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sábado, 26 de junho de 2010

Gostaríamos de informá-lo

Jean Leonard Ruganbage, editor de jornal censurado pelo Estado ruandês, foi assassinado a tiros em frente a sua casa na última quinta-feira.

Segundo o chefe da polícia local, Ruganbage era "um homem comum, como qualquer outro. Por que seria morto pelo governo? Não há indicação alguma que possa ligar o fato a um assassinato feito pelo governo".

De fato: além de trabalhar como editor de uma publicação censurada pelo governo que trouxe recentemente em seu site uma matéria sobre suposta tentativa de assassinato perpetrada por agentes do... governo, não há mesmo qualquer indicação que possa ligar a morte do rapaz às autoridades da gloriosa nação ruandense.

Nessa tragédia, são ainda dignos de nota os motivos alegados para a censura ao jornal em que Ruganbage dava expediente: segundo a matéria da Folha, "O governo baniu o jornal Umuvugizi por seis meses em abril deste ano alegando conteúdo errôneo e incitação à oposição". Temos aqui uma nova forma (na verdade, um travestimento sob termos supostamente democráticos de uma forma antiga: Cuba só censura mentiras, obviamente - a verdade o povo fala e publica em seus órgãos de imprensa libertários) de censura: censurar por "conteúdo errôneo" - obviamente definido por órgãos do Estado -, numa postura quase científica - se estaria apenas impedindo o jornal de publicar notórias (para quem?) inverdades, a fim de proteger diligentemente o público incauto da manipulação (da qual esse próprio post seria ao mesmo tempo fruto e reprodutor hehe) das forças reacionárias - que não deixa de ter os seus adeptos por nossas terras (não por acaso, vários deles simpáticos ao governo em curso - e apontando como exemplos de "inverdades" notórias e merecedoras de "regulação" exatamente textos e posturas da mídia conservadora... antipáticos a esse mesmo governo).

sábado, 19 de setembro de 2009

Censura à web aumenta no sudeste asiático

Governos sem recursos técnicos usam coersão e intimidação num esforço para suprimir críticas online (Wall Street Journal, 14 de setembro de 2009). Tradução livre de alguns trechos:
Malásia, Tailândia e Vietnã não possuem o tipo de tecnologia e os recursos financeiros que a China e outros países grandes usam para policiar a internet. As nações do sudeste asiático estão usando outros métodos - também vistos na China - para reprimir críticas, incluindo a prisão de blogueiros e indivíduos que publicam pontos de vista controversos online.

A Malásia recentemente tem usado sua legislação da era colonial, que permite detenção por até dois anos sem julgamento, para amordaçar blogueiros. A Tailândia tem contado com sua recém-criada Lei de Crimes Digitais para reduzir críticas à sua família real e limitar a divulgação do que o governo chama de material subversivo. O Vietnã, um país comunista autoritário [como se houvesse "comunismo democrático"], tem prendido pessoas pegas postando idéias contrárias à política governamental, e prendem também os advogados que tentam defendê-las.
Há também um infográfico interessante, com o mapa das mordaças e acesso à rede (Coréia do Norte e Irã impressionam, como sempre).



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domingo, 12 de julho de 2009

Kenny no país dos sovietes

Após a recente onda bananeira que bane mais e mais das televisões de Nuestra America revolucionária a maior crítica pop jamais concebida à sociedade norte-americana, parece ser a vez de ainda mais cáustica e escatológica sátira - bem menos esquerdista que sua antepassada amarela, é verdade - ser vítima de uma nação cuja experiência com direitos individuais burgueses consegue ser ainda mais limitada que aquela pobremente vivenciada nas terras dos coronéis outonais: na Rússia do neokgbismo, episódio de South Park que exibia um Putin menos heróico (nenhum tigre ameaçador abatido) e mais vestido que a versão oficial teve as cenas com a Eminência Parda cortadas, não se sabe ainda se por autocensura ou determinação(ou recomendação...) das autoridades competentes.


terça-feira, 23 de dezembro de 2008

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Jornalista americano investiga podres de Obama no Quênia e é intimidado pelas autoridades locais.

O jornalista americano Jerome Corsi, co-fundador do site World Net Daily, viajou ao Quênia para investigar o envolvimento do candidato à presidência dos EUA Barack Obama com o político local Raila Odinga. Odinga é responsável direto pela onda de violência que se seguiu às eleições presidenciais quenianas de 2007, da qual saiu perdedor. Ele incitou a população de sua tribo, Luo (a qual também pertencem os parentes quenianos de Obama), a protestos inflamados contra a tribo Kikuyu, maioria no Quênia e à qual pertence o presidente eleito. A onda de violência matou mais de 1000 pessoas e levou 500 mil a deixarem seus lares, e só parou quando o governo cedeu e Odinga ser apontado primeiro-ministro.

Quando Corsi iria anunciar as conclusões em uma coletiva num hotel em Nairóbi, ele foi detido por autoridades do governo queniana, alguns dos quais fortemente armados, sendo assim impedido de expor suas descobertas. Corsi e seu parceiro permaneceram detidos até a hora de pegarem o vôo de volta, que já estava programado. Entretanto, eles afirmam que só puderam deixar o Quênia porque foram pagas propinas a diversas autoridades.

Corsi ainda ouviu de um dos oficiais do governo em alto e bom som: "Não volte nunca mais. Vemos você no inferno." Enquanto isso, o jornalista queniano que ajudou o jornalista do WND é agora constantemente assediado pelo governo, que quer saber qual foi seu envolvimento com Corsi o que descobriram.

Quanto à investigação em si: Corsi encontrou evidências de que Obama apoiou Odinga.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Império do Meio escondeu escândalo dos leites contaminados durante as Olimpíadas

O governo comunista da China sabia há meses da adulteração do leite que matou 4 bebês e adoeceu outros 53 mil, que chegou aos jornais do mundo somente em setembro deste ano, mas não permitiu que a notícia fosse divulgada evitar um desgaste durante os Jogos Olímpicos. Foi o que denunciou o jornalista chinês Fu Jiangfeng em seu blog. Como era de se esperar, o jornalista teve seu blog retirado do ar, mas ele conseguiu entrar em contato com a AFP, que relata todo o ocorrido.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Mais do mesmo no Império do Meio

Como o leitor do Libertad Matters pôde acompanhar com rara riqueza de detalhes, o governo comunista chinês não foi menos repressivo durante as Olimpíadas do que costuma ser quando se vê pouco observado pelo restante do planeta - no que contou com a complacência do COI e da quase totalidade dos líderes mundiais, sempre capazes de apresentar a covardia travestida de nobres ideais conciliatórios. Terminado o festim macabro, nada mudou no país da Paz Celestial: no dia 20 desse mês, a agência de notícias EFE anunciou que o jornalista chinês Zan Aizong foi impedido pelo governo de deixar seu país para participar de um evento sobre direitos humanos na Suíça - e ainda censurou a coluna do sujeito na internet, só para não perder a viagem. É o sino-comunismo mais uma vez zelando pela integridade mental de seus cidadãos, impedindo que tenham acesso a decadentes e deletérias fantasmagorias ocidentais...

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Carol Castro e a censura

A atriz global Carol Castro é capa da edição desse mês da revista Playboy, publicação adulta mundialmente conhecida pelos seus ensaios (hoje "artísticos") de nu feminino - e, para alguns poucos, também pelas suas extensas e por vezes polêmicas entrevistas. Explicitamente voltada para o público maior de 18 anos e vendida lacrada nas bancas, a Playboy só é folheada por quem realmente se propõe a isso - e mesmo seus provocativos outdoors parecem ter sumido da paisagem urbana carioca, sugerindo talvez que também não mais existam nas ruas do restante do país. Considerando tudo isso, é difícil não qualificar como censura a recente decisão judicial que retira da revista (no caso, dos exemplares ainda a serem impressos) foto na qual Carol Castro aparece segurando um terço, com os seios à mostra e uma expressão algo compungida no rosto.

Podemos - devemos, na verdade - sempre nos questionar sobre os limites da arte, fotografia (e fotografia erótica) inclusa. Esse questionamento cabe à modelo, ao fotógrafo, ao consumidor da revista - e também a qualquer um interessado em valores como respeito ao outro e convivência civilizada. É óbvio que o tom e o potencial da foto já se anunciavam desde sempre para a modelo e para o fotógrafo, e sem dúvida cabe uma crítica de fundo a uma escolha que provavelmente considerou exatamente a celeuma que a imagem geraria - ou seja, usou-se um símbolo considerado por muitos como sagrado para vender revista, estratégia no mínimo moralmente discutível. Isso é um ponto, e talvez seja ponto pacífico - por mais que se possa justificar a cena a partir da "personagem" encarnada no ensaio, considerando também as múltiplas facetas da religiosidade popular, bem diversa do catolicismo pretendido por tantos dos nossos conservadores. O problema aqui é outro: uma modelo maior de idade consentiu em ser fotografada em uma certa pose, com um certo objeto - cuja sacralidade é reconhecida por um grupo limitado de pessoas; essa foto será exibida em revista lacrada, vendida (sim, em tese, antes que alguém levante o ponto) também apenas para maiores de idade. Nessas condições, vê a foto quem quer - internet inclusive, pois ela só surgirá na tela de algum computador caso o usuário clique em link relacionado ao caso, cabendo sempre alguma reclamação direta a site ou pessoa se o internauta desejava apenas ler sobre o imbróglio judicial e foi surpreendido pela foto, tendo ofendidas suas sensibilidades particulares. Considerando tudo isso, o resultado da decisão judicial apenas impede que responsáveis por uma revista privada veiculem foto com o consentimento de modelo e fotógrafo - e isso porque algumas pessoas (seria abuso enorme falar em "católicos" aqui, como qualquer passeio pelo Rio confirmará ao leitor) se sentiram ofendidas com o teor da imagem. Que virá depois? Para alguns poucos camponeses bolivianos, Che Guevara é santo, ente celeste merecedor de homenagens e capaz de atender pedidos complicados; censuraremos foto na qual cidadão pise em foto do carniceiro argentino? Ou adotaremos critério numérico - os católicos são maioria no Brasil, logo, não podem ser ofendidos; os fiéis de Che (que se crêem católicos, não esqueçamos) não são, e provavelmente nem tomarão contato com nossas revistas - logo podemos ofendê-los em uma delas... Quantos fiéis são necessários para estabelecer a sacralidade de algo? Inri Cristo pode ser ofendido, com foto erótica emulando o ser e suas animadas seguidoras? Ou preferiremos - como talvez queiram alguns por aí - um critério de antiguidade e respeitabilidade, com a classificação de religiões "sérias" estabelecida em sentenças judiciais?

Para fugirmos de todas essas sandices, a resposta é uma só: liberalismo. Não há sentido em sermos tolerantes com aquilo em que acreditamos, diante do que nos é caro - a própria palavra perde o seu significado original. Tolerar é exatamente suportar o que nos ofende, o que ironiza ou coloca em cheque nossos valores e crenças - e é essa uma das bases fundamentais da modernidade, ignorada por exemplo pelos islâmicos que usaram a violência contra charges supostamente ofensivas de Maomé. E entre usar da justiça e de pedras para limitar a seu gosto a liberdade de expressão alheia, a diferença é apenas de grau...

domingo, 24 de agosto de 2008

Resumo dos Jogos da Nova Era

Estas Olimpíadas foram marcadas pela farsa e pela manipulação. Os comunistas fizeram de tudo para dar uma boa aparência à situação. Reportagem da Folha resume os esforços de propaganda e de maquiagem para causar boa impressão aos visitantes, atletas, imprensa e público mundial:
  1. A polícia foi às residências de ativistas políticos "pedí-los" para que deixassem a cidade durante os Jogos. Quem não quis deixá-la foi preso (exemplo: o ativista cristão Hua Huiqi);
  2. O governo oficialmente (cretinamente, melhor dizendo) permitiu a organização de protestos, desde que os manifestantes tivessem autorização. Dos 77 pedidos feitos, nenhum foi autorizado, evidentemente;
  3. Foi criada uma lista de 21 proibições de assuntos para a imprensa, entre os quais os protestos, problemas de segurança, emergências em competições e a censura à Internet.
Uma última nota: não é surpreendente a vitória da China no quadro de medalhas. Não é a primeira vez que uma ditadura lidera os Jogos, ainda mais sendo o país-sede. E, considerando a falta de moral e caráter do COI, chamadas por este de "espírito olímpico" e de "neutralidade" (o nosso grande Rui Barbosa chamaria de covardia), não será a última.

terça-feira, 3 de junho de 2008

Associação Mundial de Jornais critica China

De O Globo Online:

"RIO - A Associação Mundial de Jornais (AMJ) criticou duramente os ataques à liberdade de imprensa na China, durante a abertura de seu 61º congresso, na cidade sueca de Gotemburgo. A AMJ e o Fórum Mundial de Editores pediram, ainda, a libertação imediata dos profissionais detidos. Atualmente, há pelo menos 30 jornalistas e 50 dissidentes cibernéticos presos no país - classificado na cerimônia como "o maior carcereiro de jornalistas do mundo", informa a edição desta terça-feira do jornal O Globo.

Durante a abertura do congresso, que reúne 1.800 representantes de jornais de 113 país, o jornalista chinês Li Chongqing foi premiado com a "Golden Pen" (caneta de ouro). Li, que esteve preso por três anos por informar sobre uma epidemia de dengue omitida pelas autoridades, foi impedido de sair do país para receber o prêmio, sendo representado pela escritora e ativista chinesa Li Jianhong. "

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