Chega ao Brasil nova tradução de O Mestre e Margarida, romance escrito às escondidas pelo russo Mikhail Bulgakov entre 1928 e 1940, sob o opressivo clima de ameaça constante do totalitarismo stalinista. Na obra, uma trupe mui exótica - comandada pelo capiroto em pessoa - surge repentinamente na Moscou soviética, dando ensejo a um enredo fantasioso repleto de sátiras ao regime comunista - que principalmente por isso acabaria atuando tipicamente como censor (vetando mais de 10% do texto original) quando da primeira edição do título, versão em série lançada por revista cultural moscovita na segunda metade da década de 1960.
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segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
segunda-feira, 21 de dezembro de 2009
We
Dono de uma kebaberia situada em frente ao famoso e histórico Hotel Soviético, o russo Aleksander Vanin decidiu renomear seu bem quisto estabelecimento moscovita a partir de uma simples oposição geográfica, aproveitando raciocínio então já consagrado entre os frequentadores habituais do local: adotando popular apelido cunhado pela clientela, Vanin há cerca de três meses passou a ser o feliz proprietário de um restaurante Antissoviético, brincadeira aparentemente inocente a misturar geografia com (imaginária) dissidência política. E foi a partir daí que seus problemas começaram, em mais um episódio da combinação entre fascismo, patriotismo e nostalgia dos tempos soviéticos que parece o elemento mais característico dessa já tristemente longeva Rússia putinesca.
Curiosidade nem tão lateral e desimportante assim: o nome da milícia coletivista ("Nashi", 'Nosso' em russo) que aparece atormentando um jornalista na crônica do Pompeu de Toledo é pronome possessivo da primeira pessoa do plural, "Nós" - simplesmente o título da clássica distopia totalitária concluída em 1921 por Yevgeny Zamiatin, em parte uma precoce crítica do regime comunista cujos horrores a Rússia atual tanto se esforça para relativizar.
Curiosidade nem tão lateral e desimportante assim: o nome da milícia coletivista ("Nashi", 'Nosso' em russo) que aparece atormentando um jornalista na crônica do Pompeu de Toledo é pronome possessivo da primeira pessoa do plural, "Nós" - simplesmente o título da clássica distopia totalitária concluída em 1921 por Yevgeny Zamiatin, em parte uma precoce crítica do regime comunista cujos horrores a Rússia atual tanto se esforça para relativizar.
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domingo, 4 de outubro de 2009
O Gibbon do comunismo
Em sua última edição, o interessante programa de entrevistas Milênio(Globo News) apresentou uma instrutiva conversa entre o sempre competente jornalista Silio Boccanera e o historiador inglês Archie Brown, autor de um calhamaço de 720 páginas recentemente lançado em seu país e entitulado simplesmente de The Rise and Fall of Communism(2009), título remetendo(como tantos outros) dificilmente por acaso ao monumental clássico Declínio e Queda do Império Romano, marco do iluminismo publicado em fins do século XVIII por seu conterrâneo Edward Gibbon. Como o antepassado mais notável, Archie também debruçou-se em fontes primárias e extraiu conclusões polêmicas, não se furtando a analisar tópicos delicados - por exemplo, os reais graus de afinidade entre o já famoso "marxismo de Marx" (a expressão vem de outro livro importante, dessa vez do francês Raymond Aron) e as trágicas e ditatoriais experiências ditas comunistas do século XX e os papéis e relevâncias de Reagan, João Paulo II e Gorbachev na crise que deflagrou o fim desses regimes no Leste Europeu. Sobre a primeira questão, Brown faz coro com as leituras conservadoras e liberais mais usuais e identifica no comunismo inequívocos males de origem, enfatizando entre eles a ausência dos tão anglo-saxônicos mecanismos de responsabilização(accountability, a tradução é aproximada) e equilíbrio entre os poderes(usa o termo checks and balances, a vertente americana da idéia) nas obras dos patriarcas Marx e Engels, silêncio explicado pelo utopismo central de uma visão totalizante pretensamente científica - salvacionismo muito bem discutido, aliás, no belo O Fenômeno Totalitário, de autoria do falecido professor uspiano Roque Spencer Maciel de Barros; sobre o segundo ponto, recusa os protagonismos comumente atribuídos a Reagan e ao Papa polonês e afirma que o governo soviético e seus vizinhos afins só implodiram por conta das escolhas de um Gorbachev reformista e crescentemente simpático à democracia, com os discursos e práticas do presidente americano apenas fortalecendo os linhas-duras de Moscou e o líder católico servindo principalmente como fonte de inspiração e conforto espiritual para alguns dos dissidentes do paraíso terreno, especialmente na Polônia.
A íntegra da entrevista está disponível no blog do programa, no post seguinte à apresentação em que Boccanera anuncia para logo uma edição brasileira do livro de Brown.
A íntegra da entrevista está disponível no blog do programa, no post seguinte à apresentação em que Boccanera anuncia para logo uma edição brasileira do livro de Brown.
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segunda-feira, 22 de dezembro de 2008
A bola pune
Em 1921, o jogador de futebol e hóquei sobre o gelo Nikolai Starostin ajudou a fundar o embrião daquilo que 13 anos mais tarde se tornaria o Spartak Moscou, ainda hoje um dos mais importantes e populares clubes esportivos da Rússia. Destacando-se desde cedo por sua habilidade, Starostin liderou o Spartak numa série de sucessos que culminaram em dois bicampeonatos (1938/1939) daqueles que eram os mais importantes torneios de futebol da potência comunista, o Campeonato e a Copa da URSS. Tendo conquistado esses e outros títulos e sendo idolatrado como um herói popular por trabalhadores distantes da máquina do Partido, Nikolai parecia desfrutar de especial segurança em uma nação cada vez mais dominada pelo terror político; mas em 1942, ele, seus três irmãos (também atletas do Spartak) e outros jogadores foram presos sob ordens diretas do temido Chefe da KGB Laurenti Beria - se juntando à já longa lista de reacionários acusados de complô para assassinar o ditador Stalin. Após dois anos de interrogatório na infame prisão de Lubyanka, as acusações acabaram sendo retiradas - o que não impediu Starostin de ser condenado a dez anos de frio e horror na Sibéria por supostamente "incutir sentimentos burgueses no esporte soviético". Por trás da farsa e das prisões, no entanto, se escondia apenas o fanatismo futebolístico de um torcedor poderoso demais: o carniceiro Beria era Presidente de Honra do Dinamo Moscou, time controlado pela polícia secreta que ele liderava - e que havia sido derrotado duas vezes (em uma mesma partida) pelo Spartak na semifinal da Copa da URSS de 1939, com o seu sinistro dirigente como testemunha nas tribunas de honra do estádio. Na ocasião, o Dinamo perdeu uma histórica invencibilidade em sua casa; três anos depois, o precoce boleiro-dirigente que comandou o seu algoz quase perdeu a vida pela audácia de jogar futebol contra monstros.
Essa e outras histórias estão no documentário Communism and Football, uma produção de 2006 da BBC que está sendo exibida pelo nosso canal a cabo Sportv. Acabo de assisti-lo e não sei quando passará novamente, mas o programa é bom o suficiente para justificar uma atenção diária dos nossos leitores à grade daquele que hoje sim merece ser chamado de "canal campeão".
Essa e outras histórias estão no documentário Communism and Football, uma produção de 2006 da BBC que está sendo exibida pelo nosso canal a cabo Sportv. Acabo de assisti-lo e não sei quando passará novamente, mas o programa é bom o suficiente para justificar uma atenção diária dos nossos leitores à grade daquele que hoje sim merece ser chamado de "canal campeão".
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sexta-feira, 31 de outubro de 2008
SITE IMPORTANTE - FamineGenocide.org
No meu post anterior, referi-me ao massacre ocorrido na Ucrânia, quando o Partido Comunista Soviético matou de fome deliberadamente entre 8 e 10 milhões de pessoas num curto período de tempo (1932-1933), evento conhecido pelos ucranianos como Holodomor, que no idioma local significa "fome-genocídio".
Pois bem. Segue abaixo, com maior ênfase, um importante site que lida com este assunto, tabu na imprensa e na universidade e que tende a ser esquecido dados os esforços empreendidos pelo atual regime russo para resgatar a imagem do Guia dos Povos Josef Stalin.
http://www.faminegenocide.com/ - Famine Genocide (em inglês).
Que Deus ilumine as cabeças dos Spielbergs e não deixe isto passar em branco...
Pois bem. Segue abaixo, com maior ênfase, um importante site que lida com este assunto, tabu na imprensa e na universidade e que tende a ser esquecido dados os esforços empreendidos pelo atual regime russo para resgatar a imagem do Guia dos Povos Josef Stalin.
http://www.faminegenocide.com/ - Famine Genocide (em inglês).
Que Deus ilumine as cabeças dos Spielbergs e não deixe isto passar em branco...
Cretinos demais: comunistas na Rússia acusam atriz de novo 007 de traição.
A reportagem é da Associated Press, em São Petersburgo.
O Partido Comunista em São Petersburgo acusou em carta a atriz ucraniana Olga Kurylenko, que interpreta uma Bond Girl no novo filme da série 007, de haver traído suas origens. O motivo, segundo os comunistas, é que ela, após ter recebido tudo da União Soviética, resolve participar de um filme que só faz matar centenas de "soviéticos e cidadãos de outros países: cubanos, vietnamitas, norte-coreanos, chineses e nicaragüenses" e que ainda por cima, segundo um líder do partido, faz guerra psicológica ao retratar uma ucraniana dormindo com um americano.
Comentário:
Sim, caros leitores. Que terrível ato de traição foi cometido por esta bela moça! Imaginem o quanto a Srta. Kurylenko deve ao regime que matou deliberadamente de fome 8 a 10 milhões dos seus conterrâneos e ainda deixou para sua pátria o pior desastre ambiental da História. Oh horror! Fazer filme tão depreciativo dos soviéticos e seus equivalentes na China, em Cuba, na Coréia do Norte e no Vietnam. E imaginem a malícia desses hollywoodianos, provocando danos psicológicos irreversíveis nos espectadores ao mostrar uma cena tão picante quanto o beijo entre o agente britânico e a agente boliviana (não há sexo entre Bond e a Bond Girl no filme).
O Partido Comunista em São Petersburgo acusou em carta a atriz ucraniana Olga Kurylenko, que interpreta uma Bond Girl no novo filme da série 007, de haver traído suas origens. O motivo, segundo os comunistas, é que ela, após ter recebido tudo da União Soviética, resolve participar de um filme que só faz matar centenas de "soviéticos e cidadãos de outros países: cubanos, vietnamitas, norte-coreanos, chineses e nicaragüenses" e que ainda por cima, segundo um líder do partido, faz guerra psicológica ao retratar uma ucraniana dormindo com um americano.
Comentário:
Sim, caros leitores. Que terrível ato de traição foi cometido por esta bela moça! Imaginem o quanto a Srta. Kurylenko deve ao regime que matou deliberadamente de fome 8 a 10 milhões dos seus conterrâneos e ainda deixou para sua pátria o pior desastre ambiental da História. Oh horror! Fazer filme tão depreciativo dos soviéticos e seus equivalentes na China, em Cuba, na Coréia do Norte e no Vietnam. E imaginem a malícia desses hollywoodianos, provocando danos psicológicos irreversíveis nos espectadores ao mostrar uma cena tão picante quanto o beijo entre o agente britânico e a agente boliviana (não há sexo entre Bond e a Bond Girl no filme).
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quarta-feira, 18 de junho de 2008
quarta-feira, 30 de abril de 2008
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