Repetindo episódio outubrino divulgado nesse blog, policiais russos detiveram novamente manifestantes que, em referência ao 31º artigo da Constituição da Rússia, insistem em protestar todo dia 31 pelo cumprimento deste trecho - que trata do Direito de Reunião - e de todo o restante da Carta Magna daquele país. Dessa vez, as forças de segurança encarregadas de reprimir a intolerável balbúrdia oposicionista não pouparam sequer a veteraníssima Lyudmila Alexeyeva, militante octogenária que já padeceu enfrentando a ditadura soviética e hoje ainda encontra fôlego para desafiar nas ruas de Moscou o governo autoritário da dupla Putin/Medvedev.
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quinta-feira, 31 de dezembro de 2009
segunda-feira, 21 de dezembro de 2009
We
Dono de uma kebaberia situada em frente ao famoso e histórico Hotel Soviético, o russo Aleksander Vanin decidiu renomear seu bem quisto estabelecimento moscovita a partir de uma simples oposição geográfica, aproveitando raciocínio então já consagrado entre os frequentadores habituais do local: adotando popular apelido cunhado pela clientela, Vanin há cerca de três meses passou a ser o feliz proprietário de um restaurante Antissoviético, brincadeira aparentemente inocente a misturar geografia com (imaginária) dissidência política. E foi a partir daí que seus problemas começaram, em mais um episódio da combinação entre fascismo, patriotismo e nostalgia dos tempos soviéticos que parece o elemento mais característico dessa já tristemente longeva Rússia putinesca.
Curiosidade nem tão lateral e desimportante assim: o nome da milícia coletivista ("Nashi", 'Nosso' em russo) que aparece atormentando um jornalista na crônica do Pompeu de Toledo é pronome possessivo da primeira pessoa do plural, "Nós" - simplesmente o título da clássica distopia totalitária concluída em 1921 por Yevgeny Zamiatin, em parte uma precoce crítica do regime comunista cujos horrores a Rússia atual tanto se esforça para relativizar.
Curiosidade nem tão lateral e desimportante assim: o nome da milícia coletivista ("Nashi", 'Nosso' em russo) que aparece atormentando um jornalista na crônica do Pompeu de Toledo é pronome possessivo da primeira pessoa do plural, "Nós" - simplesmente o título da clássica distopia totalitária concluída em 1921 por Yevgeny Zamiatin, em parte uma precoce crítica do regime comunista cujos horrores a Rússia atual tanto se esforça para relativizar.
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segunda-feira, 2 de novembro de 2009
Halloween russo
Na última sexta-feira de outubro, 50 manifestantes foram detidos pelas autoridades russas enquanto tentavam protestar em Moscou pelo cumprimento de garantia democrática prevista na Constituição pós-comunista daquele país - a escolha da data é referência ao artigo 31 do documento, que trata exatamente (e irônica e tristemente, dado o ocorrido) do direito a livre reunião e protesto na Rússia, princípio que seria cobrado no evento coibido.
Um dos detidos foi Eduard Limonov, fundador de um certo Partido Nacional-Bolchevique cuja ideologia mistura nazismo, stalinismo, imperialismo e antiamericanismo; apesar da salada totalitária, até ele merecia o direito de se manifestar livremente em praça pública - mais ainda quando o faria defendendo(circunstancialmente apenas, não duvido; que os opositores apontem a contradição) Carta de inspiração liberal que é fundamentalmente oposta às próprias idéias professadas pelo exótico líder partidário.
Um dos detidos foi Eduard Limonov, fundador de um certo Partido Nacional-Bolchevique cuja ideologia mistura nazismo, stalinismo, imperialismo e antiamericanismo; apesar da salada totalitária, até ele merecia o direito de se manifestar livremente em praça pública - mais ainda quando o faria defendendo(circunstancialmente apenas, não duvido; que os opositores apontem a contradição) Carta de inspiração liberal que é fundamentalmente oposta às próprias idéias professadas pelo exótico líder partidário.
segunda-feira, 20 de julho de 2009
Ligações perigosas
Natalia Estemirova, jornalista que investigava abusos do governo russo e de seus títeres locais na Chechênia, foi encontrada morta na última quarta-feira, com marcas de tiros na cabeça e no peito. Estemirova era próxima da também jornalista e também assassinada Anna Politkovskaya(morta em 2006; virou prêmio, recebido em 2007 por Natalia) e de advogado que lutava contra a libertação do coronel Yuri Budanov, autor confesso do enforcamento de uma jovem chechena - advogado que teve em janeiro desse ano o mesmo fim encarado pelas suas duas companheiras de luta.
domingo, 12 de julho de 2009
Kenny no país dos sovietes
Após a recente onda bananeira que bane mais e mais das televisões de Nuestra America revolucionária a maior crítica pop jamais concebida à sociedade norte-americana, parece ser a vez de ainda mais cáustica e escatológica sátira - bem menos esquerdista que sua antepassada amarela, é verdade - ser vítima de uma nação cuja experiência com direitos individuais burgueses consegue ser ainda mais limitada que aquela pobremente vivenciada nas terras dos coronéis outonais: na Rússia do neokgbismo, episódio de South Park que exibia um Putin menos heróico (nenhum tigre ameaçador abatido) e mais vestido que a versão oficial teve as cenas com a Eminência Parda cortadas, não se sabe ainda se por autocensura ou determinação(ou recomendação...) das autoridades competentes.
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domingo, 15 de março de 2009
Opositor deixa o Vladimir Putin e é internado à força em hospício
Da AFP (UOL Notícias):
Demonstrando mais uma vez que a democracia russa é só para ingleses, americanos, franceses e outros trouxas ocidentais verem, o Kremlin retoma mais uma costumeira prática dos seus tempos áureos soviéticos: internar opositores em hospícios.
Há uma semana, um tribunal em São Petersburgo aceitou a "solicitação" de um centro psiquiátrico para internar Vadim Charuchev, criador e organizador de uma rede de debates na internet com o nome de "V Kontakte" (Em contato), que critica abertamente o regime de Putin. O detalhe mais bonito é que o pobre louco foi internado sem que qualquer diagnóstico fosse feito.
Demonstrando mais uma vez que a democracia russa é só para ingleses, americanos, franceses e outros trouxas ocidentais verem, o Kremlin retoma mais uma costumeira prática dos seus tempos áureos soviéticos: internar opositores em hospícios.
Há uma semana, um tribunal em São Petersburgo aceitou a "solicitação" de um centro psiquiátrico para internar Vadim Charuchev, criador e organizador de uma rede de debates na internet com o nome de "V Kontakte" (Em contato), que critica abertamente o regime de Putin. O detalhe mais bonito é que o pobre louco foi internado sem que qualquer diagnóstico fosse feito.
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quarta-feira, 21 de janeiro de 2009
Pintando cadáveres
Mais dois na conta de Vlad, o ex-agente da KGB que é dublê de premiê e pintor na Rússia: na segunda-feira, um advogado que lutava contra a libertação de coronel que é assassino confesso foi morto a tiros no centro de Moscou por um homem mascarado, que ainda atingiu também fatalmente uma jornalista que acompanhava o alvo do ataque. Yuri Budanov, o militar libertado, assumiu ter enforcado a jovem tchechena Heda Kungayeva em 2000 - o que explicou acusando-a de integrar a irridente insurgência separatista de região.
Não se sabe ainda (e talvez jamais se saiba) se houve ordem direta do Kremlin para assassinar o advogado - Budanov é um herói para vários grupos nacionalistas russos que podem perfeitamente ter planejado e executado o crime sem qualquer participação estatal. Mas sabemos também que é característica de diferentes regimes de força de ontem - ver fascismo italiano e nazismo, por exemplo - e de hoje - o post abaixo é um dentre muitos exemplos possíveis sob o Chavismo - contar exatamente com milícias e afins que farão parte do trabalho sujo mais ou menos independentes do poder central, alimentadas por diferentes graus de impunidade e por lideranças carismáticas (ler Ian Kershaw para Hitler) cujos desígnios e tendências muitas vezes são apenas sugeridos a fiéis que se acostumam a deduzir quais seriam as melhores expressões concretas para a única fonte real de legitimidade, a "vontade do líder". Certamente a Rússia de Putin não é um fascismo, mas esse e outros fatos ocorridos sob a égide do ex-presidente (e ainda mandatário-mor) nos deixam claro que ela também está muito longe de ser uma democracia.
Não se sabe ainda (e talvez jamais se saiba) se houve ordem direta do Kremlin para assassinar o advogado - Budanov é um herói para vários grupos nacionalistas russos que podem perfeitamente ter planejado e executado o crime sem qualquer participação estatal. Mas sabemos também que é característica de diferentes regimes de força de ontem - ver fascismo italiano e nazismo, por exemplo - e de hoje - o post abaixo é um dentre muitos exemplos possíveis sob o Chavismo - contar exatamente com milícias e afins que farão parte do trabalho sujo mais ou menos independentes do poder central, alimentadas por diferentes graus de impunidade e por lideranças carismáticas (ler Ian Kershaw para Hitler) cujos desígnios e tendências muitas vezes são apenas sugeridos a fiéis que se acostumam a deduzir quais seriam as melhores expressões concretas para a única fonte real de legitimidade, a "vontade do líder". Certamente a Rússia de Putin não é um fascismo, mas esse e outros fatos ocorridos sob a égide do ex-presidente (e ainda mandatário-mor) nos deixam claro que ela também está muito longe de ser uma democracia.
domingo, 7 de dezembro de 2008
sexta-feira, 31 de outubro de 2008
SITE IMPORTANTE - FamineGenocide.org
No meu post anterior, referi-me ao massacre ocorrido na Ucrânia, quando o Partido Comunista Soviético matou de fome deliberadamente entre 8 e 10 milhões de pessoas num curto período de tempo (1932-1933), evento conhecido pelos ucranianos como Holodomor, que no idioma local significa "fome-genocídio".
Pois bem. Segue abaixo, com maior ênfase, um importante site que lida com este assunto, tabu na imprensa e na universidade e que tende a ser esquecido dados os esforços empreendidos pelo atual regime russo para resgatar a imagem do Guia dos Povos Josef Stalin.
http://www.faminegenocide.com/ - Famine Genocide (em inglês).
Que Deus ilumine as cabeças dos Spielbergs e não deixe isto passar em branco...
Pois bem. Segue abaixo, com maior ênfase, um importante site que lida com este assunto, tabu na imprensa e na universidade e que tende a ser esquecido dados os esforços empreendidos pelo atual regime russo para resgatar a imagem do Guia dos Povos Josef Stalin.
http://www.faminegenocide.com/ - Famine Genocide (em inglês).
Que Deus ilumine as cabeças dos Spielbergs e não deixe isto passar em branco...
Cretinos demais: comunistas na Rússia acusam atriz de novo 007 de traição.
A reportagem é da Associated Press, em São Petersburgo.
O Partido Comunista em São Petersburgo acusou em carta a atriz ucraniana Olga Kurylenko, que interpreta uma Bond Girl no novo filme da série 007, de haver traído suas origens. O motivo, segundo os comunistas, é que ela, após ter recebido tudo da União Soviética, resolve participar de um filme que só faz matar centenas de "soviéticos e cidadãos de outros países: cubanos, vietnamitas, norte-coreanos, chineses e nicaragüenses" e que ainda por cima, segundo um líder do partido, faz guerra psicológica ao retratar uma ucraniana dormindo com um americano.
Comentário:
Sim, caros leitores. Que terrível ato de traição foi cometido por esta bela moça! Imaginem o quanto a Srta. Kurylenko deve ao regime que matou deliberadamente de fome 8 a 10 milhões dos seus conterrâneos e ainda deixou para sua pátria o pior desastre ambiental da História. Oh horror! Fazer filme tão depreciativo dos soviéticos e seus equivalentes na China, em Cuba, na Coréia do Norte e no Vietnam. E imaginem a malícia desses hollywoodianos, provocando danos psicológicos irreversíveis nos espectadores ao mostrar uma cena tão picante quanto o beijo entre o agente britânico e a agente boliviana (não há sexo entre Bond e a Bond Girl no filme).
O Partido Comunista em São Petersburgo acusou em carta a atriz ucraniana Olga Kurylenko, que interpreta uma Bond Girl no novo filme da série 007, de haver traído suas origens. O motivo, segundo os comunistas, é que ela, após ter recebido tudo da União Soviética, resolve participar de um filme que só faz matar centenas de "soviéticos e cidadãos de outros países: cubanos, vietnamitas, norte-coreanos, chineses e nicaragüenses" e que ainda por cima, segundo um líder do partido, faz guerra psicológica ao retratar uma ucraniana dormindo com um americano.
Comentário:
Sim, caros leitores. Que terrível ato de traição foi cometido por esta bela moça! Imaginem o quanto a Srta. Kurylenko deve ao regime que matou deliberadamente de fome 8 a 10 milhões dos seus conterrâneos e ainda deixou para sua pátria o pior desastre ambiental da História. Oh horror! Fazer filme tão depreciativo dos soviéticos e seus equivalentes na China, em Cuba, na Coréia do Norte e no Vietnam. E imaginem a malícia desses hollywoodianos, provocando danos psicológicos irreversíveis nos espectadores ao mostrar uma cena tão picante quanto o beijo entre o agente britânico e a agente boliviana (não há sexo entre Bond e a Bond Girl no filme).
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segunda-feira, 15 de setembro de 2008
sábado, 26 de julho de 2008
Uma reprimenda que vale por um elogio.
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sexta-feira, 11 de julho de 2008
sábado, 26 de abril de 2008
domingo, 20 de abril de 2008
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