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quinta-feira, 15 de julho de 2010
quarta-feira, 28 de abril de 2010
Juventude Rebelde
Boa matéria da revista Veja sobre jovens cubanos que desafiam, de uma forma ou de outra, a ditadura dos irmãos Castro - e são perseguidos por isso. Os terríveis atos subversivos dessa gente reacionária incluem músicas contra o regime, mensagens antirevolucionárias em tênis e camisetas e, como já sabemos, blogs atualizados a duríssimas penas. Na reportagem, presenças dos nossos já bastante conhecidos Yoani Sánchez e Gorki Águila.
Notar no texto algo que já comentamos aqui: como a capacidade de simplesmente sobreviver - obter seu sustento material - fora da rede de empregos do Estado aumenta a liberdade dos indivíduos sob ditaduras comunistas. Com o crescimento do turismo e das oportunidades por ele geradas, alguns dos personagens apresentados pelo jornalista Duda Teixeira - como Claudia Cadelo e a própria Yoani - já vivem de empregos privados, serviços prestados clandestinamente (sem autorização oficial) a turistas - o que lhes permite escapar ao menos das chantagens que pesam sobre aqueles ainda dependentes do patrão Estado. O mesmo se percebe nos comentários sobre a Juventude Comunista cubana: o êxodo sem precedentes - segundo o artigo - deveria algo também ao fato de que as perspectivas de emprego abertas ou facilitadas pelo simples pertencimento ao órgão (e mais tarde ao Partido) já não seriam mais tão tentadoras assim - exatamente por conta das opções por vezes muito mais interessantes abertas em torno da atividade turística. É um dilema: a ditadura é cada vez mais dependente do turismo - uma força que ao mesmo tempo a enfraquece.
Notar no texto algo que já comentamos aqui: como a capacidade de simplesmente sobreviver - obter seu sustento material - fora da rede de empregos do Estado aumenta a liberdade dos indivíduos sob ditaduras comunistas. Com o crescimento do turismo e das oportunidades por ele geradas, alguns dos personagens apresentados pelo jornalista Duda Teixeira - como Claudia Cadelo e a própria Yoani - já vivem de empregos privados, serviços prestados clandestinamente (sem autorização oficial) a turistas - o que lhes permite escapar ao menos das chantagens que pesam sobre aqueles ainda dependentes do patrão Estado. O mesmo se percebe nos comentários sobre a Juventude Comunista cubana: o êxodo sem precedentes - segundo o artigo - deveria algo também ao fato de que as perspectivas de emprego abertas ou facilitadas pelo simples pertencimento ao órgão (e mais tarde ao Partido) já não seriam mais tão tentadoras assim - exatamente por conta das opções por vezes muito mais interessantes abertas em torno da atividade turística. É um dilema: a ditadura é cada vez mais dependente do turismo - uma força que ao mesmo tempo a enfraquece.
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quarta-feira, 10 de março de 2010
O apoio dos líderes do PT à ditadura cubana
Em recente visita a Cuba, Lula manifestou mais uma vez o seu apoio à ditadura comunista de Raúl e Fidel Castro, tratando com desdém os presos políticos daquele país. O presidente brasileiro não fez crítica alguma às sistemáticas violações dos direitos humanos em Cuba, nem mesmo quando morreu Orlando Zapata Tamayo. Agora Lula comparou os presos políticos cubanos a bandidos. Disse ainda que "temos de respeitar a determinação da Justiça e do governo cubano de prender as pessoas em função da legislação de Cuba, como quero que respeitem a do Brasil". Reinaldo Azevedo tem razão em afirmar que é "uma fala útil para endossar qualquer horror". Dilma Rousseff não é diferente de Lula.
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segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010
Cálice
Em Havana para rodar mais um filme sobre a incensadíssima música cubana, um grupo de documentaristas estrangeiros entrevistava articulado habitante local quando foi surpreendido pela intervenção desesperada e confusa de um segundo homem, aparentemente bastante alcoolizado. Identificado mais tarde como Juan Carlos Gonzales Marcos(ou "Panfilo"), o bêbado interrompeu a fala de seu companheiro e se pôs a dar um único recado para aquela equipe de gringos com a qual teve a sorte de esbarrar: ele estava com fome.
Dias após a divulgação do vídeo internet afora, Panfilo apareceria novamente para o mundo, agora pelas lentes da tv estatal cubana: emulando décadas depois os Processos de Moscou e a distopia orwelliana - mais que Darkness at Noon, a principal referência anticomunista que ocorreu à Reason -, Juan Carlos pediria desculpas ao povo de Cuba pelo comentário despropositado. Apesar da retratação - e nada estranhamente, seguindo também aí os tristes roteiros dos julgamentos e ficção citados -, nosso personagem não seria perdoado pelo regime e acabaria preso sob a acusação (já conhecida dos nossos leitores) de "comportamento social pré-criminoso".
Dias após a divulgação do vídeo internet afora, Panfilo apareceria novamente para o mundo, agora pelas lentes da tv estatal cubana: emulando décadas depois os Processos de Moscou e a distopia orwelliana - mais que Darkness at Noon, a principal referência anticomunista que ocorreu à Reason -, Juan Carlos pediria desculpas ao povo de Cuba pelo comentário despropositado. Apesar da retratação - e nada estranhamente, seguindo também aí os tristes roteiros dos julgamentos e ficção citados -, nosso personagem não seria perdoado pelo regime e acabaria preso sob a acusação (já conhecida dos nossos leitores) de "comportamento social pré-criminoso".
Mesmo calado o peito
Resta a cuca
Dos bêbados
Do centro da cidade...
Resta a cuca
Dos bêbados
Do centro da cidade...
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
Minority Report cubano
A organização não-governamental espanhola COLEGAS denunciou no começo desse mês mais um episódio no recrudescimento da perseguição a homossexuais em Cuba: repercutindo nota da cubana Fundação Reinaldo Arenas, o grupo espanhol acusa a ditadura castrista de ter condenado recentemente seis gays da ilha sob pretextos diversos, incluindo aí a premonitória acusação de "criminoso em potencial". Contando com dois costureiros que trabalhavam sem licença e um rapaz sem ocupação estável que aparentemente vivia de se "relacionar com estrangeiros", o grupo de detidos parece ter em comum algo mais além da orientação sexual: segundo as organizações locais, todos teriam sido perseguidos por não trabalharem "para o Estado" - sempre um problema seríssimo para os regimes comunistas, que têm no caráter de empregador exclusivo (ou quase, no caso da Cuba atual) do Estado uma de suas principais formas de coação e repressão de comportamentos indesejáveis*.
* -Sobre a relação entre pluralidade de proprietários dos meios de produção e liberdades intelectuais, ver O Caminho da Servidão, de Friederich Hayek. Um exemplo cubano: Reinaldo Arenas, marido da famosa blogueira dissidente Yoani Sanchez, foi jornalista até 1988 - quando teria sido demitido do jornal oficial Juventud Rebelde por escrever textos "inadequados à linha" da publicação. Vetado na única imprensa (a estatal) que emprega no país, Arenas hoje trabalha como professor de espanhol e guia para turistas - como o provável michê preso pelo governo, sobrevive à margem da economia legal e "se relacionando com estrangeiros".
Nota: Pensei na referência a Minority Report assim que soube do caso, o que provavelmente se daria com qualquer um que goste de ficção científica como eu - ou com sujeito que pelo menos conheça o filme arrasa-quarteirão do Tom Cruise; certamente por conta dessa obviedade quase automática(robótica?hehe), descobri logo que a sacada já existe em pelo menos um outro blog por aí, ferindo um tanto cruelmente a literatice do dia...
* -Sobre a relação entre pluralidade de proprietários dos meios de produção e liberdades intelectuais, ver O Caminho da Servidão, de Friederich Hayek. Um exemplo cubano: Reinaldo Arenas, marido da famosa blogueira dissidente Yoani Sanchez, foi jornalista até 1988 - quando teria sido demitido do jornal oficial Juventud Rebelde por escrever textos "inadequados à linha" da publicação. Vetado na única imprensa (a estatal) que emprega no país, Arenas hoje trabalha como professor de espanhol e guia para turistas - como o provável michê preso pelo governo, sobrevive à margem da economia legal e "se relacionando com estrangeiros".
Nota: Pensei na referência a Minority Report assim que soube do caso, o que provavelmente se daria com qualquer um que goste de ficção científica como eu - ou com sujeito que pelo menos conheça o filme arrasa-quarteirão do Tom Cruise; certamente por conta dessa obviedade quase automática(robótica?hehe), descobri logo que a sacada já existe em pelo menos um outro blog por aí, ferindo um tanto cruelmente a literatice do dia...
domingo, 4 de outubro de 2009
O Gibbon do comunismo
Em sua última edição, o interessante programa de entrevistas Milênio(Globo News) apresentou uma instrutiva conversa entre o sempre competente jornalista Silio Boccanera e o historiador inglês Archie Brown, autor de um calhamaço de 720 páginas recentemente lançado em seu país e entitulado simplesmente de The Rise and Fall of Communism(2009), título remetendo(como tantos outros) dificilmente por acaso ao monumental clássico Declínio e Queda do Império Romano, marco do iluminismo publicado em fins do século XVIII por seu conterrâneo Edward Gibbon. Como o antepassado mais notável, Archie também debruçou-se em fontes primárias e extraiu conclusões polêmicas, não se furtando a analisar tópicos delicados - por exemplo, os reais graus de afinidade entre o já famoso "marxismo de Marx" (a expressão vem de outro livro importante, dessa vez do francês Raymond Aron) e as trágicas e ditatoriais experiências ditas comunistas do século XX e os papéis e relevâncias de Reagan, João Paulo II e Gorbachev na crise que deflagrou o fim desses regimes no Leste Europeu. Sobre a primeira questão, Brown faz coro com as leituras conservadoras e liberais mais usuais e identifica no comunismo inequívocos males de origem, enfatizando entre eles a ausência dos tão anglo-saxônicos mecanismos de responsabilização(accountability, a tradução é aproximada) e equilíbrio entre os poderes(usa o termo checks and balances, a vertente americana da idéia) nas obras dos patriarcas Marx e Engels, silêncio explicado pelo utopismo central de uma visão totalizante pretensamente científica - salvacionismo muito bem discutido, aliás, no belo O Fenômeno Totalitário, de autoria do falecido professor uspiano Roque Spencer Maciel de Barros; sobre o segundo ponto, recusa os protagonismos comumente atribuídos a Reagan e ao Papa polonês e afirma que o governo soviético e seus vizinhos afins só implodiram por conta das escolhas de um Gorbachev reformista e crescentemente simpático à democracia, com os discursos e práticas do presidente americano apenas fortalecendo os linhas-duras de Moscou e o líder católico servindo principalmente como fonte de inspiração e conforto espiritual para alguns dos dissidentes do paraíso terreno, especialmente na Polônia.
A íntegra da entrevista está disponível no blog do programa, no post seguinte à apresentação em que Boccanera anuncia para logo uma edição brasileira do livro de Brown.
A íntegra da entrevista está disponível no blog do programa, no post seguinte à apresentação em que Boccanera anuncia para logo uma edição brasileira do livro de Brown.
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quinta-feira, 4 de junho de 2009
Ninguém entende, ninguém explica
Em qualquer democracia minimamente digna do nome, o Presidente da República(ou o primeiro-ministro) é sempre alvo privilegiado dos mais diversos tipos de humor. Com maiores ou menores graça, sensibilidade e audácia provocativa, humoristas vários se debruçam sobre o chefe do Executivo federal e satirizam trejeitos, maneirismos verbais, tropeções retóricos(ou não), gafes diplomáticas e tudo mais que possa ser matéria de piada, produzindo uma coleção de visões em torno de um mesmo personagem que vai do chiste episódico e superficial ao comentário político mais constante, explícito e pretensioso - e tudo isso em diferentes suportes e meios de comunicação, atingindo de variadas formas boa parte da sociedade nacional e, eventualmente, internacional. Com o Presidente Lula(já há piadas prontas aqui, aliás) não foi exceção, felizmente: vítima habitual dos próprios arroubos discursivos e de singular arrogância que no mais das vezes mal e mal se esconde por trás de uma sabedoria pretensamente inerente ao coletivo dos humildes, o ex-metalúrgico e militante profissional que ora nos preside já é objeto de todo um anedotário específico, melhor conhecido quanto mais o indivíduo lê ou ouve as pérolas que Sua Excelência profere. E é a esse anedotário que somamos, sob a rubrica tragicômica, a beleza que vem abaixo:
"Indagado se a decisão fortalece a OEA, o presidente afirmou que mais do que fortalecer a entidade, a revogação da suspensão ao país caribenho foi um ato em que 'prevaleceu o bom senso', porque 'ninguém mais conseguia explicar, ninguém mais conseguia entender'.De acordo com o presidente, o período em que Cuba foi 'o patinho feio' acabou, e isso 'foi bom para o mundo'".
Isso é o Presidente Lula, falando dessa feita sobre o fim da suspensão que impedia a ditadura comunista cubana de ingressar na OEA. Para nosso digníssimo molusco-em-chefe, ninguém entende(olha a arrogância aí: ninguém, absolutamente ninguém entende o que ele não entende, justifica o que ele considera injustificável), ninguém consegue explicar porque Cuba permanecia excluída da OEA. Na fala do presidente, a situação parece beirar o surreal: a exclusão da Ilha dos(updated) Drs.Castro não teria explicação alguma, seria - ainda que não explicitado - mera birra estadounidense, mais uma (dentre incontáveis birras!) desse país imperialista e malvado que, veja só, forçaria a ausência de um país irmão em fórum de deliberação política tão fundamental para os povos de nuestra America.
Mas faltou combinar com o acaso, esse reacionário: menos de 24 após a declaração do Ungido de Caetés, o governo cubano prendeu em espetacular operação marítima um grupo de proletários desesperados que tentavam escapar das revolucionárias conquistas da república popular do povo socialista, possivelmente instigados pela incessante propaganda contra-revolucionária do Império vizinho. As fotos são reveladoras: tão intelectual e emocionalmente subjugado pelas promessas do consumismo febril e antiecológico do Tio Sam maligno, um iludidíssimo servo da gleba caribenha chega a saltar alucinado em direção ao mar, mesmo após já estar absolutamente patente que eles foram, graças ao bom Marx, devidamente abalroados e inequivocamente capturados pelos diligentes tentáculos da pátria-mãe gentil.
Tragicômico à parte, ficam as perguntas: é realmente possível ignorar imagens dessas com cinismo, disfarçá-las com ideologia? É realmente preciso ser liberal - ou conservador ou, genericamente falando, em algum grau anti-esquerdista - para se chocar com a visão do homem cubano atirando-se enlouquecidamente ao mar, pensando sabe-se lá o que, temendo sabe-se lá que castigo? É realmente possível não perceber que essas pessoas não são - e a discussão sobre políticas imigratórias fica para depois - cidadãos sendo presos por país que quer impedi-los, por algum motivo, de entrar em seu território - mas sim indivíduos sendo capturados em alto-mar e levados à força, qual escravos mesmo, para um pedaço de terra que decidiram voluntariamente abandonar, arriscando sobre isopôr ridículo as próprias vidas? Podemos de fato acreditar que o Presidente da República Federativa do Brasil, limitações culturais à parte, não consiga sequer sentir aquilo que a média da humanidade sente, quase que imediatamente, quando contempla cena tão inacreditável, tão reveladora do drama e do horror da vida em um país-prisão?
Realmente: ninguém consegue explicar, ninguém consegue entender.
PS - Dificultando ao máximo a emigração de seus cidadãos, o governo cubano só faz acompanhar a política de países comunistas congêneres, de ontem e de hoje - antes um Muro de Berlim, atualmente uma polícia costeira a catar balseros que fraquejam e traem a revolução. Por trás de tanto zelo, muita realpolitik: a saída voluntária do socialismo em construção rumo à exploração capitalista seria (e de fato foi, mesmo que restrita a um mínimo por muros, cercas, fuzilamentos) um dano enorme para as ditaduras de partido único, constituindo uma legião de dissidentes no mais das vezes enormemente dispostos a falar o quanto sofriam sob o comunismo e usufruir das benesses do sistema econômico condenado pela História. Mas há algo mais ideológico por trás da coisa: como nos mostra o excelente texto A Tortura pela Esperança, do nobre(em mais de um sentido) contista francês Villiers de L'Isle-Adam, o ideólogo - no conto dele, um inquisidor católico; discutimos depois se catolicismo é ideologia - é antes de tudo alguém que está tão absolutamente certo de possuir uma verdade suprema ignorada pelos demais que entre suas atividades se propõe, talvez principalmente, a proteger todo e qualquer ente ainda ignorante da Revelação de seus próprios pecados, de suas próprias falsas escolhas, motivadas por uma visão equívoca do mundo. No conto, o inquisidor impede um infeliz e torturado prisioneiro de fugir da condenação divina que aguardava seu corpo, lamentando mesmo e amorosamente (sim, amorosamente) que o homem não tenha entendido e aceito, no fim da vida, o pecado que cometia ao não abdicar do judaísmo e a punição que mereceria por tão vil atitude. Na ilha-prisão de Cuba, não há porque duvidar que muita gente (esfriamento ideológico e doble moral de lado) realmente lamentou pelos homens terem se atirado ao mar e, amorosamente, se vê disposta a protegê-los de si mesmos e das mentiras em que acreditam.
"Indagado se a decisão fortalece a OEA, o presidente afirmou que mais do que fortalecer a entidade, a revogação da suspensão ao país caribenho foi um ato em que 'prevaleceu o bom senso', porque 'ninguém mais conseguia explicar, ninguém mais conseguia entender'.De acordo com o presidente, o período em que Cuba foi 'o patinho feio' acabou, e isso 'foi bom para o mundo'".
Isso é o Presidente Lula, falando dessa feita sobre o fim da suspensão que impedia a ditadura comunista cubana de ingressar na OEA. Para nosso digníssimo molusco-em-chefe, ninguém entende(olha a arrogância aí: ninguém, absolutamente ninguém entende o que ele não entende, justifica o que ele considera injustificável), ninguém consegue explicar porque Cuba permanecia excluída da OEA. Na fala do presidente, a situação parece beirar o surreal: a exclusão da Ilha dos(updated) Drs.Castro não teria explicação alguma, seria - ainda que não explicitado - mera birra estadounidense, mais uma (dentre incontáveis birras!) desse país imperialista e malvado que, veja só, forçaria a ausência de um país irmão em fórum de deliberação política tão fundamental para os povos de nuestra America.
Mas faltou combinar com o acaso, esse reacionário: menos de 24 após a declaração do Ungido de Caetés, o governo cubano prendeu em espetacular operação marítima um grupo de proletários desesperados que tentavam escapar das revolucionárias conquistas da república popular do povo socialista, possivelmente instigados pela incessante propaganda contra-revolucionária do Império vizinho. As fotos são reveladoras: tão intelectual e emocionalmente subjugado pelas promessas do consumismo febril e antiecológico do Tio Sam maligno, um iludidíssimo servo da gleba caribenha chega a saltar alucinado em direção ao mar, mesmo após já estar absolutamente patente que eles foram, graças ao bom Marx, devidamente abalroados e inequivocamente capturados pelos diligentes tentáculos da pátria-mãe gentil.
Tragicômico à parte, ficam as perguntas: é realmente possível ignorar imagens dessas com cinismo, disfarçá-las com ideologia? É realmente preciso ser liberal - ou conservador ou, genericamente falando, em algum grau anti-esquerdista - para se chocar com a visão do homem cubano atirando-se enlouquecidamente ao mar, pensando sabe-se lá o que, temendo sabe-se lá que castigo? É realmente possível não perceber que essas pessoas não são - e a discussão sobre políticas imigratórias fica para depois - cidadãos sendo presos por país que quer impedi-los, por algum motivo, de entrar em seu território - mas sim indivíduos sendo capturados em alto-mar e levados à força, qual escravos mesmo, para um pedaço de terra que decidiram voluntariamente abandonar, arriscando sobre isopôr ridículo as próprias vidas? Podemos de fato acreditar que o Presidente da República Federativa do Brasil, limitações culturais à parte, não consiga sequer sentir aquilo que a média da humanidade sente, quase que imediatamente, quando contempla cena tão inacreditável, tão reveladora do drama e do horror da vida em um país-prisão?
Realmente: ninguém consegue explicar, ninguém consegue entender.
PS - Dificultando ao máximo a emigração de seus cidadãos, o governo cubano só faz acompanhar a política de países comunistas congêneres, de ontem e de hoje - antes um Muro de Berlim, atualmente uma polícia costeira a catar balseros que fraquejam e traem a revolução. Por trás de tanto zelo, muita realpolitik: a saída voluntária do socialismo em construção rumo à exploração capitalista seria (e de fato foi, mesmo que restrita a um mínimo por muros, cercas, fuzilamentos) um dano enorme para as ditaduras de partido único, constituindo uma legião de dissidentes no mais das vezes enormemente dispostos a falar o quanto sofriam sob o comunismo e usufruir das benesses do sistema econômico condenado pela História. Mas há algo mais ideológico por trás da coisa: como nos mostra o excelente texto A Tortura pela Esperança, do nobre(em mais de um sentido) contista francês Villiers de L'Isle-Adam, o ideólogo - no conto dele, um inquisidor católico; discutimos depois se catolicismo é ideologia - é antes de tudo alguém que está tão absolutamente certo de possuir uma verdade suprema ignorada pelos demais que entre suas atividades se propõe, talvez principalmente, a proteger todo e qualquer ente ainda ignorante da Revelação de seus próprios pecados, de suas próprias falsas escolhas, motivadas por uma visão equívoca do mundo. No conto, o inquisidor impede um infeliz e torturado prisioneiro de fugir da condenação divina que aguardava seu corpo, lamentando mesmo e amorosamente (sim, amorosamente) que o homem não tenha entendido e aceito, no fim da vida, o pecado que cometia ao não abdicar do judaísmo e a punição que mereceria por tão vil atitude. Na ilha-prisão de Cuba, não há porque duvidar que muita gente (esfriamento ideológico e doble moral de lado) realmente lamentou pelos homens terem se atirado ao mar e, amorosamente, se vê disposta a protegê-los de si mesmos e das mentiras em que acreditam.
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quarta-feira, 6 de maio de 2009
Justiça feita: estátua de Che Guevara na Áustria é atacada
Do UOL Notícias:
Uma boa notícia como raramente se vê em nosso blog e qualquer outro que esteja "do lado de cá da civilização", como costuma dizer Reinaldo Azevedo. A estátua do busto de Che Guevara em Viena, Áustria, teve o seu nariz arrancado e ainda recebeu a placa com os seguintes dizeres: "Ernesto Che Guevara - 1928 - 1967 - Terrorista".
Como era de se esperar, houve reações. Os governos de Cuba e Bolívia chamaram o ato de fascista, como de praxe. Mas talvez impressione mais o fato de o próprio UOL Notícias chamar o ato de vandalismo. Para eles deve ser realmente coisa feia macular a memória do comandante do primeiro campo de concentração das Américas, que executava pessoalmente prisioneiros amarrados (alguns dos quais tinham cometido o terrível crime de furtar pedaços de pão) e toda vez que os sacrificava no altar da revolução dizia-se ele mesmo o sacrificado.
Uma boa notícia como raramente se vê em nosso blog e qualquer outro que esteja "do lado de cá da civilização", como costuma dizer Reinaldo Azevedo. A estátua do busto de Che Guevara em Viena, Áustria, teve o seu nariz arrancado e ainda recebeu a placa com os seguintes dizeres: "Ernesto Che Guevara - 1928 - 1967 - Terrorista".
Como era de se esperar, houve reações. Os governos de Cuba e Bolívia chamaram o ato de fascista, como de praxe. Mas talvez impressione mais o fato de o próprio UOL Notícias chamar o ato de vandalismo. Para eles deve ser realmente coisa feia macular a memória do comandante do primeiro campo de concentração das Américas, que executava pessoalmente prisioneiros amarrados (alguns dos quais tinham cometido o terrível crime de furtar pedaços de pão) e toda vez que os sacrificava no altar da revolução dizia-se ele mesmo o sacrificado.
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segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009
Libertas quae sera tamen: pugilista cubano do Pan 2007 consegue alforria
Do UOL Esporte:
Guillermo Rigondeaux, um dos dois boxeadores cubanos que haviam fugido da delegacia cubana nos Jogos Panamericanos de 2007, no Rio de Janeiro, finalmente conseguiu fugir do cárcere insular e está em Miami, nos EUA. O outro, Erislandy Lara, havia conseguido a alforria em junho do ano passado, quando fugiu para a Alemanha. Ambos fugiram pelo México.
Guillermo Rigondeaux, um dos dois boxeadores cubanos que haviam fugido da delegacia cubana nos Jogos Panamericanos de 2007, no Rio de Janeiro, finalmente conseguiu fugir do cárcere insular e está em Miami, nos EUA. O outro, Erislandy Lara, havia conseguido a alforria em junho do ano passado, quando fugiu para a Alemanha. Ambos fugiram pelo México.
quinta-feira, 1 de janeiro de 2009
Os crimes de Fidel Castro e Che Guevara
Os cinquenta anos da Revolução Cubana têm sido lembrados na maioria das vezes com a omissão dos crimes de Fidel Castro e Che Guevara. Ainda há no Brasil muitos admiradores de tais figuras, que oprimiram de forma terrível o povo cubano. Certas informações sobre a ditadura cubana publicadas na Internet deveriam ser mais divulgadas. Estes são alguns textos e vídeos que revelam o mal causado por Fidel e Guevara: Vida y muerte de Fidel (Carlos Alberto Montaner), La máquina de matar (Álvaro Vargas Llosa), Las torturas de Castro, Los muertos de Castro e Guevara: anatomía de un mito.
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quinta-feira, 25 de dezembro de 2008
Humor: guia turístico para conhecer a ilha de Cuba
Neste começo de férias de verão, a procura por pacotes de viagens intensifica-se, e a busca por localidades aprazíveis e ao mesmo tempo em conta pode se tornar bem difícil. Com isto em mente, o Blog transcreve um roteiro turístico criado pelo Casseta & Planeta para quem quer conhecer a república socialista ilhada ou, como os Cassetas a chamam, a "Paquetá do Caribe".
Cuba Maravilhosa
Vovô Chico Buarque leva você para a Ilha de Fidel!
(trecho do livro "A volta ao mundo de Casseta & Planeta", de 1996)
Saída
Concentração popular na casa do Vovô Chico. Início da carreata em direção ao aeroporto. O companheiro genro Carlinhos Brown vai na Kombi da frente, batucando na lataria. Parada para almoço na churrascaria Boizão. É aconselhavel se empanturrar, porque durante nossa estadia em Cuba, teremos duas refeições por dia: uma por lance e outra por sorteio [*]. Embarque num Caravelle da Suriname Airlines e seqüestro do avião com desvio para Cuba.
Primeiro dia
Chegada no aeroporto de Havana. Dia livre para ouvir o discurso de 19 horas de Fidel Castro desejando boas-vindas aos visitantes.
Segundo dia
Visita à réplica da múmia de Che Guevara. A verdadeira está fazendo uma turnê vitoriosa no circo do Beto Carrero. Visita à Clínica de Recuperação de Homossexuais em Sierra Maestra. É favor não dar comida às bichas.
Terceiro dia
Visita ao Cemitério dos Homossexuais Que Não Se Recuperaram em Sierra Maestra. Tarde livre para visita aos motéis populares com cine-estatizê, camas redondas coletivizadas e retrato do Fidel no teto. À noite, show com o comediante Fidel Castrinho e seu impressionante número com charutos de duplo-sentido (de fora pra dentro e vice-versa).
Quarto dia
Visita ao Canavial Central de Cuba. O visitante só poderá voltar ao hotel depois de cortar quatro toneladas de cana.
Quinto dia
Visita ao canteiro de obras do Rumbódromo que ficará pronto ainda este ano para o desfile das tradicionais escolas de rumba. Tarde livre (mas seguida de perto por dois agentes do serviço secreto) para conhecer o parque de diversões Castrolândia e passear na montanha-russa, antiga montanha soviética.
Sexto dia
Fuga para Miami.
Sétimo, oitavo, nono, décimo, décimo primeiro e décimo terceiro dias
Semana livre para visitar os shopping centers de Miami e encher o rabo de bugigangas imperialistas. Inclusive um relógio digital Casio MX-K12, waterproof, com alarme e cronômetro, para contar os minutos finais do capitalismo.
*Nota do blogueiro: graças à abertura econômica nos últimos tempos, já é possível ao cubano médio ter uma terceira refeição no dia: esta, por concurso público.
Cuba Maravilhosa
Vovô Chico Buarque leva você para a Ilha de Fidel!
(trecho do livro "A volta ao mundo de Casseta & Planeta", de 1996)
Saída
Concentração popular na casa do Vovô Chico. Início da carreata em direção ao aeroporto. O companheiro genro Carlinhos Brown vai na Kombi da frente, batucando na lataria. Parada para almoço na churrascaria Boizão. É aconselhavel se empanturrar, porque durante nossa estadia em Cuba, teremos duas refeições por dia: uma por lance e outra por sorteio [*]. Embarque num Caravelle da Suriname Airlines e seqüestro do avião com desvio para Cuba.
Primeiro dia
Chegada no aeroporto de Havana. Dia livre para ouvir o discurso de 19 horas de Fidel Castro desejando boas-vindas aos visitantes.
Segundo dia
Visita à réplica da múmia de Che Guevara. A verdadeira está fazendo uma turnê vitoriosa no circo do Beto Carrero. Visita à Clínica de Recuperação de Homossexuais em Sierra Maestra. É favor não dar comida às bichas.
Terceiro dia
Visita ao Cemitério dos Homossexuais Que Não Se Recuperaram em Sierra Maestra. Tarde livre para visita aos motéis populares com cine-estatizê, camas redondas coletivizadas e retrato do Fidel no teto. À noite, show com o comediante Fidel Castrinho e seu impressionante número com charutos de duplo-sentido (de fora pra dentro e vice-versa).
Quarto dia
Visita ao Canavial Central de Cuba. O visitante só poderá voltar ao hotel depois de cortar quatro toneladas de cana.
Quinto dia
Visita ao canteiro de obras do Rumbódromo que ficará pronto ainda este ano para o desfile das tradicionais escolas de rumba. Tarde livre (mas seguida de perto por dois agentes do serviço secreto) para conhecer o parque de diversões Castrolândia e passear na montanha-russa, antiga montanha soviética.
Sexto dia
Fuga para Miami.
Sétimo, oitavo, nono, décimo, décimo primeiro e décimo terceiro dias
Semana livre para visitar os shopping centers de Miami e encher o rabo de bugigangas imperialistas. Inclusive um relógio digital Casio MX-K12, waterproof, com alarme e cronômetro, para contar os minutos finais do capitalismo.
*Nota do blogueiro: graças à abertura econômica nos últimos tempos, já é possível ao cubano médio ter uma terceira refeição no dia: esta, por concurso público.
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segunda-feira, 8 de dezembro de 2008
Entre coentro e Balzac, a liberdade
Plantando seus próprios temperos e ciceroneando turistas festivos, a filóloga e blogueira Yoani Sánchez sobrevive (e resiste) na Cuba dos irmãos Castro. Trecho de livro a ser lançado, o texto fala quase nada sobre o famoso e constantemente premiado blog, mas apresenta um curto e competente esboço biográfico - revelando parte do heroísmo cotidiano a inspirar os posts que tanto incomodam o infindável outono do patriarca.
terça-feira, 7 de outubro de 2008
Cuba de acordo com os cubanos
Change in Cuba, relatório da Freedom House, trata da situação atual e do futuro de Cuba por meio de entrevistas com cubanos. Há duas versões em pdf, uma em inglês, outra em espanhol.
quarta-feira, 10 de setembro de 2008
Rock against communism - and no fascist too
Em sua mais recente peça, o dramaturgo conservador(ou libertário?) Tom Stoppard - já mencionado nesse blog - faz um retrato da Tchecoslováquia comunista a partir de dois jovens dissidentes, um deles amante da então reprimida cena rock local. Ler a resenha de Michael Weiss sobre a peça é especialmente oportuno nos dias que correm, quando o roqueiro cubano Gorki Avila mostra mais uma vez como a música pode ser incômoda para um regime autoritário.
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quinta-feira, 28 de agosto de 2008
Gulag tropical
Um pouco sobre a vida de Armando Valladares, escritor cubano que passou 22 anos como prisioneiro político na ilha do Dr.Castro - acusado apenas de ser "potencialmente perigoso" à Revolução. Destaco a dificuldade que a sra.Valladares teve ao tentar chamar a atenção da comunidade internacional para o drama que viveram seu marido e outros tantos prisioneiros do regime comunista; qualquer semelhança com as esfuziantes loas que ouvimos recentemente ao regime chinês não é mera coincidência...
quarta-feira, 27 de agosto de 2008
quarta-feira, 30 de julho de 2008
terça-feira, 15 de julho de 2008
sexta-feira, 13 de junho de 2008
Prison Break
No dia 22 de julho de 2007, o boxeador cubano Erislandy Lara abandonou a delegação de seu país no Pan-Americano do Rio. Menos de um mês depois, o atleta e outro companheiro (Guillermo Rigondeaux, que também havia abandonado a delegação com ele) foram presos e enviados de volta à Cuba pela Polícia Federal brasileira, em episódio que incluiu até declarações arrependidas dos atletas - já devidamente presos, evidentemente.
Agora, quase um ano depois, o suposto arrependimento de Erislandy parece ter fenecido. O boxeador fugiu novamente da ilha-prisão e (longe da nossa diligente PF) parece que agora conseguirá seu intento inicial, lutar profissionalmente na Alemanha.
Boa sorte ao rapaz. Que a Alemanha se mostre mais decente que as nossas autoridades moluscas.
Agora, quase um ano depois, o suposto arrependimento de Erislandy parece ter fenecido. O boxeador fugiu novamente da ilha-prisão e (longe da nossa diligente PF) parece que agora conseguirá seu intento inicial, lutar profissionalmente na Alemanha.
Boa sorte ao rapaz. Que a Alemanha se mostre mais decente que as nossas autoridades moluscas.
sábado, 7 de junho de 2008
Entrevista com a blogueira cubana Yoani Sánchez
Entrevista da revista Veja com a blogueira cubana Yoani Sánchez, cujo trabalho já foi comentado nesse blog.
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