Em sua edição de ontem, o site Estadão - portal que congrega O Estado de São Paulo e outros órgãos do mesmo grupo, incluindo conteúdo exclusivo para a internet - publicou entrevista com Juliano Torres, presidente nacional do LIBER - partido brasileiro em formação que defende uma diminuição profunda do Estado ou mesmo (há pluralidade no movimento) a extinção absoluta desse ente político, cuja existência tanto se naturaliza por aí. Em breve possuidor de um registro civil, o partido tem como desafio mais imediato a obtenção das 500 mil assinaturas (em pelo menos nove estados) que lhe permitirão participar efetivamente das eleições brasileiras, apresentando candidatos próprios.
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terça-feira, 21 de julho de 2009
quinta-feira, 28 de maio de 2009
Crítica da razão crítica
Qualquer um que já tenha suportado disciplinas de educação em universidade brasileira - ou que tenha cursado Pedagogia propriamente, valei-me o pai - sabe bem que o alfabetizador marxista Paulo Freire(1921-1997) domina absolutamente o campo, aparecendo como um espectro a governar imperioso os destinos dos infelizes vivos submetidos(por obrigação acadêmica ou vestibular mais acessível, não raramente) aos cuidados das suas nem sempre letradas sacerdotisas. Nesses ambientes fantasmáticos, cada e toda palavra da terrestre prosa freireana ganha status transcendente, através de dolorosas operações alquímicas que transformam em pérola embasbacante - o olhar da sacerdotisa é sempre de perpétua epifania - platitudes setentistas que caberiam, se tanto, em About Me de mocinha orkutiana (ao lado de um falso e edificante Shakespeare ou, melhor ainda, Veríssimo filho, tanto faz se verdadeiro) ou rodapé de agenda sindicalista. Pairando sobre a ciência séria(oh!), o freireanismo é o marxismo dos pobres, o gnosticismo roto relegado pela vanguarda do pensamento revolucionário às sãogonçalenses (estabeleça a equivalência para a sua aldeia) várias que se mostram contentes em desempenhar o papel a elas destinado na glosa revolucionária, aguardando animadas o dia em que poderão organizar semanas da consciência negra nos educandários da burguesia racista, excludente e mão aberta. Que tudo isso seja brasílico, só constatação desassombrada; saber do fenômeno também na terra do Obama, por outro lado, é de despertar os maiores decadentismos no mais plácido Pangloss - e é exatamente essa nada auspiciosa informação que trazemos aqui para o nosso eventual leitor, através de excelente texto da sempre impressionante City Journal, a melhor revista high brow em língua inglesa desde sabe-se lá que prisca e idealizada era.
No texto em questão, o sempre solar articulista Sol Stern acompanha rapidamente a importância pregressa e atual de Freire nos cursos norte-americanos de educação e ataca competentemente a tosquíssima teoria(?) pedagógica(??) do comunista pernambucano, mostrando que ela é, antes de tudo - ou mesmo tão e somente - uma prática de doutrinação intelectual, no sentido mais vil e desonesto que a expressão pode comportar. Ao apontar(nos anos 60 e 70 do século passado, já sem originalidade qualquer) um caráter inequivocamente classista na educação das modernas sociedades capitalistas, Freire não faz outra coisa que não pregar a sua substituição por um modelo supostamente crítico, que pretende formar uma consciência autônoma em oposição à imposição da cultura hegemônica capitalista via escolas e universidades - ou seja, é um projeto político disfarçado(ou nem isso: toda educação é política) de processo educacional libertador, libertário. Não por acaso, os professores que se dedicam a aplicá-lo - Stern é pródigo em exemplos, o Brasil mais ainda - acabam sempre recaindo, com mais ou menos rapapés e pretensões científicas, em proselitismo que não vai além de um panfletário socialism(o que quer que isso ainda signifique) is good, capitalism is bad. Qual a diferença disso para a educação burguesa? Ora, é óbvio: socialism is good, capitalism is bad - logo, ensinar isso para um aluno é bom, ensinar o contrário (ou uma terceira ou quarta alternativa) é ruim; e isso são Freire, freireanos e a maior contribuição brasileira à educação estadounidense. Como diria um pedagogo sem preconceito linguístico, É NÓIS!
sábado, 7 de março de 2009
Ministério Público, um encosto federal
Você acredita que sacrificar animais, despachar baixas gastronomias pelos cantos da urbe e conclamar finados de moral controversa para desígnios duvidosos não são exatamente coisas espiritualmente engrandecedoras? Acha que um ente chamado Zé Pilintra está mais para etílico mineiro que entidade sobrenatural benfazeja? Recusa-se a enxergar honestidade em adultos protagonizando sacudidelas e saltitos entremeados por urros, infantilismos vocais e batucadas - e sem abadás ou Ivete Sangalo nas proximidades? Cuidado: no Brasil de Molusco e no mundo de Barack, você pode estar cometendo um crime - e em não muito tempo talvez seja tratado por aqui tal qual um molecote revisionista gaúcho pego alimentando um site neonazi qualquer.
Na última quinta-feira, o sempre atuante (que orgulho...) Ministério Público Federal decidiu dar mais um passo na sua gloriosa e já ancestral luta contra os horrores da liberdade de expressão que insistem em se manifestar - qual sobrenaturais zombeteiros - na nossa viçosa terra papagalli: o ilibado órgão defensor de todos nós entrou com uma ação na Justiça contra as redes de tv Record e Gazeta, que exibem programas da Igreja Universal acusados de ofenderem religiões de origem africana - incluindo malignas associações dessas manifestações religiosas com, vejam vocês, termos como "feitiçaria" e "macumba", depreciações notoriamente alheias a essas práticas afro-descendentes. Como pena por tão atrozes comentários, o MPF exige que as redes paguem 13,6 (Record) e 2,4(Gazeta) milhões de reais - além de multas diárias de mais 10 mil dinheiros se insistirem em veicular as tais mensagens inaceitáveis.
Não tenho qualquer simpatia pela igreja do Sr.Macedo, a mais famosa filha do Méier - muito pelo contrário, abomino a sua doutrina da prosperidade e suas consequências (ainda a serem melhor estudadas, tema fundamental e negligenciado) aparentes sobre a população deslumbrada e ignaríssima que compõe a principal clientela do Templo; em mais de um sentido, a bem-sucedida máquina de fazer dinheiro e eleger políticos da Av.Suburbana me parece desde sempre perigo infinitamente maior ao futuro das liberdades no Brasil que as minguantes fileiras das religiões de matriz africana, Átila Nunes à parte. Apesar disso, não tenho como ceder à tentação e trair os princípios desse blog (e meus também, principalmente) e negar à Universal e aos seus bispos o direito de falarem o que bem entenderem sobre as religiões dos orixás, caboclos e quejandos - direito que não anula, antes protege, o direito de resposta daqueles supostamente ofendidos. É da própria natureza das religiões salvíficas (e a precária teologia da Universal é derivação de uma delas, por tosca que seja) assumirem exclusivismos e identificarem como inimigas as crenças (não os fiéis, necessariamente) concorrentes, exclusivistas ou não - e o grau de civilidade com o qual esses repúdios são apresentados é sempre resultado de equação complexa, a ser desvendada por sociólogos, historiadores, teólogos e assemelhados, não uma questão a demandar mediação de ente estatal qualquer.
Ao defender uma (mais uma) restrição aos direitos de expressão baseando-se no politicamente correto e em uma visão new wave do fenômeno religioso, o Ministério Público Federal protagoniza - talvez ainda mais do que Macedo e os dele - uma macabra e perigosíssima dança do capiroto sobre o futuro do Brasil.
Na última quinta-feira, o sempre atuante (que orgulho...) Ministério Público Federal decidiu dar mais um passo na sua gloriosa e já ancestral luta contra os horrores da liberdade de expressão que insistem em se manifestar - qual sobrenaturais zombeteiros - na nossa viçosa terra papagalli: o ilibado órgão defensor de todos nós entrou com uma ação na Justiça contra as redes de tv Record e Gazeta, que exibem programas da Igreja Universal acusados de ofenderem religiões de origem africana - incluindo malignas associações dessas manifestações religiosas com, vejam vocês, termos como "feitiçaria" e "macumba", depreciações notoriamente alheias a essas práticas afro-descendentes. Como pena por tão atrozes comentários, o MPF exige que as redes paguem 13,6 (Record) e 2,4(Gazeta) milhões de reais - além de multas diárias de mais 10 mil dinheiros se insistirem em veicular as tais mensagens inaceitáveis.
Não tenho qualquer simpatia pela igreja do Sr.Macedo, a mais famosa filha do Méier - muito pelo contrário, abomino a sua doutrina da prosperidade e suas consequências (ainda a serem melhor estudadas, tema fundamental e negligenciado) aparentes sobre a população deslumbrada e ignaríssima que compõe a principal clientela do Templo; em mais de um sentido, a bem-sucedida máquina de fazer dinheiro e eleger políticos da Av.Suburbana me parece desde sempre perigo infinitamente maior ao futuro das liberdades no Brasil que as minguantes fileiras das religiões de matriz africana, Átila Nunes à parte. Apesar disso, não tenho como ceder à tentação e trair os princípios desse blog (e meus também, principalmente) e negar à Universal e aos seus bispos o direito de falarem o que bem entenderem sobre as religiões dos orixás, caboclos e quejandos - direito que não anula, antes protege, o direito de resposta daqueles supostamente ofendidos. É da própria natureza das religiões salvíficas (e a precária teologia da Universal é derivação de uma delas, por tosca que seja) assumirem exclusivismos e identificarem como inimigas as crenças (não os fiéis, necessariamente) concorrentes, exclusivistas ou não - e o grau de civilidade com o qual esses repúdios são apresentados é sempre resultado de equação complexa, a ser desvendada por sociólogos, historiadores, teólogos e assemelhados, não uma questão a demandar mediação de ente estatal qualquer.
Ao defender uma (mais uma) restrição aos direitos de expressão baseando-se no politicamente correto e em uma visão new wave do fenômeno religioso, o Ministério Público Federal protagoniza - talvez ainda mais do que Macedo e os dele - uma macabra e perigosíssima dança do capiroto sobre o futuro do Brasil.
terça-feira, 4 de novembro de 2008
Governo cria regras para se preparar caipirinhas
Da redação do Terra.
A União, preocupadíssima com a saúde dos apreciadores daquela que "passarinho não bebe" (incluindo aí seu atual Chefe, que a consome aos galões), lançou no Diário Oficial uma série de regras para se fazer uma caipirinha. Entre outras coisas, ela dita qual é o teor alcoolico permitido e proibe a adição de corantes. Semelhantes regras também foram estabelecidas para a produção de licores, batidas, bebidas mistas e aguardentes compostos.
A União, preocupadíssima com a saúde dos apreciadores daquela que "passarinho não bebe" (incluindo aí seu atual Chefe, que a consome aos galões), lançou no Diário Oficial uma série de regras para se fazer uma caipirinha. Entre outras coisas, ela dita qual é o teor alcoolico permitido e proibe a adição de corantes. Semelhantes regras também foram estabelecidas para a produção de licores, batidas, bebidas mistas e aguardentes compostos.
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sexta-feira, 31 de outubro de 2008
Projeto de lei no Senado pode vetar meia-entrada durante finais de semana
A reportagem é de Claudia Andrade, do UOL Notícias.
O Senado Federal discute um projeto de lei que poderá vetar a meia-entrada em cinemas durante finais de semana e feriados nacionais e locais e em teatros, shows e outros eventos de quintas a sábados. O veto valerá tanto para estudantes quanto para idosos. O projeto estabelece ainda uma carteirinha de identificação única e padronizada em todo o Território Nacional e um "Conselho Nacional de Fiscalização, Controle e Regulamentação da meia-entrada e da identidade estudantil" e revoga a MP 2.208/2001, que tirava das entidades representativas dos estudantes a exclusividade na emissão de carteirinhas.
Comentário:
Como vocês lerão ao longo do artigo, há uma enorme discussão em torno do projeto. Mas toda ela parte de uma das premissas mais infantís criadas pela esquerda em todos os tempos: a de que todos ou alguns politicamente mais interessantes têm o direito sacrossanto de se divertir e que ele está infinitamente acima do direito daqueles que produzem o entretenimento de cobrar o valor que considerem justo.
Então, em vez de simplesmente deixar que a concorrência entre salas de cinema, boates, shows, teatros, museus e afins ajuste de forma natural e consistente os preços a níveis viáveis para quem produz e atraentes para quem consome, gerando um ciclo virtuoso que a longo prazo aumenta o número e a qualidade das opções de lazer e expande a freguesia, faz-se decretos artificiosos para atender as demandas de uma burocracia faminta por mais cabides, um empresariado ávido por "incentivos" e políticos sedentos de mais poder sobre a sociedade e a economia.
Enquanto isso, a proliferação destas leis inúteis inibe a criação de leis verdadeiramente necessárias e debilita a aplicação das que já existem. Assim, caros leitores, enquanto parlamentares, lideranças estudantis de araque e produtores culturais movem montanhas para assegurar o seu direito de não pagar do seu próprio bolso todo o valor do cinema, do show ou da "balada", o seu direito de não ser assaltado, furtado, estuprado, seqüestrado ou assassinado na ida ou na volta da "boa do fim de semana" é posto em segundo plano.
O Senado Federal discute um projeto de lei que poderá vetar a meia-entrada em cinemas durante finais de semana e feriados nacionais e locais e em teatros, shows e outros eventos de quintas a sábados. O veto valerá tanto para estudantes quanto para idosos. O projeto estabelece ainda uma carteirinha de identificação única e padronizada em todo o Território Nacional e um "Conselho Nacional de Fiscalização, Controle e Regulamentação da meia-entrada e da identidade estudantil" e revoga a MP 2.208/2001, que tirava das entidades representativas dos estudantes a exclusividade na emissão de carteirinhas.
Comentário:
Como vocês lerão ao longo do artigo, há uma enorme discussão em torno do projeto. Mas toda ela parte de uma das premissas mais infantís criadas pela esquerda em todos os tempos: a de que todos ou alguns politicamente mais interessantes têm o direito sacrossanto de se divertir e que ele está infinitamente acima do direito daqueles que produzem o entretenimento de cobrar o valor que considerem justo.
Então, em vez de simplesmente deixar que a concorrência entre salas de cinema, boates, shows, teatros, museus e afins ajuste de forma natural e consistente os preços a níveis viáveis para quem produz e atraentes para quem consome, gerando um ciclo virtuoso que a longo prazo aumenta o número e a qualidade das opções de lazer e expande a freguesia, faz-se decretos artificiosos para atender as demandas de uma burocracia faminta por mais cabides, um empresariado ávido por "incentivos" e políticos sedentos de mais poder sobre a sociedade e a economia.
Enquanto isso, a proliferação destas leis inúteis inibe a criação de leis verdadeiramente necessárias e debilita a aplicação das que já existem. Assim, caros leitores, enquanto parlamentares, lideranças estudantis de araque e produtores culturais movem montanhas para assegurar o seu direito de não pagar do seu próprio bolso todo o valor do cinema, do show ou da "balada", o seu direito de não ser assaltado, furtado, estuprado, seqüestrado ou assassinado na ida ou na volta da "boa do fim de semana" é posto em segundo plano.
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sábado, 25 de outubro de 2008
Mais anti-tabagismo: senadores divergem sobre como aniquilar a liberdade de fumantes e estabelecimentos
A reportagem de Claudia Andrade, do UOL Notícias.
Nesta quarta, a Comissão de Constituição e Justiça do Senado Federal discutiu mudanças na maldita Lei 9.294, de 1996, que proibe o fumo em locais públicos fechados que não sejam designados para tal e que estejam devidamente isolados e arejados (???).
O senador Tião Viana (PT-AC) quer a proibição total, sem que seja feita qualquer exceção, o que já está em vigor no Estado de São Paulo, em função de lei estadual proposta pelo governador José Serra. Já Romero Jucá (PMDB-RR) propõe um pequeno alívio, excluíndo da proibição ambientes que não sejam voltados à saúde ou à educação que tenham áreas abertas como varandas, calçadas e terraços e permitindo em locais fechados áreas de fumantes que ocupem até 30% da área total, com a condição de que estejam fisicamente isoladas e possuam exaustão adequada.
Antes que alguém queira elogiar Jucá, um aviso: o que ele propõe dá basicamente no mesmo resultado da proposta do petista. O tabagismo é criminalizado, os fumantes se tornam cidadãos de segunda categoria, semelhantes aos judeus na Alemanha nazista, e os estabelecimentos privados já não são mais donos do seu próprio espaço.
Isto é ainda mais irritante porque quem discute isso são parlamentares de confins do País que nem deveriam ter sido transformados em estados da União. Dito de outra maneira: este "pacto federativo" bêbado e torto, que em outros países já teria provocado guerras civís sangrentas, faz com que as liberdades de milhões de pessoas no país inteiro estejam nas mãos de representantes de uns poucos milhares.
Veja ainda em nosso blog sobre o anti-tabagismo:
Nesta quarta, a Comissão de Constituição e Justiça do Senado Federal discutiu mudanças na maldita Lei 9.294, de 1996, que proibe o fumo em locais públicos fechados que não sejam designados para tal e que estejam devidamente isolados e arejados (???).
O senador Tião Viana (PT-AC) quer a proibição total, sem que seja feita qualquer exceção, o que já está em vigor no Estado de São Paulo, em função de lei estadual proposta pelo governador José Serra. Já Romero Jucá (PMDB-RR) propõe um pequeno alívio, excluíndo da proibição ambientes que não sejam voltados à saúde ou à educação que tenham áreas abertas como varandas, calçadas e terraços e permitindo em locais fechados áreas de fumantes que ocupem até 30% da área total, com a condição de que estejam fisicamente isoladas e possuam exaustão adequada.
Antes que alguém queira elogiar Jucá, um aviso: o que ele propõe dá basicamente no mesmo resultado da proposta do petista. O tabagismo é criminalizado, os fumantes se tornam cidadãos de segunda categoria, semelhantes aos judeus na Alemanha nazista, e os estabelecimentos privados já não são mais donos do seu próprio espaço.
Isto é ainda mais irritante porque quem discute isso são parlamentares de confins do País que nem deveriam ter sido transformados em estados da União. Dito de outra maneira: este "pacto federativo" bêbado e torto, que em outros países já teria provocado guerras civís sangrentas, faz com que as liberdades de milhões de pessoas no país inteiro estejam nas mãos de representantes de uns poucos milhares.
Veja ainda em nosso blog sobre o anti-tabagismo:
domingo, 19 de outubro de 2008
Democracia à brasileira (2)
E os togados do TRE continuam a tutelar o eleitor carioca: na tarde de anteontem, fiscais do tribunal apreenderam mais 12 mil panfletos contra a candidatura do verde Fernando Gabeira à prefeitura do Rio. Dessa vez, os santinhos sequer eram apócrifos: traziam as legendas de PT, PDT, PSB e PCdoB - e pelo menos os petistas assumiram a autoria da propaganda. Mas nem isso parece suficiente para nossos zelosos guardiões: segundo declaração de promotor, todo material eleitoral que não informar clara e explicitamente "que candidato pretende beneficiar" corre o risco de ser censurado. É a sempre impressionante aposta do Estado na imbecilidade mais profunda da plebe rude e ignara, que sequer seria capaz de identificar a quem interessa hoje uma ação desse porte contra Gabeira.
Brasil 2, Estados Unidos 0...
Brasil 2, Estados Unidos 0...
quarta-feira, 15 de outubro de 2008
Democracia à brasileira
Há de tudo nas eleições presidenciais norte-americanas de 2008: o candidato republicano John McCain é acusado de corrupção, racismo, infidelidade conjugal, aliança macabra com o imperialismo judeu - e muito mais; seu principal rival, o democrata Barack Obama, também é acusado de corrupção e racismo - e, vejam só, de infidelidade conjugal e de ser um títere nas mãos dos malditos e ultra-poderosos sionistas, embora a gente(?) saiba que na verdade ele é um criptoislâmico pronto para destruir sutilmente o liberalismo ianque. É assim que funciona a mais antiga e forte democracia do mundo: qualquer um fala e escreve o que bem (ou mal) entende sobre os candidatos e sobre suas posições políticas, religiosas ou sexuais - e cabe apenas a cada eleitor definir o que é digno de crédito ou não, selecionando como quiser seus produtos preferidos em um verdadeiro livre-mercado de idéias.
Enquanto isso, o nosso querido TRE carioca se rejubilou nessa quinta-feira por ter conseguido apreender panfletos apócrifos contra o candidato Fernando Gabeira; os perigosíssimos textos anônimos o acusavam, veja só, de corrupção - o tipo de acusação que McCain e Obama respondem, ou procuram responder, naquele terrível Império do Mal ao Norte. Por aqui, comentários desse teor (por melhor fundamentados que estejam) cada vez mais resultam apenas em censura, direito de resposta ou... prisão. Nos EUA, é o eleitor (esse idiota!) quem julga o que é ou não razoável, o que é ou não sandice e maledicência; na terra macunaímica, togados sapientes protegem nossas massas ignaras - e definem o que elas podem julgar ou não...
Avançados nosotros, não? Nada como mais uma lição de democracia e liberdade para engrandecer o nosso moderníssimo pleito eleitoral. Ianques, don`t go home! Go to Brazil and learn some things...
Enquanto isso, o nosso querido TRE carioca se rejubilou nessa quinta-feira por ter conseguido apreender panfletos apócrifos contra o candidato Fernando Gabeira; os perigosíssimos textos anônimos o acusavam, veja só, de corrupção - o tipo de acusação que McCain e Obama respondem, ou procuram responder, naquele terrível Império do Mal ao Norte. Por aqui, comentários desse teor (por melhor fundamentados que estejam) cada vez mais resultam apenas em censura, direito de resposta ou... prisão. Nos EUA, é o eleitor (esse idiota!) quem julga o que é ou não razoável, o que é ou não sandice e maledicência; na terra macunaímica, togados sapientes protegem nossas massas ignaras - e definem o que elas podem julgar ou não...
Avançados nosotros, não? Nada como mais uma lição de democracia e liberdade para engrandecer o nosso moderníssimo pleito eleitoral. Ianques, don`t go home! Go to Brazil and learn some things...
segunda-feira, 22 de setembro de 2008
Revolução Cultural não acabou: como a China quer educar infratores de trânsito
Do Portal Imprensa. O governo de Shanghai pretende resolver seus problemas de trânsito expondo os infratores à execração pública via reportagens de TV e jornais específicas para esse fim. A prática não difere em nada dos rituais de humilhação da Revolução Cultural, quando os "transviados" eram obrigados a vestir em público cartazes com dizeres do tipo "sou um porco capitalista reacionário" e depois eram devidamente linchados por estudantes semi-analfabetos enfurecidos (talvez pelo fato de não saberem ler o que estava escrito).
Típico raciocínio esquerdista, mas encontrado há mais tempo em países islâmicos: coibir qualquer desviozinho que seja pelo temor da humilhação, da chibata ou do confisco em vez de educar pelo bom exemplo, que definitivamente nenhum destes auto-nomeados governantes perpétuos da China jamais deu ou dará um dia.
É inevitável fazer um paralelo com a nossas leis de trânsito, especialmente a Lei Seca, que, também em nome da segurança e dos bons costumes, não apenas estragam o final de semana dos motoristas responsáveis e moderados como viola o direito básico que todos têm de não produzir provas contra a própria vontade, direito que de fato já não existe no Brasil e cuja inexistência a atual enxurrada de grampos ilegais revelados atesta.
Típico raciocínio esquerdista, mas encontrado há mais tempo em países islâmicos: coibir qualquer desviozinho que seja pelo temor da humilhação, da chibata ou do confisco em vez de educar pelo bom exemplo, que definitivamente nenhum destes auto-nomeados governantes perpétuos da China jamais deu ou dará um dia.
É inevitável fazer um paralelo com a nossas leis de trânsito, especialmente a Lei Seca, que, também em nome da segurança e dos bons costumes, não apenas estragam o final de semana dos motoristas responsáveis e moderados como viola o direito básico que todos têm de não produzir provas contra a própria vontade, direito que de fato já não existe no Brasil e cuja inexistência a atual enxurrada de grampos ilegais revelados atesta.
terça-feira, 22 de julho de 2008
domingo, 20 de julho de 2008
Um salva-vidas no jardim
Na cidade inglesa de Portsmouth, nem os bebês estão a salvo do Estado: os pequerruchos só podem brincar em suas piscinas infláveis supervisionados por um salva-vidas - e os pais ainda precisam contratar um seguro contra "acidentes de funcionamento". E a lei não parece ser uma infelicidade isolada: recentemente, o dramaturgo (e adulto) Tom Stoppard, presente na última Flip, também foi protegido de si mesmo - precisou contratar dois salva-vidas para recepcionar alguns convidados em torno do ameaçador lago que mantém em seu jardim.
Diante da declaração de Stoppard, o site Ordem Livre faz a pergunta que importa: a quem realmente interessa tamanha regulação? Quem nos dá uma dica é Aylton Gomes, o nobre político brasileiro que aprovou legislação semelhante para as nossas plagas: "O funcionário que ficará responsável pela segurança em piscinas e reservatórios de água,[sic] será formado em curso ministrado pelo Corpo de Bombeiros".
Ah, sim: Aylton Gomes é bombeiro militar do distrito federal.
Diante da declaração de Stoppard, o site Ordem Livre faz a pergunta que importa: a quem realmente interessa tamanha regulação? Quem nos dá uma dica é Aylton Gomes, o nobre político brasileiro que aprovou legislação semelhante para as nossas plagas: "O funcionário que ficará responsável pela segurança em piscinas e reservatórios de água,[sic] será formado em curso ministrado pelo Corpo de Bombeiros".
Ah, sim: Aylton Gomes é bombeiro militar do distrito federal.
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