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quinta-feira, 2 de outubro de 2008
Império do Meio escondeu escândalo dos leites contaminados durante as Olimpíadas
O governo comunista da China sabia há meses da adulteração do leite que matou 4 bebês e adoeceu outros 53 mil, que chegou aos jornais do mundo somente em setembro deste ano, mas não permitiu que a notícia fosse divulgada evitar um desgaste durante os Jogos Olímpicos. Foi o que denunciou o jornalista chinês Fu Jiangfeng em seu blog. Como era de se esperar, o jornalista teve seu blog retirado do ar, mas ele conseguiu entrar em contato com a AFP, que relata todo o ocorrido.
domingo, 24 de agosto de 2008
Resumo dos Jogos da Nova Era
Estas Olimpíadas foram marcadas pela farsa e pela manipulação. Os comunistas fizeram de tudo para dar uma boa aparência à situação. Reportagem da Folha resume os esforços de propaganda e de maquiagem para causar boa impressão aos visitantes, atletas, imprensa e público mundial:
- A polícia foi às residências de ativistas políticos "pedí-los" para que deixassem a cidade durante os Jogos. Quem não quis deixá-la foi preso (exemplo: o ativista cristão Hua Huiqi);
- O governo oficialmente (cretinamente, melhor dizendo) permitiu a organização de protestos, desde que os manifestantes tivessem autorização. Dos 77 pedidos feitos, nenhum foi autorizado, evidentemente;
- Foi criada uma lista de 21 proibições de assuntos para a imprensa, entre os quais os protestos, problemas de segurança, emergências em competições e a censura à Internet.
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sexta-feira, 22 de agosto de 2008
terça-feira, 12 de agosto de 2008
domingo, 10 de agosto de 2008
Novo esporte olímpico: revezamento de ativistas
Nossa cobertura das Olimpíadas continua com a prisão de cinco ativistas pró-Tibet. Eles levantaram a bandeira nacional tibetana e faixas de protesto na Praça da Paz Celestial (desde 1989 um dos lugares mais irônicos da face da Terra), mas foram detidos pelas autoridades, que lhes tomaram os perigosos artefatos. Isto se deu apenas algumas horas após a prisão de um ativista cristão chinês e seu irmão, que estavam a caminho de uma igreja protestante onde haveria uma cerimônia da qual participou inclusive o Presidente dos Estados Unidos. Entre os objetos de alta periculosidade apreendidos, estava a Bíblia Sagrada.
O paradeiro do ativista cristão é desconhecido.
O paradeiro do ativista cristão é desconhecido.
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sexta-feira, 8 de agosto de 2008
Que comecem os jogos
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quinta-feira, 7 de agosto de 2008
Dize-me com quem andas
A ditadura comunista chinesa não se contenta em proibir críticas a si mesma - precisa também zelar para que regimes aliados não sejam criticados em seu território. Medalhista de Ouro nas Olimpíadas de Inverno de 2006, o americano Joey Cheek viu revogado o seu visto para assistir às Olimpíadas de Pequim; sobre os motivos da revogação, o governo chinês é elíptico como de costume - fala na necessidade de garantir condições de segurança para atletas e espectadores dos jogos. O misterioso pronunciamento oficial ao mesmo tempo evoca e esconde a verdadeira razão que impede a entrada de Joey na China: ele integra o grupo Team Darfur, formado por atletas que protestam mundo afora contra o genocídio perpetrado pelo governo sudanês - genocídio levado adiante com armas vendidas pela China, também grande compradora de petróleo do país africano.
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quarta-feira, 23 de julho de 2008
Recordar é viver: vídeo sobre os XI Jogos Olímpicos, em Berlim.
O Museu do Memorial do Holocausto dos Estados Unidos apresenta em seu site este excelente vídeo sobre as olimpíadas na Alemanha Nazista. Assim como hoje fazem os comunistas em Pequim, os nazistas usaram os jogos como um forte instrumento de propaganda para melhorar sua imagem perante o público mundial e fazê-lo esquecer as atrocidades que o regime já estava cometendo em apenas 3 anos no poder (e que aliás já era do conhecimento de muitos fora da Alemanha). E, a despeito da versão midiática corrente, eles foram muito bem sucedidos na empreitada pois, apesar das vitórias de Jesse Owens e outros atletas "não-arianos", a Alemanha foi de longe a primeira no quadro de medalhas. As palavras de Sara J. Bloomfield, diretora do Museu, referindo-se a Berlim são perfeitamente aplicáveis ao caso de Pequim: "Esta foi uma enorme perversão dos ideais olímpicos e foi uma vitória total da propaganda nazista. Isto criou a ilusão de uma nação pacífica e tolerante, e o mundo queria acreditar nessa ilusão, permitindo-se enganar completamente."
Agora, o que Pequim não tem em comum com Berlim é que o regime comunista chinês já dura quase 6 décadas, cometeu dezenas de vezes mais atrocidades do que os nazistas nos 12 anos em que estiveram no poder, está militarmente muito mais ameaçador e possui uma oposição internacional muito mais fraca, para não dizer tosca.
Não deixe de visitar o restante do site (www.ushmm.org), que possui muita documentação sobre o Holocausto e a Alemanha Nazista. Não nos esqueçamos jamais.
Agora, o que Pequim não tem em comum com Berlim é que o regime comunista chinês já dura quase 6 décadas, cometeu dezenas de vezes mais atrocidades do que os nazistas nos 12 anos em que estiveram no poder, está militarmente muito mais ameaçador e possui uma oposição internacional muito mais fraca, para não dizer tosca.
Não deixe de visitar o restante do site (www.ushmm.org), que possui muita documentação sobre o Holocausto e a Alemanha Nazista. Não nos esqueçamos jamais.
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terça-feira, 22 de julho de 2008
Boicote aos Jogos da China: parece “postura radical”, mas razões são muitas e lícitas
Um bom artigo lembrando as atrocidades do regime chinês, vindo de lugar inusitado: um portal de notícias sobre meio ambiente.
Uma parte chama a atenção: a articulista, Mônica Pinto, escreveu também sobre o motivo que levou o ex-Beatle Paul McCartney a nunca mais querer se apresentar na China: os maus tratos a animais. Atenção a isto, leitor. Esta é uma variante da atitude de protesto caricatural postada anteriormente por mim: seres protestam contra problemas periféricos, superficiais ou secundários, deixando de lado o central, o principal, o que realmente deve ser combatido. Isto pode ocorrer pelas mais diversas razões, mas geralmente é por ignorância e/ou incapacidade pessoal de ordenar fatos e valores ("Amar a Deus sobre todas as coisas", "First things first", etc).
É interessante ressaltar ainda que, segundo o artigo, Paul McCartney tomou tal decisão após assistir um vídeo que mostra chineses maltratando os bichinhos até a morte. O vídeo foi filmado pela PETA - People for the Ethical Treatment of Animals, entidade pretensamente pró-animal que comprovadamente já matou milhares de cães e gatos nos EUA.
Uma parte chama a atenção: a articulista, Mônica Pinto, escreveu também sobre o motivo que levou o ex-Beatle Paul McCartney a nunca mais querer se apresentar na China: os maus tratos a animais. Atenção a isto, leitor. Esta é uma variante da atitude de protesto caricatural postada anteriormente por mim: seres protestam contra problemas periféricos, superficiais ou secundários, deixando de lado o central, o principal, o que realmente deve ser combatido. Isto pode ocorrer pelas mais diversas razões, mas geralmente é por ignorância e/ou incapacidade pessoal de ordenar fatos e valores ("Amar a Deus sobre todas as coisas", "First things first", etc).
É interessante ressaltar ainda que, segundo o artigo, Paul McCartney tomou tal decisão após assistir um vídeo que mostra chineses maltratando os bichinhos até a morte. O vídeo foi filmado pela PETA - People for the Ethical Treatment of Animals, entidade pretensamente pró-animal que comprovadamente já matou milhares de cães e gatos nos EUA.
Google censor
O Google, talvez inspirado pela sua experiência na China, removeu do Orkut comunidade pró-legalização das drogas e um de seus moderadores. Eu mesmo integrava a comunidade e lembro dela como espaço distante de apologias ao consumo de quaisquer substâncias ilícitas - havia mesmo uma nítida preocupação em evitar posts nesse sentido.
Como é que muitos protestam contra as olimpíadas em Pequim.
Não é só a esquerda-caviar, etílica, descolada, cocainômana, entre outros adjetivos de festa (ok, alguns são festivos só para a esquerda) que não se enxerga quando entra numa causa política. Que você leitor preste mais atenção a si próprio na próxima vez em que for reclamar do regime chinês...Tudo bem, é realmente difícil não consumir algo feito na China hoje em dia, mas pelo menos deixe de consumir de empresas que patrocinam os jogos, como o McDonald's. Listas completas das tais empresas podem ser encontradas em diversos sites e comunidades do Orkut. Mas esforce-se para livrar-se das porcarias sino-comunistas ao menos!
P.S.: Livre-se de todas as outras porcarias comunistas também!
segunda-feira, 21 de julho de 2008
As olimpíadas em Pequim, segundo Ai Weiwei
Quem for assinante da Folha de São Paulo ou do UOL não deve perder a entrevista concedida por Ai Weiwei, o mais famoso artista chinês da atualidade, um dos responsáveis pelo projeto do Estádio Nacional (que ele afirma não ser um ninho de passarinho, ao contrário do que todos dizem). Seguem abaixo em itálico alguns trechos da entrevista, com destaque à sua comparação entre China e Brasil e ao papel dos intelectuais:
Estou cansado da propaganda. Todos os chineses queriam a Olimpíada, convidar o mundo a nos conhecer, falar a mesma língua, fazer a China ser aceita na comunidade internacional. Tínhamos esperança que forçasse o governo a ser mais democrático, houve promessas de mudanças. Para mim, foi uma decepção. Não foram honestos.
A Olimpíada não será uma festa para o povo. Há barreiras, política de segurança, blitz, repressão, proibição de circulação de carros, parece tempo de guerra. Não é uma festa. Acho que até reunião de ex-colegas do colegial, com gente bebendo, tem mais diversão. Nesses Jogos, o governo está ensinando até como os chineses devem sorrir. É vergonhoso, nojento. O povo chinês é mais esperto, divertido, e esse governo é tão sem humor, parece que veio de outro planeta.
A China está seguindo um modelo brasileiro, perigoso. No topo, os ricos, intocáveis, e o resto, pobre, que não tem nada. Os ricos definitivamente ficam mais ricos aqui nesse capitalismo socialista, onde existe o poder do socialismo, do partido, que leva o dinheiro a mãos privadas, a gente com boa relação com o governo. Esse é o maior crime. Os pobres não têm direito, não podem votar ou se expressar. Isso só vai criar problemas. Não sou muito otimista se teremos democracia, mas temos que lutar por ela.
Nessa sociedade, ninguém fala nada. Intelectuais, artistas, escritores nunca acham nada. Fico parecendo o louco. Acho que os intelectuais chineses são sem-vergonha, querem tirar vantagem, não usam sua suposta reflexão, sua responsabilidade de falar a verdade. Os intelectuais deveriam ser a consciência dessa sociedade, mas não são.
Não gosto da Pequim antiga, nem da moderna. A velha era da sociedade imperial, onde havia a monarquia vivendo bem nos palácios e o resto vivia como ratos, tempos sombrios. A nova é resultado da corrupção, da falta de planejamento, da feiúra. Ambas não são humanas. Precisamos de democracia. Se fosse mais feia, mais bagunçada, sem a mão pesada do governo, já seria mais confortável. Cidades precisam de variedade, aqui tem governo demais. Eles dão novo visual, mas não dão nova vida.
Ainda sobre Weiwei: seu pai, Ai Qing, é considerado o maior poeta moderno da China, e foi enviado a um Lao Gai - campo de trabalhos forçados - para limpar privadas durante a Revolução Cultura, sendo proibido de publicar por uma década.
Estou cansado da propaganda. Todos os chineses queriam a Olimpíada, convidar o mundo a nos conhecer, falar a mesma língua, fazer a China ser aceita na comunidade internacional. Tínhamos esperança que forçasse o governo a ser mais democrático, houve promessas de mudanças. Para mim, foi uma decepção. Não foram honestos.
A Olimpíada não será uma festa para o povo. Há barreiras, política de segurança, blitz, repressão, proibição de circulação de carros, parece tempo de guerra. Não é uma festa. Acho que até reunião de ex-colegas do colegial, com gente bebendo, tem mais diversão. Nesses Jogos, o governo está ensinando até como os chineses devem sorrir. É vergonhoso, nojento. O povo chinês é mais esperto, divertido, e esse governo é tão sem humor, parece que veio de outro planeta.
A China está seguindo um modelo brasileiro, perigoso. No topo, os ricos, intocáveis, e o resto, pobre, que não tem nada. Os ricos definitivamente ficam mais ricos aqui nesse capitalismo socialista, onde existe o poder do socialismo, do partido, que leva o dinheiro a mãos privadas, a gente com boa relação com o governo. Esse é o maior crime. Os pobres não têm direito, não podem votar ou se expressar. Isso só vai criar problemas. Não sou muito otimista se teremos democracia, mas temos que lutar por ela.
Nessa sociedade, ninguém fala nada. Intelectuais, artistas, escritores nunca acham nada. Fico parecendo o louco. Acho que os intelectuais chineses são sem-vergonha, querem tirar vantagem, não usam sua suposta reflexão, sua responsabilidade de falar a verdade. Os intelectuais deveriam ser a consciência dessa sociedade, mas não são.
Não gosto da Pequim antiga, nem da moderna. A velha era da sociedade imperial, onde havia a monarquia vivendo bem nos palácios e o resto vivia como ratos, tempos sombrios. A nova é resultado da corrupção, da falta de planejamento, da feiúra. Ambas não são humanas. Precisamos de democracia. Se fosse mais feia, mais bagunçada, sem a mão pesada do governo, já seria mais confortável. Cidades precisam de variedade, aqui tem governo demais. Eles dão novo visual, mas não dão nova vida.
Ainda sobre Weiwei: seu pai, Ai Qing, é considerado o maior poeta moderno da China, e foi enviado a um Lao Gai - campo de trabalhos forçados - para limpar privadas durante a Revolução Cultura, sendo proibido de publicar por uma década.
terça-feira, 1 de abril de 2008
Protestos Pró-Tibet no Rio(3)
Relato meu sobre o ato de anteontem:
Por volta das nove da manhã, a movimentação em frente ao famoso Hotel Marina já era bastante razoável. A Faixa "o Tibete pode ser salvo" já era exibida no asfalto, enquanto banners muito bem feitos descansavam encostados em carro. Alguns manifestantes se congraçavam, provavelmente amigos e colegas; outros distribuíam as pertinentes faixas pretas, que eram colocadas em braços ou bocas, simbolizando o luto e o silêncio amordaçado das vítimas tibetanas. Sozinho, fiquei por ali, até sermos convocados para a faixa, onde fotógrafos de diferentes órgãos da imprensa registravam o ainda pequeno grupo de manifestantes - com destaque para as crianças que brincavam à vontade, filhos e filhas de quem protestava.
Chegaram mais algumas pessoas e depois de um tempo partimos em caminhada, pontuada por batidas em espécie de bumbo ritual e por um mantra budista. Segurando galhardetes e faixas, espalhados por uns tantos metros, provavelmente passamos a impressão de que éramos mais numerosos. Aqui e ali, alguns aplausos, puxados - por professor de ginástica hehe, pessoas fazendo exercícios em bicicletas de academia - e espontâneos. Uma ou outra manifestação de repúdio - por não estarmos protestando contra a dengue, segundo alguns; por sabe-se lá o que, segundo senhor que passou quase correndo, falando que éramos "malucos". Mas acho que a impressão majoritária foi favorável ao nosso ato, que despertou ao menos interesse na maioria dos transeuntes, que pediam informações e aceitavam os panfletos distribuídos.
Problemas, a meu ver: o ato foi talvez excessivamente budista, o que é até absolutamente natural, por ser o budismo o principal vetor de propaganda da causa tibetana. Poucos são os não-budistas que se preocupam com o Tibete, e isso ficou bem claro no ato, com quase ninguém ignorando os mantras - eu era dos poucos que não sabia cantar hehe... embora você aprenda logo, pois são mantras, acabei ficando calado, seria um tanto festivo se eu cantasse algo que nada significa para mim. Alguns participantes da Falun Gong apareceram, e eles se preocuparam em dar um caráter mais amplo ao evento - em faixas e nos panfletos que distribuíram, lembraram também a perseguição a católicos e muçulmanos na China. Acho que o caminho é esse: não quero restringir as manifestações budistas, de forma alguma - mas precisamos aproveitar as Olimpíadas e repudiar a ditadura chinesa como um todo, comentando também sobre o que sofrem os mais de um bilhão de chineses. Não fazer isso é correr o risco de cair no exotismo que motivou as tais piadas, é facilitar que pessoas não muito conscientes, para usar eufemismo, considerem nossas manifestações uma bobajada esotérica em prol de um povo perdido sabe-se lá onde. A presença de Hare Krishnas no final do ato - nem conheço a doutrina deles, não pretendo em absoluto criticá-la - só ajudou a reforçar esse efeito, na minha opinião. Com aquele estilo festivo deles, protagonizaram uma dança que me pareceu, leigo que sou, um tanto deslocada do espírito de protesto do evento.
Enfim: a festa foi bonita. Que apareçam mais católicos, evangélicos, ateus, socialistas democráticos, conservadores e liberais nos próximos atos. O ato será sempre budista demais enquanto só houver budistas nele! Mas um grande parabéns a todo mundo que apareceu e principalmente a quem perdeu tempo e dinheiro organizando tudo.
Matéria em O Globo sobre o ato. Apareço minimamente na primeira foto, entre banners vermelho e preto.
Por volta das nove da manhã, a movimentação em frente ao famoso Hotel Marina já era bastante razoável. A Faixa "o Tibete pode ser salvo" já era exibida no asfalto, enquanto banners muito bem feitos descansavam encostados em carro. Alguns manifestantes se congraçavam, provavelmente amigos e colegas; outros distribuíam as pertinentes faixas pretas, que eram colocadas em braços ou bocas, simbolizando o luto e o silêncio amordaçado das vítimas tibetanas. Sozinho, fiquei por ali, até sermos convocados para a faixa, onde fotógrafos de diferentes órgãos da imprensa registravam o ainda pequeno grupo de manifestantes - com destaque para as crianças que brincavam à vontade, filhos e filhas de quem protestava.
Chegaram mais algumas pessoas e depois de um tempo partimos em caminhada, pontuada por batidas em espécie de bumbo ritual e por um mantra budista. Segurando galhardetes e faixas, espalhados por uns tantos metros, provavelmente passamos a impressão de que éramos mais numerosos. Aqui e ali, alguns aplausos, puxados - por professor de ginástica hehe, pessoas fazendo exercícios em bicicletas de academia - e espontâneos. Uma ou outra manifestação de repúdio - por não estarmos protestando contra a dengue, segundo alguns; por sabe-se lá o que, segundo senhor que passou quase correndo, falando que éramos "malucos". Mas acho que a impressão majoritária foi favorável ao nosso ato, que despertou ao menos interesse na maioria dos transeuntes, que pediam informações e aceitavam os panfletos distribuídos.
Problemas, a meu ver: o ato foi talvez excessivamente budista, o que é até absolutamente natural, por ser o budismo o principal vetor de propaganda da causa tibetana. Poucos são os não-budistas que se preocupam com o Tibete, e isso ficou bem claro no ato, com quase ninguém ignorando os mantras - eu era dos poucos que não sabia cantar hehe... embora você aprenda logo, pois são mantras, acabei ficando calado, seria um tanto festivo se eu cantasse algo que nada significa para mim. Alguns participantes da Falun Gong apareceram, e eles se preocuparam em dar um caráter mais amplo ao evento - em faixas e nos panfletos que distribuíram, lembraram também a perseguição a católicos e muçulmanos na China. Acho que o caminho é esse: não quero restringir as manifestações budistas, de forma alguma - mas precisamos aproveitar as Olimpíadas e repudiar a ditadura chinesa como um todo, comentando também sobre o que sofrem os mais de um bilhão de chineses. Não fazer isso é correr o risco de cair no exotismo que motivou as tais piadas, é facilitar que pessoas não muito conscientes, para usar eufemismo, considerem nossas manifestações uma bobajada esotérica em prol de um povo perdido sabe-se lá onde. A presença de Hare Krishnas no final do ato - nem conheço a doutrina deles, não pretendo em absoluto criticá-la - só ajudou a reforçar esse efeito, na minha opinião. Com aquele estilo festivo deles, protagonizaram uma dança que me pareceu, leigo que sou, um tanto deslocada do espírito de protesto do evento.
Enfim: a festa foi bonita. Que apareçam mais católicos, evangélicos, ateus, socialistas democráticos, conservadores e liberais nos próximos atos. O ato será sempre budista demais enquanto só houver budistas nele! Mas um grande parabéns a todo mundo que apareceu e principalmente a quem perdeu tempo e dinheiro organizando tudo.
Matéria em O Globo sobre o ato. Apareço minimamente na primeira foto, entre banners vermelho e preto.
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sábado, 23 de fevereiro de 2008
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