocinha orkutiana (ao lado de um falso e edificante Shakespeare ou, melhor ainda, Veríssimo filho, tanto faz se verdadeiro) ou rodapé de agenda sindicalista. Pairando sobre a ciência séria(oh!), o freireanismo é o marxismo dos pobres, o gnosticismo roto relegado pela vanguarda do pensamento revolucionário às sãogonçalenses (estabeleça a equivalência para a sua aldeia) várias que se mostram contentes em desempenhar o papel a elas destinado na glosa revolucionária, aguardando animadas o dia em que poderão organizar semanas da consciência negra nos educandários da burguesia racista, excludente e mão aberta. Que tudo isso seja brasílico, só constatação desassombrada; saber do fenômeno também na terra do Obama, por outro lado, é de despertar os maiores decadentismos no mais plácido Pangloss - e é exatamente essa nada auspiciosa informação que trazemos aqui para o nosso eventual leitor, através de excelente texto da sempre impressionante City Journal, a melhor revista high brow em língua inglesa desde sabe-se lá que prisca e idealizada era.

No texto em questão, o sempre solar articulista Sol Stern acompanha rapidamente a importância pregressa e atual de Freire nos cursos norte-americanos de educação e ataca competentemente a tosquíssima teoria(?) pedagógica(??) do comunista pernambucano, mostrando que ela é, antes de tudo - ou mesmo tão e somente - uma prática de doutrinação intelectual, no sentido mais vil e desonesto que a expressão pode comportar. Ao apontar(nos anos 60 e 70 do século passado, já sem originalidade qualquer) um caráter inequivocamente classista na educação das modernas sociedades capitalistas, Freire não faz outra coisa que não pregar a sua substituição por um modelo supostamente crítico, que pretende formar uma consciência autônoma em oposição à imposição da cultura hegemônica capitalista via escolas e universidades - ou seja, é um projeto político disfarçado(ou nem isso: toda educação é política) de processo educacional libertador, libertário. Não por acaso, os professores que se dedicam a aplicá-lo - Stern é pródigo em exemplos, o Brasil mais ainda - acabam sempre recaindo, com mais ou menos rapapés e pretensões científicas, em proselitismo que não vai além de um panfletário socialism(o que quer que isso ainda signifique) is good, capitalism is bad. Qual a diferença disso para a educação burguesa? Ora, é óbvio: socialism is good, capitalism is bad - logo, ensinar isso para um aluno é bom, ensinar o contrário (ou uma terceira ou quarta alternativa) é ruim; e isso são Freire, freireanos e a maior contribuição brasileira à educação estadounidense. Como diria um pedagogo sem preconceito linguístico, É NÓIS!