Repetindo episódio outubrino divulgado nesse blog, policiais russos detiveram novamente manifestantes que, em referência ao 31º artigo da Constituição da Rússia, insistem em protestar todo dia 31 pelo cumprimento deste trecho - que trata do Direito de Reunião - e de todo o restante da Carta Magna daquele país. Dessa vez, as forças de segurança encarregadas de reprimir a intolerável balbúrdia oposicionista não pouparam sequer a veteraníssima Lyudmila Alexeyeva, militante octogenária que já padeceu enfrentando a ditadura soviética e hoje ainda encontra fôlego para desafiar nas ruas de Moscou o governo autoritário da dupla Putin/Medvedev.
quinta-feira, 31 de dezembro de 2009
quarta-feira, 23 de dezembro de 2009
Amazônia ilegal
O governo do Equador suspendeu ontem por 72 horas o sinal da rede de tv Teleamazonas, das principais vozes de oposição a Rafael Correa na mídia. O crime da emissora? Segundo comunicado do próprio Ministério das Comunicações daquele país, o canal foi punido por transmitir notícia considerada inverídica e socialmente perigosa pelo... Estado equatoriano, sempre protegendo diligentemente seus cidadãos das mentiras contrarevolucionárias difundidas pela maligna imprensa burguesa.
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terça-feira, 22 de dezembro de 2009
Paranóia anti-tabagista avança: Belo Horizonte quer proibir fumo até ao ar livre
Texto da Agencia Estado:
Os mineiros, cansados de ver o eixo Rio-São Paulo tomar a vanguarda em tudo, decidem dar um passo adiante na hipocondria e inovar na perseguição a fumantes: após a aprovação de lei estadual anti-tabagismo rigorosamente igual a que São Paulo, Rio de Janeiro e o resto do planeta já impuseram aos seus povos, a câmara municipal de Belo Horizonte aprovou lei que proíbe o fumo inclusive em espaços públicos abertos.
Os mineiros, cansados de ver o eixo Rio-São Paulo tomar a vanguarda em tudo, decidem dar um passo adiante na hipocondria e inovar na perseguição a fumantes: após a aprovação de lei estadual anti-tabagismo rigorosamente igual a que São Paulo, Rio de Janeiro e o resto do planeta já impuseram aos seus povos, a câmara municipal de Belo Horizonte aprovou lei que proíbe o fumo inclusive em espaços públicos abertos.
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segunda-feira, 21 de dezembro de 2009
We
Dono de uma kebaberia situada em frente ao famoso e histórico Hotel Soviético, o russo Aleksander Vanin decidiu renomear seu bem quisto estabelecimento moscovita a partir de uma simples oposição geográfica, aproveitando raciocínio então já consagrado entre os frequentadores habituais do local: adotando popular apelido cunhado pela clientela, Vanin há cerca de três meses passou a ser o feliz proprietário de um restaurante Antissoviético, brincadeira aparentemente inocente a misturar geografia com (imaginária) dissidência política. E foi a partir daí que seus problemas começaram, em mais um episódio da combinação entre fascismo, patriotismo e nostalgia dos tempos soviéticos que parece o elemento mais característico dessa já tristemente longeva Rússia putinesca.
Curiosidade nem tão lateral e desimportante assim: o nome da milícia coletivista ("Nashi", 'Nosso' em russo) que aparece atormentando um jornalista na crônica do Pompeu de Toledo é pronome possessivo da primeira pessoa do plural, "Nós" - simplesmente o título da clássica distopia totalitária concluída em 1921 por Yevgeny Zamiatin, em parte uma precoce crítica do regime comunista cujos horrores a Rússia atual tanto se esforça para relativizar.
Curiosidade nem tão lateral e desimportante assim: o nome da milícia coletivista ("Nashi", 'Nosso' em russo) que aparece atormentando um jornalista na crônica do Pompeu de Toledo é pronome possessivo da primeira pessoa do plural, "Nós" - simplesmente o título da clássica distopia totalitária concluída em 1921 por Yevgeny Zamiatin, em parte uma precoce crítica do regime comunista cujos horrores a Rússia atual tanto se esforça para relativizar.
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domingo, 20 de dezembro de 2009
Barbárie no Primeiro Mundo
A mutilação genital feminina ocorre não apenas em países atrasados. Imigrantes continuam a praticá-la na Europa. No Reino Unido, por exemplo, muitas mulheres são vítimas desse tipo de crime.
sábado, 19 de dezembro de 2009
Casando longe de casa
Vivendo em país que ainda desconhece a moderna instituição do casamento civil, judeus israelenses que têm a infelicidade de se apaixonarem por góis precisam sair da Terra Santa para contrair matrimônio, expediente que movimenta um nicho bastante específico do turismo naquela região do mundo - e que beneficia principalmente Chipre, país de maioria ortodoxa (grega) que realiza prosaicamente uniões de judeus e protestantes sob as bênçãos do Estado.
Como explicações últimas para esse absurdo, o caráter ainda nebuloso das relações entre religião e Estado em Israel e os interesses do fundamentalismo judaico: judeu só casa com judeu - e ponto. Direito dos barbudos, sem dúvida: desde que não queiram impedir (através da lei) que um casal apaixonado e menos limitado pense diferente e possa formalizar sua união sem que precise procurar por criativas soluções em áreas mais arejadas do Ocidente.
Como explicações últimas para esse absurdo, o caráter ainda nebuloso das relações entre religião e Estado em Israel e os interesses do fundamentalismo judaico: judeu só casa com judeu - e ponto. Direito dos barbudos, sem dúvida: desde que não queiram impedir (através da lei) que um casal apaixonado e menos limitado pense diferente e possa formalizar sua união sem que precise procurar por criativas soluções em áreas mais arejadas do Ocidente.
sexta-feira, 11 de dezembro de 2009
domingo, 6 de dezembro de 2009
Cabeça de Turco
Governo da Turquia propõe a criação de um serviço estatal de e-mails que associará cada cidadão do país a um endereço específico para correspondência vitual - aqueles nascidos após a implantação do projeto já viriam ao mundo com um correio eletrônico todo seu, inscrito na própria identidade do sujeito. Em jogo, a possibilidade das autoridades governamentais turcas terem acesso fácil e rápido a boa parte da comunicação travada na internet (logo, a boa parte da comunicação) pelos habitantes daquela nação islâmica.
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
Minority Report cubano
A organização não-governamental espanhola COLEGAS denunciou no começo desse mês mais um episódio no recrudescimento da perseguição a homossexuais em Cuba: repercutindo nota da cubana Fundação Reinaldo Arenas, o grupo espanhol acusa a ditadura castrista de ter condenado recentemente seis gays da ilha sob pretextos diversos, incluindo aí a premonitória acusação de "criminoso em potencial". Contando com dois costureiros que trabalhavam sem licença e um rapaz sem ocupação estável que aparentemente vivia de se "relacionar com estrangeiros", o grupo de detidos parece ter em comum algo mais além da orientação sexual: segundo as organizações locais, todos teriam sido perseguidos por não trabalharem "para o Estado" - sempre um problema seríssimo para os regimes comunistas, que têm no caráter de empregador exclusivo (ou quase, no caso da Cuba atual) do Estado uma de suas principais formas de coação e repressão de comportamentos indesejáveis*.
* -Sobre a relação entre pluralidade de proprietários dos meios de produção e liberdades intelectuais, ver O Caminho da Servidão, de Friederich Hayek. Um exemplo cubano: Reinaldo Arenas, marido da famosa blogueira dissidente Yoani Sanchez, foi jornalista até 1988 - quando teria sido demitido do jornal oficial Juventud Rebelde por escrever textos "inadequados à linha" da publicação. Vetado na única imprensa (a estatal) que emprega no país, Arenas hoje trabalha como professor de espanhol e guia para turistas - como o provável michê preso pelo governo, sobrevive à margem da economia legal e "se relacionando com estrangeiros".
Nota: Pensei na referência a Minority Report assim que soube do caso, o que provavelmente se daria com qualquer um que goste de ficção científica como eu - ou com sujeito que pelo menos conheça o filme arrasa-quarteirão do Tom Cruise; certamente por conta dessa obviedade quase automática(robótica?hehe), descobri logo que a sacada já existe em pelo menos um outro blog por aí, ferindo um tanto cruelmente a literatice do dia...
* -Sobre a relação entre pluralidade de proprietários dos meios de produção e liberdades intelectuais, ver O Caminho da Servidão, de Friederich Hayek. Um exemplo cubano: Reinaldo Arenas, marido da famosa blogueira dissidente Yoani Sanchez, foi jornalista até 1988 - quando teria sido demitido do jornal oficial Juventud Rebelde por escrever textos "inadequados à linha" da publicação. Vetado na única imprensa (a estatal) que emprega no país, Arenas hoje trabalha como professor de espanhol e guia para turistas - como o provável michê preso pelo governo, sobrevive à margem da economia legal e "se relacionando com estrangeiros".
Nota: Pensei na referência a Minority Report assim que soube do caso, o que provavelmente se daria com qualquer um que goste de ficção científica como eu - ou com sujeito que pelo menos conheça o filme arrasa-quarteirão do Tom Cruise; certamente por conta dessa obviedade quase automática(robótica?hehe), descobri logo que a sacada já existe em pelo menos um outro blog por aí, ferindo um tanto cruelmente a literatice do dia...
quinta-feira, 5 de novembro de 2009
Ocidentalismo
Morreu na última segunda-feira Noor Faleh Almaleki, estudante americana de 20 anos atropelada em outubro por Faleh Hassan Almaleki, 48 anos, seu pai - sujeito que vizinhos e familiares afirmaram já ter ameaçado anteriormente a garota por ser "ocidentalizada demais". Faleh Hassan foi preso na Geórgia após tentativa de fuga para o Reino Unido, de onde foi mandado de volta pelas autoridades britânicas.
Para aqueles interessados em entender melhor o ódio ao Ocidente(inclusive dentro da própria civilização ocidental), recomendo o excelente Ocidentalismo: o Ocidente aos olhos de seus inimigos, inteligente e sucinto ensaio de Ian Buruma e Avishai Margalit.
Para aqueles interessados em entender melhor o ódio ao Ocidente(inclusive dentro da própria civilização ocidental), recomendo o excelente Ocidentalismo: o Ocidente aos olhos de seus inimigos, inteligente e sucinto ensaio de Ian Buruma e Avishai Margalit.
segunda-feira, 2 de novembro de 2009
Halloween russo
Na última sexta-feira de outubro, 50 manifestantes foram detidos pelas autoridades russas enquanto tentavam protestar em Moscou pelo cumprimento de garantia democrática prevista na Constituição pós-comunista daquele país - a escolha da data é referência ao artigo 31 do documento, que trata exatamente (e irônica e tristemente, dado o ocorrido) do direito a livre reunião e protesto na Rússia, princípio que seria cobrado no evento coibido.
Um dos detidos foi Eduard Limonov, fundador de um certo Partido Nacional-Bolchevique cuja ideologia mistura nazismo, stalinismo, imperialismo e antiamericanismo; apesar da salada totalitária, até ele merecia o direito de se manifestar livremente em praça pública - mais ainda quando o faria defendendo(circunstancialmente apenas, não duvido; que os opositores apontem a contradição) Carta de inspiração liberal que é fundamentalmente oposta às próprias idéias professadas pelo exótico líder partidário.
Um dos detidos foi Eduard Limonov, fundador de um certo Partido Nacional-Bolchevique cuja ideologia mistura nazismo, stalinismo, imperialismo e antiamericanismo; apesar da salada totalitária, até ele merecia o direito de se manifestar livremente em praça pública - mais ainda quando o faria defendendo(circunstancialmente apenas, não duvido; que os opositores apontem a contradição) Carta de inspiração liberal que é fundamentalmente oposta às próprias idéias professadas pelo exótico líder partidário.
terça-feira, 27 de outubro de 2009
Estado Gordo
Na municipalidade de Dundee, Escócia, um casal perdeu a guarda de seus sete filhos sob a acusação de não proporcionarem uma alimentação saudável às crianças. Pesando atualmente 111(pai) e 145(mãe) Kg, os dois obesos escoceses e sua prole já custaram pelo menos 114 mil libras à cidade apenas em tratamentos visando reformar os hábitos à mesa - e longe dela também - da família.
Tendo o contribuinte financiado tão exorbitante e inútil projeto de reeducação alimentar, talvez fosse o caso de sugerir logo às autoridades locais que adotassem o exercício doméstico compulsório, expediente apresentado em 1984 que talvez não esteja mesmo lá muito distante da nossa realidade.
E para os pais de todo o mundo, fica o aviso: filhos sedentários(ainda que magrinhos), pouco sociáveis - tomado algum padrão científico-burocrático qualquer - ou que insistem em acreditar nas fantasmagorias religiosas dos crédulos progenitores provavelmente serão os próximos sequestrados pela sempre ciosa autoridade do Estado pai, mãe e patrão.
(Para além do tragicômico, o controle estrito sobre a educação - especialmente a infantil - é elemento central de qualquer totalitarismo - e não pode ser exercido em sua plenitude que não separando as novas gerações das influências perniciosas exercidas pelos hábitos contrarevolucionários arraigados dos indivíduos mais antigos de alguma coletividade: construir o homem novo é sempre mais fácil quando ele está separado ao máximo dos homens velhos.)
Edição
Apresentando e discutindo o post com alguns amigos, achei por bem esclarecer algo aqui: não sou em absoluto contra a existência de limitações ao pátrio poder levantadas e garantidas pelo Estado; sempre complexa, a questão dos direitos e da proteção devidos à menoridade não encontra respostas fáceis nem entre os mais razoáveis defensores do libertarianismo radical, corrente que já me parece comumente exagerada em sua oposição apriorística a qualquer coerção estatal. No caso - ainda nebuloso, sem dúvida - em questão, procurei apenas levantar as possibilidades abertas por um precedente perigoso, para dizer o mínimo: se é absolutamente aceitável (ainda que os casos particulares sejam sempre controversos, pelas definições e diagnósticos envolvidos) que pais sádicos se vejam impedidos de conduzir deliberadamente seus filhos a existências doentes, coisa bem diferente é definir (um IMC adequado, talvez? gradações de adiposidades?) quando a simples leniência ou os vícios alimentares dos genitores estarão prejudicando de tal forma uma criança que justifiquem uma intervenção governamental para proteger a saúde dos pequenos - ou nem tão pequenos assim, já que uma das filhas do casal mencionado está na flor da pré-adolescência. Dos pais, herdamos e copiamos, desde a primeira infância, hábitos e trejeitos, vícios e virtudes, todos a serem desenvolvidos ou atrofiados no contato com diversas influências ao longo da vida; como regra geral, prefiro uma continuidade desse mundo na qual as crianças permaneçam sendo criadas por indivíduos diferentemente falhos - como todos nós, que classificamos também diferentemente os erros e acertos alheios - e lidem (corrigindo ou aprofundando) com os elementos dessa herança imaterial quando adultos a uma sociedade em que o Estado definirá cada vez mais rigidamente que sujeitos são ou não merecedores de criar o filho que geraram.
Tendo o contribuinte financiado tão exorbitante e inútil projeto de reeducação alimentar, talvez fosse o caso de sugerir logo às autoridades locais que adotassem o exercício doméstico compulsório, expediente apresentado em 1984 que talvez não esteja mesmo lá muito distante da nossa realidade.
E para os pais de todo o mundo, fica o aviso: filhos sedentários(ainda que magrinhos), pouco sociáveis - tomado algum padrão científico-burocrático qualquer - ou que insistem em acreditar nas fantasmagorias religiosas dos crédulos progenitores provavelmente serão os próximos sequestrados pela sempre ciosa autoridade do Estado pai, mãe e patrão.
(Para além do tragicômico, o controle estrito sobre a educação - especialmente a infantil - é elemento central de qualquer totalitarismo - e não pode ser exercido em sua plenitude que não separando as novas gerações das influências perniciosas exercidas pelos hábitos contrarevolucionários arraigados dos indivíduos mais antigos de alguma coletividade: construir o homem novo é sempre mais fácil quando ele está separado ao máximo dos homens velhos.)
Edição
Apresentando e discutindo o post com alguns amigos, achei por bem esclarecer algo aqui: não sou em absoluto contra a existência de limitações ao pátrio poder levantadas e garantidas pelo Estado; sempre complexa, a questão dos direitos e da proteção devidos à menoridade não encontra respostas fáceis nem entre os mais razoáveis defensores do libertarianismo radical, corrente que já me parece comumente exagerada em sua oposição apriorística a qualquer coerção estatal. No caso - ainda nebuloso, sem dúvida - em questão, procurei apenas levantar as possibilidades abertas por um precedente perigoso, para dizer o mínimo: se é absolutamente aceitável (ainda que os casos particulares sejam sempre controversos, pelas definições e diagnósticos envolvidos) que pais sádicos se vejam impedidos de conduzir deliberadamente seus filhos a existências doentes, coisa bem diferente é definir (um IMC adequado, talvez? gradações de adiposidades?) quando a simples leniência ou os vícios alimentares dos genitores estarão prejudicando de tal forma uma criança que justifiquem uma intervenção governamental para proteger a saúde dos pequenos - ou nem tão pequenos assim, já que uma das filhas do casal mencionado está na flor da pré-adolescência. Dos pais, herdamos e copiamos, desde a primeira infância, hábitos e trejeitos, vícios e virtudes, todos a serem desenvolvidos ou atrofiados no contato com diversas influências ao longo da vida; como regra geral, prefiro uma continuidade desse mundo na qual as crianças permaneçam sendo criadas por indivíduos diferentemente falhos - como todos nós, que classificamos também diferentemente os erros e acertos alheios - e lidem (corrigindo ou aprofundando) com os elementos dessa herança imaterial quando adultos a uma sociedade em que o Estado definirá cada vez mais rigidamente que sujeitos são ou não merecedores de criar o filho que geraram.
sábado, 17 de outubro de 2009
Síndrome da China
Aberta na última terça-feira, a 61ª edição da Feira do Livro de Frankfurt - o mais tradicional e importante encontro do mercado livreiro no mundo - enfrenta duras críticas dentro e fora da Alemanha por ter cancelado a participação em seus simpósios e debates de todo e qualquer intelectual vetado pelo governo da China comunista, país homenageado no evento desse ano. Em resposta, organizações como o PEN Club alemão estão promovendo atividades paralelas com alguns dos escritores excluídos, garantindo que ao menos longe de casa (são exilados, em sua maioria) suas críticas ao regime chinês poderão ser livremente expressas e ouvidas por quem assim o desejar.
domingo, 4 de outubro de 2009
O Gibbon do comunismo
Em sua última edição, o interessante programa de entrevistas Milênio(Globo News) apresentou uma instrutiva conversa entre o sempre competente jornalista Silio Boccanera e o historiador inglês Archie Brown, autor de um calhamaço de 720 páginas recentemente lançado em seu país e entitulado simplesmente de The Rise and Fall of Communism(2009), título remetendo(como tantos outros) dificilmente por acaso ao monumental clássico Declínio e Queda do Império Romano, marco do iluminismo publicado em fins do século XVIII por seu conterrâneo Edward Gibbon. Como o antepassado mais notável, Archie também debruçou-se em fontes primárias e extraiu conclusões polêmicas, não se furtando a analisar tópicos delicados - por exemplo, os reais graus de afinidade entre o já famoso "marxismo de Marx" (a expressão vem de outro livro importante, dessa vez do francês Raymond Aron) e as trágicas e ditatoriais experiências ditas comunistas do século XX e os papéis e relevâncias de Reagan, João Paulo II e Gorbachev na crise que deflagrou o fim desses regimes no Leste Europeu. Sobre a primeira questão, Brown faz coro com as leituras conservadoras e liberais mais usuais e identifica no comunismo inequívocos males de origem, enfatizando entre eles a ausência dos tão anglo-saxônicos mecanismos de responsabilização(accountability, a tradução é aproximada) e equilíbrio entre os poderes(usa o termo checks and balances, a vertente americana da idéia) nas obras dos patriarcas Marx e Engels, silêncio explicado pelo utopismo central de uma visão totalizante pretensamente científica - salvacionismo muito bem discutido, aliás, no belo O Fenômeno Totalitário, de autoria do falecido professor uspiano Roque Spencer Maciel de Barros; sobre o segundo ponto, recusa os protagonismos comumente atribuídos a Reagan e ao Papa polonês e afirma que o governo soviético e seus vizinhos afins só implodiram por conta das escolhas de um Gorbachev reformista e crescentemente simpático à democracia, com os discursos e práticas do presidente americano apenas fortalecendo os linhas-duras de Moscou e o líder católico servindo principalmente como fonte de inspiração e conforto espiritual para alguns dos dissidentes do paraíso terreno, especialmente na Polônia.
A íntegra da entrevista está disponível no blog do programa, no post seguinte à apresentação em que Boccanera anuncia para logo uma edição brasileira do livro de Brown.
A íntegra da entrevista está disponível no blog do programa, no post seguinte à apresentação em que Boccanera anuncia para logo uma edição brasileira do livro de Brown.
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sábado, 19 de setembro de 2009
Censura à web aumenta no sudeste asiático
Governos sem recursos técnicos usam coersão e intimidação num esforço para suprimir críticas online (Wall Street Journal, 14 de setembro de 2009). Tradução livre de alguns trechos:

Malásia, Tailândia e Vietnã não possuem o tipo de tecnologia e os recursos financeiros que a China e outros países grandes usam para policiar a internet. As nações do sudeste asiático estão usando outros métodos - também vistos na China - para reprimir críticas, incluindo a prisão de blogueiros e indivíduos que publicam pontos de vista controversos online.Há também um infográfico interessante, com o mapa das mordaças e acesso à rede (Coréia do Norte e Irã impressionam, como sempre).
A Malásia recentemente tem usado sua legislação da era colonial, que permite detenção por até dois anos sem julgamento, para amordaçar blogueiros. A Tailândia tem contado com sua recém-criada Lei de Crimes Digitais para reduzir críticas à sua família real e limitar a divulgação do que o governo chama de material subversivo. O Vietnã, um país comunista autoritário [como se houvesse "comunismo democrático"], tem prendido pessoas pegas postando idéias contrárias à política governamental, e prendem também os advogados que tentam defendê-las.

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sábado, 29 de agosto de 2009
quarta-feira, 12 de agosto de 2009
Dias (de prisão) na Birmânia
Aung San Suu Kyi, Nobel da Paz(1990) e principal líder da oposição em Mianmar, antiga Birmânia, foi condenada ontem a 18 meses de prisão domiciliar por um tribunal daquele país. Se mantida, a condenação impedirá Suu Kyi de participar das eleições parlamentares marcadas para o ano que vem pela Junta Militar - expressão que costuma designar o regime ditatorial vivido pela nação desde 1962, quando o General Ne Min protagonizou um golpe de Estado que pretendia inaugurar o "caminho birmanês para o socialismo".
segunda-feira, 10 de agosto de 2009
Hare Bhabhi!
O Ministério da Informação da Índia recorreu em junho a uma lei recente(2000) para obrigar os provedores de acesso à internet no país a bloquearem a entrada em popular (60 milhões de visitas por mês, por volta de 80% delas originárias da própria Índia) site dedicado às aventuras de Savita Bhabhi, personagem de quadrinhos eróticos criada por Puneet Agarwal, inglês de origem indiana. Com inequívoco conteúdo "lascivo" e aparentemente capaz de "corromper e depravar" as pessoas que acessarem - acidentalmente, imagina-se! ou já seriam algo corrompidos, né? - o aterrador material, o trabalho de Puneet está agora oficialmente vetado aos indianos pelos valorosos censores governamentais, sempre ansiosos para impedir a perdição das dezenas de milhões de almas infelizes que, coitadas, se mostram sempre incapazes de resistir por si próprias às tentações do nefando onipresente.
domingo, 9 de agosto de 2009
Quatro dias na Coreia do Norte
A jornalista Sarah Wang esteve na Coreia do Norte e relatou sua experiência em artigo publicado na Slate Magazine. Ao povo norte-coreano faltam comida, informação e liberdade, e tal escassez é obra do comunismo.
sexta-feira, 31 de julho de 2009
Gaystapo em ação: Conselho Federal de Psicologia censura profissional que tratava quem queria deixar de ser homossexual
Texto de Ana Sachs, do UOL Notícias:
A psicóloga Rozângela Alves Justino, do Rio de Janeiro, foi condenada à censura pública pelo Conselho Federal de Psicologia por oferecer tratamento a quem quisesse deixar de ser homossexual. Como de praxe, ONGs defensoras dos direitos dos homossexuais (os politizados, é claro) pressionaram o conselho para cassar o registro de Rozângela, que decidiu se ater à censura. Rozângela teve de ir à sede do CFP de óculos escuros e máscara para evitar retaliações (provavelmente por saber até onde foi a campanha de intimidação do pastor evangélico e ativista anti-homossexualismo Júlio Severo, que chegou a ter seus telefones e endereço divulgados abertamente por Luis Mott, um dos coronéis do gayzismo nacional). Notem ainda o comentário cretinissimo do ativista Igo Martini, presidente da ABGLT:
Esse tratamento é charlatanismo, pois tanto OMS quanto o Conselho Internacional de Psiquiatria declaram que o homossexualismo não é doença nem transtorno mental. Mesma coisa dizer que vai curar a Aids.
Vejamos. A declaração de um órgão burocrático ou todos eles somados não prova qualquer coisa que seja. E mesmo que não seja uma doença de fato, um comportamento pode ser suficientemente incômodo para quem o tenha a ponto de a pessoa desejar livrar-se dele, tendo portanto todo o direito de recorrer a ajuda de terceiros, especialistas ou não, para se ver livre do que a incomoda. Naturalmente, o direito de procurar por ajuda implica no direito de alguém oferecê-la a um custo.
A última frase foi de um rigor cassetístico (& planetístico) milimétrico. Da lógica martiniana seca implícita nela, podemos concluir que o homossexualismo não é uma doença porque as doenças costumam ter uma cura! Porém, pensando melhor, talvez convenha mesmo a esses sodomitas de carteirinha que a AIDS não seja uma doença, já que não é curável. Assim, têm um empecilho a menos ao prazer sexual que tanto desejam.
A psicóloga Rozângela Alves Justino, do Rio de Janeiro, foi condenada à censura pública pelo Conselho Federal de Psicologia por oferecer tratamento a quem quisesse deixar de ser homossexual. Como de praxe, ONGs defensoras dos direitos dos homossexuais (os politizados, é claro) pressionaram o conselho para cassar o registro de Rozângela, que decidiu se ater à censura. Rozângela teve de ir à sede do CFP de óculos escuros e máscara para evitar retaliações (provavelmente por saber até onde foi a campanha de intimidação do pastor evangélico e ativista anti-homossexualismo Júlio Severo, que chegou a ter seus telefones e endereço divulgados abertamente por Luis Mott, um dos coronéis do gayzismo nacional). Notem ainda o comentário cretinissimo do ativista Igo Martini, presidente da ABGLT:
Esse tratamento é charlatanismo, pois tanto OMS quanto o Conselho Internacional de Psiquiatria declaram que o homossexualismo não é doença nem transtorno mental. Mesma coisa dizer que vai curar a Aids.
Vejamos. A declaração de um órgão burocrático ou todos eles somados não prova qualquer coisa que seja. E mesmo que não seja uma doença de fato, um comportamento pode ser suficientemente incômodo para quem o tenha a ponto de a pessoa desejar livrar-se dele, tendo portanto todo o direito de recorrer a ajuda de terceiros, especialistas ou não, para se ver livre do que a incomoda. Naturalmente, o direito de procurar por ajuda implica no direito de alguém oferecê-la a um custo.
A última frase foi de um rigor cassetístico (& planetístico) milimétrico. Da lógica martiniana seca implícita nela, podemos concluir que o homossexualismo não é uma doença porque as doenças costumam ter uma cura! Porém, pensando melhor, talvez convenha mesmo a esses sodomitas de carteirinha que a AIDS não seja uma doença, já que não é curável. Assim, têm um empecilho a menos ao prazer sexual que tanto desejam.
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terça-feira, 21 de julho de 2009
No Estadão, os antiestadão: o movimento libertário brasileiro chega à grande imprensa
Em sua edição de ontem, o site Estadão - portal que congrega O Estado de São Paulo e outros órgãos do mesmo grupo, incluindo conteúdo exclusivo para a internet - publicou entrevista com Juliano Torres, presidente nacional do LIBER - partido brasileiro em formação que defende uma diminuição profunda do Estado ou mesmo (há pluralidade no movimento) a extinção absoluta desse ente político, cuja existência tanto se naturaliza por aí. Em breve possuidor de um registro civil, o partido tem como desafio mais imediato a obtenção das 500 mil assinaturas (em pelo menos nove estados) que lhe permitirão participar efetivamente das eleições brasileiras, apresentando candidatos próprios.
segunda-feira, 20 de julho de 2009
Ligações perigosas
Natalia Estemirova, jornalista que investigava abusos do governo russo e de seus títeres locais na Chechênia, foi encontrada morta na última quarta-feira, com marcas de tiros na cabeça e no peito. Estemirova era próxima da também jornalista e também assassinada Anna Politkovskaya(morta em 2006; virou prêmio, recebido em 2007 por Natalia) e de advogado que lutava contra a libertação do coronel Yuri Budanov, autor confesso do enforcamento de uma jovem chechena - advogado que teve em janeiro desse ano o mesmo fim encarado pelas suas duas companheiras de luta.
quinta-feira, 16 de julho de 2009
Um país de cartun
Mais de dez mulheres foram detidas nessa semana por usarem calças supostamente indecentes em Cartun, capital do Sudão - detenções baseadas em leis islâmicas que valem para toda a população muçulmana desse convulsionado país africano. Lubna Ahmed al Hussein, jornalista que estava entre as detidas, pediu a presença de um advogado e vai a julgamento podendo receber até 40 chibatadas como pena - companheiras meliantes que assumiram o terrível crime receberam 10 chibatadas e pagaram multa por terem ultrajado a sacrossanta república sudanesa.
quarta-feira, 15 de julho de 2009
domingo, 12 de julho de 2009
Kenny no país dos sovietes
Após a recente onda bananeira que bane mais e mais das televisões de Nuestra America revolucionária a maior crítica pop jamais concebida à sociedade norte-americana, parece ser a vez de ainda mais cáustica e escatológica sátira - bem menos esquerdista que sua antepassada amarela, é verdade - ser vítima de uma nação cuja experiência com direitos individuais burgueses consegue ser ainda mais limitada que aquela pobremente vivenciada nas terras dos coronéis outonais: na Rússia do neokgbismo, episódio de South Park que exibia um Putin menos heróico (nenhum tigre ameaçador abatido) e mais vestido que a versão oficial teve as cenas com a Eminência Parda cortadas, não se sabe ainda se por autocensura ou determinação(ou recomendação...) das autoridades competentes.
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sábado, 4 de julho de 2009
Eixo do Mal latino-americano 3, Simpsons 0
Do Glamurama:
Mais um país do Foro de São Paulo bane a famosa família ianque do ar. Depois da Venezuela chavista, é a vez do fiel aliado Equador ordenar o fim da exibição dos Simpsons em seu território alegando como de praxe os motivos altruísticos de sempre: "o seriado traz mensagens preconceituosas, ofende sensibilidades raciais e sexuais, etc".
Mais um país do Foro de São Paulo bane a famosa família ianque do ar. Depois da Venezuela chavista, é a vez do fiel aliado Equador ordenar o fim da exibição dos Simpsons em seu território alegando como de praxe os motivos altruísticos de sempre: "o seriado traz mensagens preconceituosas, ofende sensibilidades raciais e sexuais, etc".
sábado, 20 de junho de 2009
De pé, ó vítimas
Na última segunda-feira, a Victims of Communism Memorial Fundation(Fundação Memorial das Vítimas do Comunismo) lançou na internet o Museu Global do Comunismo, uma iniciativa que pretende "contar a história completa do comunismo", incluindo "mostras sobre cada nação e pessoa que sofreu" sob o regime e um "Registro de Vítimas global". Embora ainda bastante incompleto e um tanto comedido nas estimativas - apenas 73000 mortos sob a tirania do Dr.Castro, contra análises que falam em 17, 19 milhões de pessoas -, o Museu, alimentado por especialistas(Richard Pipes entre eles), tem tudo para se tornar uma importante fonte de consultas para todos aqueles interessados em conhecer a ideologia mais genocida de todo o sangrento (e para algumas vítimas, longuíssimo) século XX.
domingo, 14 de junho de 2009
Entre a liberdade e Hugo Chávez
Em artigo publicado no jornal El País, o escritor peruano Mario Vargas Llosa, que recentemente participou de um encontro em Caracas, escreve sobre o autoritarismo na Venezuela de hoje e sobre os opositores de Hugo Chávez.
Uma sentença de morte
Texto publicado no jornal Zero Hora trata dos campos de trabalho forçado da Coreia do Norte, onde milhares de pessoas são torturadas e escravizadas.
terça-feira, 9 de junho de 2009
Senhores do nosso destino: governo quer Nazaré longe das criancinhas.
Do site Na Telinha:
Mais uma vez preocupadíssimos com as criancinhas, o Ministério da Justiça obrigou a Rede Globo a reclassificar a faixa etária da novela "Senhora do Destino", atualmente sendo reprisada às tardes no programa "Vale a pena ver de novo", para 12 anos. Com isto, a novela só poderá ser exibida após as 20h. O motivo, segundo o ministério, é a quantidade de cenas de sexo, violência e agressão verbal inadequadas para o horário. Desde que iniciou a reprise da trama, a emissora já teve de fazer diversas edições e cortes na novela a fim de agradar os tutores/censores governamentais.
Ironicamente, a novela deve o seu sucesso à vilã Nazaré, cuja característica marcante foi a preocupação demasiada com as criancinhas alheias, ao ponto de seqüestrar uma delas para criá-la e matar os que soubessem algo a respeito.
Enquanto isso, o governo, no melhor estilo Nazaré, assume cada dia mais o papel de senhor do destino dos pequenos, ensinando conhecimentos vitais como utilizar pênis de borracha, distribuindo camisinhas nas escolas e perseguindo pais que se atrevam a achar que educam seus filhos melhor do que burocratas do MEC, inclusive ameaçando-os de tomar-lhes a guarda das crianças.
Que Nazaré fique longe das criancinhas! E seus pais e mães também...
Mais uma vez preocupadíssimos com as criancinhas, o Ministério da Justiça obrigou a Rede Globo a reclassificar a faixa etária da novela "Senhora do Destino", atualmente sendo reprisada às tardes no programa "Vale a pena ver de novo", para 12 anos. Com isto, a novela só poderá ser exibida após as 20h. O motivo, segundo o ministério, é a quantidade de cenas de sexo, violência e agressão verbal inadequadas para o horário. Desde que iniciou a reprise da trama, a emissora já teve de fazer diversas edições e cortes na novela a fim de agradar os tutores/censores governamentais.
Ironicamente, a novela deve o seu sucesso à vilã Nazaré, cuja característica marcante foi a preocupação demasiada com as criancinhas alheias, ao ponto de seqüestrar uma delas para criá-la e matar os que soubessem algo a respeito.
Enquanto isso, o governo, no melhor estilo Nazaré, assume cada dia mais o papel de senhor do destino dos pequenos, ensinando conhecimentos vitais como utilizar pênis de borracha, distribuindo camisinhas nas escolas e perseguindo pais que se atrevam a achar que educam seus filhos melhor do que burocratas do MEC, inclusive ameaçando-os de tomar-lhes a guarda das crianças.
Que Nazaré fique longe das criancinhas! E seus pais e mães também...
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quinta-feira, 4 de junho de 2009
Ninguém entende, ninguém explica
Em qualquer democracia minimamente digna do nome, o Presidente da República(ou o primeiro-ministro) é sempre alvo privilegiado dos mais diversos tipos de humor. Com maiores ou menores graça, sensibilidade e audácia provocativa, humoristas vários se debruçam sobre o chefe do Executivo federal e satirizam trejeitos, maneirismos verbais, tropeções retóricos(ou não), gafes diplomáticas e tudo mais que possa ser matéria de piada, produzindo uma coleção de visões em torno de um mesmo personagem que vai do chiste episódico e superficial ao comentário político mais constante, explícito e pretensioso - e tudo isso em diferentes suportes e meios de comunicação, atingindo de variadas formas boa parte da sociedade nacional e, eventualmente, internacional. Com o Presidente Lula(já há piadas prontas aqui, aliás) não foi exceção, felizmente: vítima habitual dos próprios arroubos discursivos e de singular arrogância que no mais das vezes mal e mal se esconde por trás de uma sabedoria pretensamente inerente ao coletivo dos humildes, o ex-metalúrgico e militante profissional que ora nos preside já é objeto de todo um anedotário específico, melhor conhecido quanto mais o indivíduo lê ou ouve as pérolas que Sua Excelência profere. E é a esse anedotário que somamos, sob a rubrica tragicômica, a beleza que vem abaixo:
"Indagado se a decisão fortalece a OEA, o presidente afirmou que mais do que fortalecer a entidade, a revogação da suspensão ao país caribenho foi um ato em que 'prevaleceu o bom senso', porque 'ninguém mais conseguia explicar, ninguém mais conseguia entender'.De acordo com o presidente, o período em que Cuba foi 'o patinho feio' acabou, e isso 'foi bom para o mundo'".
Isso é o Presidente Lula, falando dessa feita sobre o fim da suspensão que impedia a ditadura comunista cubana de ingressar na OEA. Para nosso digníssimo molusco-em-chefe, ninguém entende(olha a arrogância aí: ninguém, absolutamente ninguém entende o que ele não entende, justifica o que ele considera injustificável), ninguém consegue explicar porque Cuba permanecia excluída da OEA. Na fala do presidente, a situação parece beirar o surreal: a exclusão da Ilha dos(updated) Drs.Castro não teria explicação alguma, seria - ainda que não explicitado - mera birra estadounidense, mais uma (dentre incontáveis birras!) desse país imperialista e malvado que, veja só, forçaria a ausência de um país irmão em fórum de deliberação política tão fundamental para os povos de nuestra America.
Mas faltou combinar com o acaso, esse reacionário: menos de 24 após a declaração do Ungido de Caetés, o governo cubano prendeu em espetacular operação marítima um grupo de proletários desesperados que tentavam escapar das revolucionárias conquistas da república popular do povo socialista, possivelmente instigados pela incessante propaganda contra-revolucionária do Império vizinho. As fotos são reveladoras: tão intelectual e emocionalmente subjugado pelas promessas do consumismo febril e antiecológico do Tio Sam maligno, um iludidíssimo servo da gleba caribenha chega a saltar alucinado em direção ao mar, mesmo após já estar absolutamente patente que eles foram, graças ao bom Marx, devidamente abalroados e inequivocamente capturados pelos diligentes tentáculos da pátria-mãe gentil.
Tragicômico à parte, ficam as perguntas: é realmente possível ignorar imagens dessas com cinismo, disfarçá-las com ideologia? É realmente preciso ser liberal - ou conservador ou, genericamente falando, em algum grau anti-esquerdista - para se chocar com a visão do homem cubano atirando-se enlouquecidamente ao mar, pensando sabe-se lá o que, temendo sabe-se lá que castigo? É realmente possível não perceber que essas pessoas não são - e a discussão sobre políticas imigratórias fica para depois - cidadãos sendo presos por país que quer impedi-los, por algum motivo, de entrar em seu território - mas sim indivíduos sendo capturados em alto-mar e levados à força, qual escravos mesmo, para um pedaço de terra que decidiram voluntariamente abandonar, arriscando sobre isopôr ridículo as próprias vidas? Podemos de fato acreditar que o Presidente da República Federativa do Brasil, limitações culturais à parte, não consiga sequer sentir aquilo que a média da humanidade sente, quase que imediatamente, quando contempla cena tão inacreditável, tão reveladora do drama e do horror da vida em um país-prisão?
Realmente: ninguém consegue explicar, ninguém consegue entender.
PS - Dificultando ao máximo a emigração de seus cidadãos, o governo cubano só faz acompanhar a política de países comunistas congêneres, de ontem e de hoje - antes um Muro de Berlim, atualmente uma polícia costeira a catar balseros que fraquejam e traem a revolução. Por trás de tanto zelo, muita realpolitik: a saída voluntária do socialismo em construção rumo à exploração capitalista seria (e de fato foi, mesmo que restrita a um mínimo por muros, cercas, fuzilamentos) um dano enorme para as ditaduras de partido único, constituindo uma legião de dissidentes no mais das vezes enormemente dispostos a falar o quanto sofriam sob o comunismo e usufruir das benesses do sistema econômico condenado pela História. Mas há algo mais ideológico por trás da coisa: como nos mostra o excelente texto A Tortura pela Esperança, do nobre(em mais de um sentido) contista francês Villiers de L'Isle-Adam, o ideólogo - no conto dele, um inquisidor católico; discutimos depois se catolicismo é ideologia - é antes de tudo alguém que está tão absolutamente certo de possuir uma verdade suprema ignorada pelos demais que entre suas atividades se propõe, talvez principalmente, a proteger todo e qualquer ente ainda ignorante da Revelação de seus próprios pecados, de suas próprias falsas escolhas, motivadas por uma visão equívoca do mundo. No conto, o inquisidor impede um infeliz e torturado prisioneiro de fugir da condenação divina que aguardava seu corpo, lamentando mesmo e amorosamente (sim, amorosamente) que o homem não tenha entendido e aceito, no fim da vida, o pecado que cometia ao não abdicar do judaísmo e a punição que mereceria por tão vil atitude. Na ilha-prisão de Cuba, não há porque duvidar que muita gente (esfriamento ideológico e doble moral de lado) realmente lamentou pelos homens terem se atirado ao mar e, amorosamente, se vê disposta a protegê-los de si mesmos e das mentiras em que acreditam.
"Indagado se a decisão fortalece a OEA, o presidente afirmou que mais do que fortalecer a entidade, a revogação da suspensão ao país caribenho foi um ato em que 'prevaleceu o bom senso', porque 'ninguém mais conseguia explicar, ninguém mais conseguia entender'.De acordo com o presidente, o período em que Cuba foi 'o patinho feio' acabou, e isso 'foi bom para o mundo'".
Isso é o Presidente Lula, falando dessa feita sobre o fim da suspensão que impedia a ditadura comunista cubana de ingressar na OEA. Para nosso digníssimo molusco-em-chefe, ninguém entende(olha a arrogância aí: ninguém, absolutamente ninguém entende o que ele não entende, justifica o que ele considera injustificável), ninguém consegue explicar porque Cuba permanecia excluída da OEA. Na fala do presidente, a situação parece beirar o surreal: a exclusão da Ilha dos(updated) Drs.Castro não teria explicação alguma, seria - ainda que não explicitado - mera birra estadounidense, mais uma (dentre incontáveis birras!) desse país imperialista e malvado que, veja só, forçaria a ausência de um país irmão em fórum de deliberação política tão fundamental para os povos de nuestra America.
Mas faltou combinar com o acaso, esse reacionário: menos de 24 após a declaração do Ungido de Caetés, o governo cubano prendeu em espetacular operação marítima um grupo de proletários desesperados que tentavam escapar das revolucionárias conquistas da república popular do povo socialista, possivelmente instigados pela incessante propaganda contra-revolucionária do Império vizinho. As fotos são reveladoras: tão intelectual e emocionalmente subjugado pelas promessas do consumismo febril e antiecológico do Tio Sam maligno, um iludidíssimo servo da gleba caribenha chega a saltar alucinado em direção ao mar, mesmo após já estar absolutamente patente que eles foram, graças ao bom Marx, devidamente abalroados e inequivocamente capturados pelos diligentes tentáculos da pátria-mãe gentil.
Tragicômico à parte, ficam as perguntas: é realmente possível ignorar imagens dessas com cinismo, disfarçá-las com ideologia? É realmente preciso ser liberal - ou conservador ou, genericamente falando, em algum grau anti-esquerdista - para se chocar com a visão do homem cubano atirando-se enlouquecidamente ao mar, pensando sabe-se lá o que, temendo sabe-se lá que castigo? É realmente possível não perceber que essas pessoas não são - e a discussão sobre políticas imigratórias fica para depois - cidadãos sendo presos por país que quer impedi-los, por algum motivo, de entrar em seu território - mas sim indivíduos sendo capturados em alto-mar e levados à força, qual escravos mesmo, para um pedaço de terra que decidiram voluntariamente abandonar, arriscando sobre isopôr ridículo as próprias vidas? Podemos de fato acreditar que o Presidente da República Federativa do Brasil, limitações culturais à parte, não consiga sequer sentir aquilo que a média da humanidade sente, quase que imediatamente, quando contempla cena tão inacreditável, tão reveladora do drama e do horror da vida em um país-prisão?
Realmente: ninguém consegue explicar, ninguém consegue entender.
PS - Dificultando ao máximo a emigração de seus cidadãos, o governo cubano só faz acompanhar a política de países comunistas congêneres, de ontem e de hoje - antes um Muro de Berlim, atualmente uma polícia costeira a catar balseros que fraquejam e traem a revolução. Por trás de tanto zelo, muita realpolitik: a saída voluntária do socialismo em construção rumo à exploração capitalista seria (e de fato foi, mesmo que restrita a um mínimo por muros, cercas, fuzilamentos) um dano enorme para as ditaduras de partido único, constituindo uma legião de dissidentes no mais das vezes enormemente dispostos a falar o quanto sofriam sob o comunismo e usufruir das benesses do sistema econômico condenado pela História. Mas há algo mais ideológico por trás da coisa: como nos mostra o excelente texto A Tortura pela Esperança, do nobre(em mais de um sentido) contista francês Villiers de L'Isle-Adam, o ideólogo - no conto dele, um inquisidor católico; discutimos depois se catolicismo é ideologia - é antes de tudo alguém que está tão absolutamente certo de possuir uma verdade suprema ignorada pelos demais que entre suas atividades se propõe, talvez principalmente, a proteger todo e qualquer ente ainda ignorante da Revelação de seus próprios pecados, de suas próprias falsas escolhas, motivadas por uma visão equívoca do mundo. No conto, o inquisidor impede um infeliz e torturado prisioneiro de fugir da condenação divina que aguardava seu corpo, lamentando mesmo e amorosamente (sim, amorosamente) que o homem não tenha entendido e aceito, no fim da vida, o pecado que cometia ao não abdicar do judaísmo e a punição que mereceria por tão vil atitude. Na ilha-prisão de Cuba, não há porque duvidar que muita gente (esfriamento ideológico e doble moral de lado) realmente lamentou pelos homens terem se atirado ao mar e, amorosamente, se vê disposta a protegê-los de si mesmos e das mentiras em que acreditam.
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terça-feira, 2 de junho de 2009
quinta-feira, 28 de maio de 2009
Crítica da razão crítica
Qualquer um que já tenha suportado disciplinas de educação em universidade brasileira - ou que tenha cursado Pedagogia propriamente, valei-me o pai - sabe bem que o alfabetizador marxista Paulo Freire(1921-1997) domina absolutamente o campo, aparecendo como um espectro a governar imperioso os destinos dos infelizes vivos submetidos(por obrigação acadêmica ou vestibular mais acessível, não raramente) aos cuidados das suas nem sempre letradas sacerdotisas. Nesses ambientes fantasmáticos, cada e toda palavra da terrestre prosa freireana ganha status transcendente, através de dolorosas operações alquímicas que transformam em pérola embasbacante - o olhar da sacerdotisa é sempre de perpétua epifania - platitudes setentistas que caberiam, se tanto, em About Me de mocinha orkutiana (ao lado de um falso e edificante Shakespeare ou, melhor ainda, Veríssimo filho, tanto faz se verdadeiro) ou rodapé de agenda sindicalista. Pairando sobre a ciência séria(oh!), o freireanismo é o marxismo dos pobres, o gnosticismo roto relegado pela vanguarda do pensamento revolucionário às sãogonçalenses (estabeleça a equivalência para a sua aldeia) várias que se mostram contentes em desempenhar o papel a elas destinado na glosa revolucionária, aguardando animadas o dia em que poderão organizar semanas da consciência negra nos educandários da burguesia racista, excludente e mão aberta. Que tudo isso seja brasílico, só constatação desassombrada; saber do fenômeno também na terra do Obama, por outro lado, é de despertar os maiores decadentismos no mais plácido Pangloss - e é exatamente essa nada auspiciosa informação que trazemos aqui para o nosso eventual leitor, através de excelente texto da sempre impressionante City Journal, a melhor revista high brow em língua inglesa desde sabe-se lá que prisca e idealizada era.
No texto em questão, o sempre solar articulista Sol Stern acompanha rapidamente a importância pregressa e atual de Freire nos cursos norte-americanos de educação e ataca competentemente a tosquíssima teoria(?) pedagógica(??) do comunista pernambucano, mostrando que ela é, antes de tudo - ou mesmo tão e somente - uma prática de doutrinação intelectual, no sentido mais vil e desonesto que a expressão pode comportar. Ao apontar(nos anos 60 e 70 do século passado, já sem originalidade qualquer) um caráter inequivocamente classista na educação das modernas sociedades capitalistas, Freire não faz outra coisa que não pregar a sua substituição por um modelo supostamente crítico, que pretende formar uma consciência autônoma em oposição à imposição da cultura hegemônica capitalista via escolas e universidades - ou seja, é um projeto político disfarçado(ou nem isso: toda educação é política) de processo educacional libertador, libertário. Não por acaso, os professores que se dedicam a aplicá-lo - Stern é pródigo em exemplos, o Brasil mais ainda - acabam sempre recaindo, com mais ou menos rapapés e pretensões científicas, em proselitismo que não vai além de um panfletário socialism(o que quer que isso ainda signifique) is good, capitalism is bad. Qual a diferença disso para a educação burguesa? Ora, é óbvio: socialism is good, capitalism is bad - logo, ensinar isso para um aluno é bom, ensinar o contrário (ou uma terceira ou quarta alternativa) é ruim; e isso são Freire, freireanos e a maior contribuição brasileira à educação estadounidense. Como diria um pedagogo sem preconceito linguístico, É NÓIS!
sábado, 23 de maio de 2009
O rato que ruge
No ano passado, a blogueira cubana Yoani Sánchez ganhou o Prêmio Ortega y Gasset de Jornalismo Digital, honraria a ela concedida pelo prestigioso jornal espanhol El País - mas não pôde receber a comenda, pois sua viagem à pátria-mãe do cárcere ilhéu em que vive foi impedida pela quase cinquentenária nomenklatura habanera, respondendo sem dúvida ao desejo último dos inesgotáveis irmãos Castro, Cérberos máximos do quase mitológico Hades(elísio para uns, horror para outros) caribenho. Distante do céu que lhe confiscaram, restou à alma de Yoani manter o voô turbulento que ainda lhe permitem - o site Generacion Y, atualizado via tropicais artimanhas em lan houses e cibercafés hoteleiros tolerados pelo regime como salamaleque adicional (espécies de jineteras virtuais) para os europeus que compram folclore político e decadentismo urbano com moeda forte. Sofrendo o pão que o burocrata amassou para atualizar uma mera página de oposição ao regime vigente, a internauta mais famosa de Cuba ainda pode se dar por satisfeita - incomodasse via internet os poderes estabelecidos em países outros (ou não) e nossa musa involuntária poderia estar em cela de cadeia ou mesmo acolchoado(?) manicomial, acusada de fofoca virtual ou ensandecimento puro e simples.
Mas a sacanagem libertária tarda, jamais falha: em genial peça publicitária criada para a Sociedade Internacional pelos Direitos Humanos, a seção frankfurtiana da agência Ogilvy mostra o algoz de Yoani, Raúl Castro - e também Chávez e Ahmadinejad - entregando completamente a cuba libre diante da ameaçadora presença de um... Mouse, esse elemento periculoso que tende a ser cada vez mais controlado (e instrumentalizado) pelos facínoras alucinados de todos os cantos. Um humor que você não verá no Gramna - e que a quase totalidade dos cubanos, infelizmente, ainda não verá em lugar algum.
Mas a sacanagem libertária tarda, jamais falha: em genial peça publicitária criada para a Sociedade Internacional pelos Direitos Humanos, a seção frankfurtiana da agência Ogilvy mostra o algoz de Yoani, Raúl Castro - e também Chávez e Ahmadinejad - entregando completamente a cuba libre diante da ameaçadora presença de um... Mouse, esse elemento periculoso que tende a ser cada vez mais controlado (e instrumentalizado) pelos facínoras alucinados de todos os cantos. Um humor que você não verá no Gramna - e que a quase totalidade dos cubanos, infelizmente, ainda não verá em lugar algum.
segunda-feira, 18 de maio de 2009
Um juiz das arábias
Durante um seminário sobre violência doméstica realizado na Arábia Saudita, o magistrado local Hamad Al-Razine afirmou que considera legítimo caso uma mulher seja estapeada pelo marido por "gastar demais" - e ainda fez questão de ilustrar essa refletida e tradicionalista posição com caso hipotético: se certa esposa pretende embelezar-se um tanto e gasta com abaya(veste muçulmana típica, uma das poucas alternativas de vestuário permitidas às mulheres do reino dos Saud) o equivalente a 240 dólares e seu estimado cônjugue "bate no seu rosto como uma reação à sua atitude, ela merece aquela punição". A fala provocou revolta entre as mulheres presentes ao encontro, e uma (sim, do gênero feminino) porta-voz do Centro Nacional Saudita para Direitos Humanos achou pertinente lembrar que "Não é aceitável, é mesmo proibido no Islã bater em uma mulher na sua face ... Não importa o que a mulher faça, o homem não tem direito algum de bater na face de sua mulher sob qualquer circunstância." - com a reiterada expressão "na sua face" deixando em aberto que o sagrado Islã wahabita talvez considere, quem sabe, a possibilidade de uma mulher perdulária receber tapinha não consentido em parte menos visível - qualquer uma, dadas as abayas, hijabs e que tais - da sua anatomia.
Ridículo tragicômico à parte, é importante notarmos algo mais profundo por trás da declaração desastrada: no exemplo do juiz disciplinador, a mulher recebe dinheiro do marido e é punida por gastá-lo impropriamente, quer dizer, gastá-lo excessivamente consigo mesma, em indumentária, alimentando sua vaidade - em fala que sugere bastante claramente que essa esposa hipotética não tem fonte de renda própria, dependendo do suado dinheiro do esposo e portanto absolutamente passível de punição caso não o use como deveria. Levantando essa suposição bastante concreta, não pretendo sugerir aqui que todo relacionamento baseado em dependência do gênero é necessariamente estúpido e fisicamente abusivo - pelo contrário, estou certo de que essas conclusões totalistas nunca couberam e jamais caberão em relacionamentos, sendo absolutamente possível a felicidade e uma convivência respeitosa e sadia em situações nas quais, por varidos motivos, um dos integrantes do casal se dedique exclusivamente a atividades não remuneradas. Apesar disso, me parece inevitável concluir que, se a propriedade privada é elemento fundamental - e é - para a liberdade, inclusive daqueles que não a possuem, também a possibilidade real de independência financeira feminina abre (aliada a leis decentes sobre divórcios e pensões, mais ainda) uma larga via de escape para qualquer mulher que pretenda, numa sociedade dada, escapar aos Al-Razines de todos os cantos - a esposa do exemplo talvez suportasse o tapa porque, afinal, precisaria de 240 dólares no mês seguinte novamente.
Ridículo tragicômico à parte, é importante notarmos algo mais profundo por trás da declaração desastrada: no exemplo do juiz disciplinador, a mulher recebe dinheiro do marido e é punida por gastá-lo impropriamente, quer dizer, gastá-lo excessivamente consigo mesma, em indumentária, alimentando sua vaidade - em fala que sugere bastante claramente que essa esposa hipotética não tem fonte de renda própria, dependendo do suado dinheiro do esposo e portanto absolutamente passível de punição caso não o use como deveria. Levantando essa suposição bastante concreta, não pretendo sugerir aqui que todo relacionamento baseado em dependência do gênero é necessariamente estúpido e fisicamente abusivo - pelo contrário, estou certo de que essas conclusões totalistas nunca couberam e jamais caberão em relacionamentos, sendo absolutamente possível a felicidade e uma convivência respeitosa e sadia em situações nas quais, por varidos motivos, um dos integrantes do casal se dedique exclusivamente a atividades não remuneradas. Apesar disso, me parece inevitável concluir que, se a propriedade privada é elemento fundamental - e é - para a liberdade, inclusive daqueles que não a possuem, também a possibilidade real de independência financeira feminina abre (aliada a leis decentes sobre divórcios e pensões, mais ainda) uma larga via de escape para qualquer mulher que pretenda, numa sociedade dada, escapar aos Al-Razines de todos os cantos - a esposa do exemplo talvez suportasse o tapa porque, afinal, precisaria de 240 dólares no mês seguinte novamente.
quarta-feira, 6 de maio de 2009
Justiça feita: estátua de Che Guevara na Áustria é atacada
Do UOL Notícias:
Uma boa notícia como raramente se vê em nosso blog e qualquer outro que esteja "do lado de cá da civilização", como costuma dizer Reinaldo Azevedo. A estátua do busto de Che Guevara em Viena, Áustria, teve o seu nariz arrancado e ainda recebeu a placa com os seguintes dizeres: "Ernesto Che Guevara - 1928 - 1967 - Terrorista".
Como era de se esperar, houve reações. Os governos de Cuba e Bolívia chamaram o ato de fascista, como de praxe. Mas talvez impressione mais o fato de o próprio UOL Notícias chamar o ato de vandalismo. Para eles deve ser realmente coisa feia macular a memória do comandante do primeiro campo de concentração das Américas, que executava pessoalmente prisioneiros amarrados (alguns dos quais tinham cometido o terrível crime de furtar pedaços de pão) e toda vez que os sacrificava no altar da revolução dizia-se ele mesmo o sacrificado.
Uma boa notícia como raramente se vê em nosso blog e qualquer outro que esteja "do lado de cá da civilização", como costuma dizer Reinaldo Azevedo. A estátua do busto de Che Guevara em Viena, Áustria, teve o seu nariz arrancado e ainda recebeu a placa com os seguintes dizeres: "Ernesto Che Guevara - 1928 - 1967 - Terrorista".
Como era de se esperar, houve reações. Os governos de Cuba e Bolívia chamaram o ato de fascista, como de praxe. Mas talvez impressione mais o fato de o próprio UOL Notícias chamar o ato de vandalismo. Para eles deve ser realmente coisa feia macular a memória do comandante do primeiro campo de concentração das Américas, que executava pessoalmente prisioneiros amarrados (alguns dos quais tinham cometido o terrível crime de furtar pedaços de pão) e toda vez que os sacrificava no altar da revolução dizia-se ele mesmo o sacrificado.
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domingo, 26 de abril de 2009
Manifestação lembra Massacre da Praça da Paz Celestial
Protesto em Hong Kong lembra o massacre da Praça da Paz Celestial, ocorrido em 1989. Estudantes querem que militares chineses sejam responsabilizados pelas mortes.
segunda-feira, 20 de abril de 2009
10 anos de Columbine: entrevista com defensor do porte de armas
Da Folha Online:
O dia de hoje marca os 10 anos do massacre na escola Columbine, Estado do Colorado, EUA, quando adolescentes armados até os dentes mataram 12 alunos e uma professora daquela escola. A Folha entrevista Larry Pratt, diretor da Gun Owners of America, associação dedicada a defender o direito de todo cidadão americano de portar armas para sua defesa. Nesta entrevista, Pratt diz obviedades, mas daquelas que jamais entram na cabeça de hippies, amantes de pombinhas brancas, filhos de Gandhi, sitting ducks* e pacifistas em geral. Vamos à algumas delas:
1) Em todos esses ataques de loucos armados, as vítimas não só não possuiam meios de defesa capazes de fazer frente às agressões como também estavam proibidas por lei de possuí-los.
2) Criminosos, por definição, não cumprem ou não se deixam intimidar por proibições escritas em leis. Portanto, a proibição do porte de armas de fogo é perfeitamente inócua para eles, mas afeta profundamente os cidadãos honestos cumpridores das leis.
3) A maioria esmagadora das armas de fogo utilizadas por criminosos são obtidas por meios ilegais (armas roubadas, contrabandeadas, vendidas clandestinamente etc), precisamente aquelas que o cidadão honesto jamais compraria.
4) Mesmo sem acesso a armas de fogo, os criminosos não deixarão de cometer crimes (leiam nosso post a respeito do aumento de crimes com armas brancas no Reino Unido).
5) A busca dos meios apropriados de defender-se e defender seus semelhantes é um direito fundamental não só porque nenhuma autoridade de segurança pública é onipresente, mas principalmente porque a autoridade vigente pode se tornar ela mesma a grande ameaça à segurança pública (vide URSS, Alemanha Nazi, Cuba, China, Coréia do Norte, etc)**.
*Sitting duck, ou literalmente "pato sentado", é uma expressão anglo-americana para designar pessoas completamente indefesas e à mercê de agressores.
**Esta é uma passagem importantíssima da entrevista: Larry Pratt menciona os assassinatos cometidos por governos contra sua própria população, que no século XX vitimou um número de indivíduos (262 milhões) quase equivalente à população atual dos Estados Unidos, fenômeno que é estudado pelo Prof. R. J. Rummel da Universidade do Havaí, que o chama não de genocídio, mas de democídio. Os resultados dos seus estudos podem ser conhecidos em seu site "Freedom, Democide, War". Visita obrigatória.
O dia de hoje marca os 10 anos do massacre na escola Columbine, Estado do Colorado, EUA, quando adolescentes armados até os dentes mataram 12 alunos e uma professora daquela escola. A Folha entrevista Larry Pratt, diretor da Gun Owners of America, associação dedicada a defender o direito de todo cidadão americano de portar armas para sua defesa. Nesta entrevista, Pratt diz obviedades, mas daquelas que jamais entram na cabeça de hippies, amantes de pombinhas brancas, filhos de Gandhi, sitting ducks* e pacifistas em geral. Vamos à algumas delas:
1) Em todos esses ataques de loucos armados, as vítimas não só não possuiam meios de defesa capazes de fazer frente às agressões como também estavam proibidas por lei de possuí-los.
2) Criminosos, por definição, não cumprem ou não se deixam intimidar por proibições escritas em leis. Portanto, a proibição do porte de armas de fogo é perfeitamente inócua para eles, mas afeta profundamente os cidadãos honestos cumpridores das leis.
3) A maioria esmagadora das armas de fogo utilizadas por criminosos são obtidas por meios ilegais (armas roubadas, contrabandeadas, vendidas clandestinamente etc), precisamente aquelas que o cidadão honesto jamais compraria.
4) Mesmo sem acesso a armas de fogo, os criminosos não deixarão de cometer crimes (leiam nosso post a respeito do aumento de crimes com armas brancas no Reino Unido).
5) A busca dos meios apropriados de defender-se e defender seus semelhantes é um direito fundamental não só porque nenhuma autoridade de segurança pública é onipresente, mas principalmente porque a autoridade vigente pode se tornar ela mesma a grande ameaça à segurança pública (vide URSS, Alemanha Nazi, Cuba, China, Coréia do Norte, etc)**.
*Sitting duck, ou literalmente "pato sentado", é uma expressão anglo-americana para designar pessoas completamente indefesas e à mercê de agressores.
**Esta é uma passagem importantíssima da entrevista: Larry Pratt menciona os assassinatos cometidos por governos contra sua própria população, que no século XX vitimou um número de indivíduos (262 milhões) quase equivalente à população atual dos Estados Unidos, fenômeno que é estudado pelo Prof. R. J. Rummel da Universidade do Havaí, que o chama não de genocídio, mas de democídio. Os resultados dos seus estudos podem ser conhecidos em seu site "Freedom, Democide, War". Visita obrigatória.
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sexta-feira, 17 de abril de 2009
Mais ditadura da saúde em SP: aprovada lei que proibe escolas de vender guloseimas.
Da Folha Online:
Após banir o cigarro de todos os recintos fechados do Estado, o governo de São Paulo agora proibirá todas as escolas, públicas e privadas, de servirem salgadinhos, frituras, doces e refrigerantes em suas cantinas. Tudo isso para proteger as criancinhas das perigosíssimas gorduras trans. A lei, proposta pela deputada Patrícia Lima (PR), foi aprovada na última quarta-feira e aguarda sanção do governador José Serra.
É a Nova Ordem Mundial. Os gordinhos que se cuidem. Ou que se danem.
Após banir o cigarro de todos os recintos fechados do Estado, o governo de São Paulo agora proibirá todas as escolas, públicas e privadas, de servirem salgadinhos, frituras, doces e refrigerantes em suas cantinas. Tudo isso para proteger as criancinhas das perigosíssimas gorduras trans. A lei, proposta pela deputada Patrícia Lima (PR), foi aprovada na última quarta-feira e aguarda sanção do governador José Serra.
É a Nova Ordem Mundial. Os gordinhos que se cuidem. Ou que se danem.
Afeganistão: mulheres protestam contra lei islâmica e são apedrejadas
Do WorldNetDaily:
Agora, uma pequena amostra daquilo que os anti-americanos chamam de invasão cultural do Ocidente imperialista sobre os pobres e inofensivos muçulmanos:
O governo afegão aprovou lei que dá aos homens o direito de exigir de suas mulheres relações sexuais a cada pelo menos quatro dias (que na prática significa a legalização do estupro doméstico). A lei ainda dá aos homens a custódia dos filhos em caso de divórcio, independentemente das causas do mesmo e obriga as mulheres a pedir permissão aos maridos para sair de casa.
Diante da perspectiva aterradora, 300 corajosas mulheres foram às ruas da capital Cabul protestar, mas foram atacadas a pedradas por mais de 1000 homens, que as chamavam de "vadias" e "escravas dos cristãos".
Agora, uma pequena amostra daquilo que os anti-americanos chamam de invasão cultural do Ocidente imperialista sobre os pobres e inofensivos muçulmanos:
O governo afegão aprovou lei que dá aos homens o direito de exigir de suas mulheres relações sexuais a cada pelo menos quatro dias (que na prática significa a legalização do estupro doméstico). A lei ainda dá aos homens a custódia dos filhos em caso de divórcio, independentemente das causas do mesmo e obriga as mulheres a pedir permissão aos maridos para sair de casa.
Diante da perspectiva aterradora, 300 corajosas mulheres foram às ruas da capital Cabul protestar, mas foram atacadas a pedradas por mais de 1000 homens, que as chamavam de "vadias" e "escravas dos cristãos".
domingo, 12 de abril de 2009
Igualdade boçal também na moda: promotora quer cotas raciais em desfiles
Da Folha Online:
Depois de se engajar recentemente contra a grande ameaça à cultura afro-brasiliana que é a Universal Studios do Reino de Deus, os valentes do Ministério Público agora entram na luta contra o preconceito nas passarelas da moda, mais especificamente nas passarelas do São Paulo Fashion Week. A proposta dos acólitos da igualdade é obrigar as grifes a utlizar uma cota mínima de modelos negros em seus desfiles. Diz a promotora Déborah Kelly Affonso, proponente da medida:
O percentual de modelos negros no evento [em torno de 3%] é bem menor que o de brancos. O objetivo da Promotoria é fazer um acordo de inclusão social. Estabelecer um número mínimo de modelos negros a desfilar.
Nós do blog esperamos que os corajosos promotores, imbuídos do sentimento de amor à justiça social e diante de flagrante prova do preconceito reinante no mundo da moda, proponha também cotas para modelos de outras raças. Ou, sendo ainda mais ousados, proporem cotas também para modelos feias, pseudo-belas, feinhas arrumadas, baranguinhas e monstras em geral. Mais ainda, os arautos da justiça deveriam propor cotas para estilistas heterossexuais machos do sexo masculino, já que também é evidente o preconceito que há por parte das grifes contra essa classe.
Depois de se engajar recentemente contra a grande ameaça à cultura afro-brasiliana que é a Universal Studios do Reino de Deus, os valentes do Ministério Público agora entram na luta contra o preconceito nas passarelas da moda, mais especificamente nas passarelas do São Paulo Fashion Week. A proposta dos acólitos da igualdade é obrigar as grifes a utlizar uma cota mínima de modelos negros em seus desfiles. Diz a promotora Déborah Kelly Affonso, proponente da medida:
O percentual de modelos negros no evento [em torno de 3%] é bem menor que o de brancos. O objetivo da Promotoria é fazer um acordo de inclusão social. Estabelecer um número mínimo de modelos negros a desfilar.
Nós do blog esperamos que os corajosos promotores, imbuídos do sentimento de amor à justiça social e diante de flagrante prova do preconceito reinante no mundo da moda, proponha também cotas para modelos de outras raças. Ou, sendo ainda mais ousados, proporem cotas também para modelos feias, pseudo-belas, feinhas arrumadas, baranguinhas e monstras em geral. Mais ainda, os arautos da justiça deveriam propor cotas para estilistas heterossexuais machos do sexo masculino, já que também é evidente o preconceito que há por parte das grifes contra essa classe.
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sexta-feira, 10 de abril de 2009
Sob a névoa da guerra
Isabela Boscov, na Veja, escreve sobre o filme Katyn, de Andrzej Wajda, que também foi comentado por Anne Applebaum.
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quinta-feira, 9 de abril de 2009
Lei anti-fumantes é aprovada em SP
Do UOL Notícias:
Conforme esperado (e antecipado por nosso blog), o legislativo do Estado de São Paulo aprovou com maioria esmagadora a lei proposta pelo governador José Serra que proibe o fumo em quaisquer recintos coletivos dentro do Estado. A lei prevê inclusive a prisão imediata do fumante ou do responsável pelo espaço coletivo que não obedecerem a proibição.
Por incrível que pareça (ou talvez não tanto), a bancada do PT votou contra, e na reportagem um dos parlamentares petistas disse o óbvio: a lei jogará as pessoas umas contra as outras e agride as liberdades individuais. Cabe aqui o ressaltar o que dissemos quando publicamos o primeiro post:
O único resultado possível desses empreendimentos (e o único que esses inimigos da liberdade travestidos de amigos da humanidade desejam) é conversão de sociedades livres, ordeiras e pacíficas em grandes hordas de intolerantes, grosseiros, frescos e acima de tudo submissos ao governo "científico", "racional" e "laico".
Conforme esperado (e antecipado por nosso blog), o legislativo do Estado de São Paulo aprovou com maioria esmagadora a lei proposta pelo governador José Serra que proibe o fumo em quaisquer recintos coletivos dentro do Estado. A lei prevê inclusive a prisão imediata do fumante ou do responsável pelo espaço coletivo que não obedecerem a proibição.
Por incrível que pareça (ou talvez não tanto), a bancada do PT votou contra, e na reportagem um dos parlamentares petistas disse o óbvio: a lei jogará as pessoas umas contra as outras e agride as liberdades individuais. Cabe aqui o ressaltar o que dissemos quando publicamos o primeiro post:
O único resultado possível desses empreendimentos (e o único que esses inimigos da liberdade travestidos de amigos da humanidade desejam) é conversão de sociedades livres, ordeiras e pacíficas em grandes hordas de intolerantes, grosseiros, frescos e acima de tudo submissos ao governo "científico", "racional" e "laico".
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sábado, 21 de março de 2009
Free virilha
Para além daqueles centímetros cúbicos cerebrais do clássico-mor orwelliano, o controle sobre o próprio corpo (que não guarda semelhança alguma com a pregação do abortismo sem fronteiras, convenientemente cego para o ente estranho em formação que lhe atrasa o discurso e a vida - e a morte) é um dos últimos refúgios do indivíduo contra o totalitarismo. Por essa característica, é preciso sempre defendê-lo do mais tênue esboço de ameaça, mesmo em ambientes tradicionalmente avessos inclusive a autoritarismos e estatismos bem mais banais que a distopia de Eric Blair - como é o caso dos Estados Unidos da América, cujo simpático estado de New Jersey (Jersey, para Philip Roth, Caio Blinder e outros menos cotados) é o verdadeiro e tardio protagonista desse post.
Por lá, as filhas da revolução americana por pouco não se viram impedidas pelo Estado (e pelo estado também) de adotarem um dos mais bem-sucedidos produtos brasileiros de exportação cultural em toda a nossa história de glórias civilizacionais - a famosa brazilian wax, depilação íntima algo radical que aparentemente faz sucesso até no nada cálido (biquínis diminutos na origem da arte, segundo a historiografia pertinente) nordeste dos EUA. Felizmente, a Comissão de Cosmetologia(!) e Cabeleireiros(!!) de Jersey parece ter entendido que dois acidentes - a justificativa para a proibição - não podem condenar absolutamente uma prática cosmética e comercial - numa interpretação de um arroubo revolucionário pró-livre mercado impressionante, coisa surpreendente mesmo.
Mas não se preocupem, amigos estatistas: haverá o dia em que um acidente - ou uma suspeita de - será suficiente para interessar o Estado em toda e qualquer atividade que um indivíduo possa realizar - inclusive brincar com sua prole em piscininha, recuperando outro clássico anglo-saxão desse nosso blog.
Por lá, as filhas da revolução americana por pouco não se viram impedidas pelo Estado (e pelo estado também) de adotarem um dos mais bem-sucedidos produtos brasileiros de exportação cultural em toda a nossa história de glórias civilizacionais - a famosa brazilian wax, depilação íntima algo radical que aparentemente faz sucesso até no nada cálido (biquínis diminutos na origem da arte, segundo a historiografia pertinente) nordeste dos EUA. Felizmente, a Comissão de Cosmetologia(!) e Cabeleireiros(!!) de Jersey parece ter entendido que dois acidentes - a justificativa para a proibição - não podem condenar absolutamente uma prática cosmética e comercial - numa interpretação de um arroubo revolucionário pró-livre mercado impressionante, coisa surpreendente mesmo.
Mas não se preocupem, amigos estatistas: haverá o dia em que um acidente - ou uma suspeita de - será suficiente para interessar o Estado em toda e qualquer atividade que um indivíduo possa realizar - inclusive brincar com sua prole em piscininha, recuperando outro clássico anglo-saxão desse nosso blog.
domingo, 15 de março de 2009
Opositor deixa o Vladimir Putin e é internado à força em hospício
Da AFP (UOL Notícias):
Demonstrando mais uma vez que a democracia russa é só para ingleses, americanos, franceses e outros trouxas ocidentais verem, o Kremlin retoma mais uma costumeira prática dos seus tempos áureos soviéticos: internar opositores em hospícios.
Há uma semana, um tribunal em São Petersburgo aceitou a "solicitação" de um centro psiquiátrico para internar Vadim Charuchev, criador e organizador de uma rede de debates na internet com o nome de "V Kontakte" (Em contato), que critica abertamente o regime de Putin. O detalhe mais bonito é que o pobre louco foi internado sem que qualquer diagnóstico fosse feito.
Demonstrando mais uma vez que a democracia russa é só para ingleses, americanos, franceses e outros trouxas ocidentais verem, o Kremlin retoma mais uma costumeira prática dos seus tempos áureos soviéticos: internar opositores em hospícios.
Há uma semana, um tribunal em São Petersburgo aceitou a "solicitação" de um centro psiquiátrico para internar Vadim Charuchev, criador e organizador de uma rede de debates na internet com o nome de "V Kontakte" (Em contato), que critica abertamente o regime de Putin. O detalhe mais bonito é que o pobre louco foi internado sem que qualquer diagnóstico fosse feito.
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sábado, 7 de março de 2009
Ministério Público, um encosto federal
Você acredita que sacrificar animais, despachar baixas gastronomias pelos cantos da urbe e conclamar finados de moral controversa para desígnios duvidosos não são exatamente coisas espiritualmente engrandecedoras? Acha que um ente chamado Zé Pilintra está mais para etílico mineiro que entidade sobrenatural benfazeja? Recusa-se a enxergar honestidade em adultos protagonizando sacudidelas e saltitos entremeados por urros, infantilismos vocais e batucadas - e sem abadás ou Ivete Sangalo nas proximidades? Cuidado: no Brasil de Molusco e no mundo de Barack, você pode estar cometendo um crime - e em não muito tempo talvez seja tratado por aqui tal qual um molecote revisionista gaúcho pego alimentando um site neonazi qualquer.
Na última quinta-feira, o sempre atuante (que orgulho...) Ministério Público Federal decidiu dar mais um passo na sua gloriosa e já ancestral luta contra os horrores da liberdade de expressão que insistem em se manifestar - qual sobrenaturais zombeteiros - na nossa viçosa terra papagalli: o ilibado órgão defensor de todos nós entrou com uma ação na Justiça contra as redes de tv Record e Gazeta, que exibem programas da Igreja Universal acusados de ofenderem religiões de origem africana - incluindo malignas associações dessas manifestações religiosas com, vejam vocês, termos como "feitiçaria" e "macumba", depreciações notoriamente alheias a essas práticas afro-descendentes. Como pena por tão atrozes comentários, o MPF exige que as redes paguem 13,6 (Record) e 2,4(Gazeta) milhões de reais - além de multas diárias de mais 10 mil dinheiros se insistirem em veicular as tais mensagens inaceitáveis.
Não tenho qualquer simpatia pela igreja do Sr.Macedo, a mais famosa filha do Méier - muito pelo contrário, abomino a sua doutrina da prosperidade e suas consequências (ainda a serem melhor estudadas, tema fundamental e negligenciado) aparentes sobre a população deslumbrada e ignaríssima que compõe a principal clientela do Templo; em mais de um sentido, a bem-sucedida máquina de fazer dinheiro e eleger políticos da Av.Suburbana me parece desde sempre perigo infinitamente maior ao futuro das liberdades no Brasil que as minguantes fileiras das religiões de matriz africana, Átila Nunes à parte. Apesar disso, não tenho como ceder à tentação e trair os princípios desse blog (e meus também, principalmente) e negar à Universal e aos seus bispos o direito de falarem o que bem entenderem sobre as religiões dos orixás, caboclos e quejandos - direito que não anula, antes protege, o direito de resposta daqueles supostamente ofendidos. É da própria natureza das religiões salvíficas (e a precária teologia da Universal é derivação de uma delas, por tosca que seja) assumirem exclusivismos e identificarem como inimigas as crenças (não os fiéis, necessariamente) concorrentes, exclusivistas ou não - e o grau de civilidade com o qual esses repúdios são apresentados é sempre resultado de equação complexa, a ser desvendada por sociólogos, historiadores, teólogos e assemelhados, não uma questão a demandar mediação de ente estatal qualquer.
Ao defender uma (mais uma) restrição aos direitos de expressão baseando-se no politicamente correto e em uma visão new wave do fenômeno religioso, o Ministério Público Federal protagoniza - talvez ainda mais do que Macedo e os dele - uma macabra e perigosíssima dança do capiroto sobre o futuro do Brasil.
Na última quinta-feira, o sempre atuante (que orgulho...) Ministério Público Federal decidiu dar mais um passo na sua gloriosa e já ancestral luta contra os horrores da liberdade de expressão que insistem em se manifestar - qual sobrenaturais zombeteiros - na nossa viçosa terra papagalli: o ilibado órgão defensor de todos nós entrou com uma ação na Justiça contra as redes de tv Record e Gazeta, que exibem programas da Igreja Universal acusados de ofenderem religiões de origem africana - incluindo malignas associações dessas manifestações religiosas com, vejam vocês, termos como "feitiçaria" e "macumba", depreciações notoriamente alheias a essas práticas afro-descendentes. Como pena por tão atrozes comentários, o MPF exige que as redes paguem 13,6 (Record) e 2,4(Gazeta) milhões de reais - além de multas diárias de mais 10 mil dinheiros se insistirem em veicular as tais mensagens inaceitáveis.
Não tenho qualquer simpatia pela igreja do Sr.Macedo, a mais famosa filha do Méier - muito pelo contrário, abomino a sua doutrina da prosperidade e suas consequências (ainda a serem melhor estudadas, tema fundamental e negligenciado) aparentes sobre a população deslumbrada e ignaríssima que compõe a principal clientela do Templo; em mais de um sentido, a bem-sucedida máquina de fazer dinheiro e eleger políticos da Av.Suburbana me parece desde sempre perigo infinitamente maior ao futuro das liberdades no Brasil que as minguantes fileiras das religiões de matriz africana, Átila Nunes à parte. Apesar disso, não tenho como ceder à tentação e trair os princípios desse blog (e meus também, principalmente) e negar à Universal e aos seus bispos o direito de falarem o que bem entenderem sobre as religiões dos orixás, caboclos e quejandos - direito que não anula, antes protege, o direito de resposta daqueles supostamente ofendidos. É da própria natureza das religiões salvíficas (e a precária teologia da Universal é derivação de uma delas, por tosca que seja) assumirem exclusivismos e identificarem como inimigas as crenças (não os fiéis, necessariamente) concorrentes, exclusivistas ou não - e o grau de civilidade com o qual esses repúdios são apresentados é sempre resultado de equação complexa, a ser desvendada por sociólogos, historiadores, teólogos e assemelhados, não uma questão a demandar mediação de ente estatal qualquer.
Ao defender uma (mais uma) restrição aos direitos de expressão baseando-se no politicamente correto e em uma visão new wave do fenômeno religioso, o Ministério Público Federal protagoniza - talvez ainda mais do que Macedo e os dele - uma macabra e perigosíssima dança do capiroto sobre o futuro do Brasil.
terça-feira, 24 de fevereiro de 2009
Nepal: de Mao a pior
Há apenas seis meses no poder e pouco mais de dois anos depois do abandono(?) da luta armada, os maoístas do Partido Comunista do Nepal já exibem garbosos as suas credenciais democratas: no alvo, inimigos políticos, jornais opositores,religiosos,prostitutas e até concurso para Miss Nepal, eventinho sabidamente machista e contra-revolucionário - bem ao contrário do Camarada Mao, timoneiro notório pela forma sensível e romântica (quase burguesa!) com que tratava o - perdoem o reacionarismo - belo sexo.
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segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009
Libertas quae sera tamen: pugilista cubano do Pan 2007 consegue alforria
Do UOL Esporte:
Guillermo Rigondeaux, um dos dois boxeadores cubanos que haviam fugido da delegacia cubana nos Jogos Panamericanos de 2007, no Rio de Janeiro, finalmente conseguiu fugir do cárcere insular e está em Miami, nos EUA. O outro, Erislandy Lara, havia conseguido a alforria em junho do ano passado, quando fugiu para a Alemanha. Ambos fugiram pelo México.
Guillermo Rigondeaux, um dos dois boxeadores cubanos que haviam fugido da delegacia cubana nos Jogos Panamericanos de 2007, no Rio de Janeiro, finalmente conseguiu fugir do cárcere insular e está em Miami, nos EUA. O outro, Erislandy Lara, havia conseguido a alforria em junho do ano passado, quando fugiu para a Alemanha. Ambos fugiram pelo México.
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009
Repórteres presos na Índia por falar mal do islamismo
Do WorldNetDaily:
Dois repórteres do jornal indiano Statesman foram presos por republicarem artigo do britânico Independent que chama o Islam de opressivo e fala que o profeta Maomé teve relações sexuais com um menina de 9 anos e ordenou a matança de judeus que não quiseram se converter. Ambos acabaram cedendo à pressão dos maometanos ofendidinhos, que invocaram inclusive uma lei que torna ilegal a "intenção maliciosa" em "ofender sentimentos religiosos". Os repórteres foram liberados mediante fiança.
Agora é oficial: está instituída na Índia a polícia do pensamento. Nada impressionante para os padrões brasileiros, é verdade...
Dois repórteres do jornal indiano Statesman foram presos por republicarem artigo do britânico Independent que chama o Islam de opressivo e fala que o profeta Maomé teve relações sexuais com um menina de 9 anos e ordenou a matança de judeus que não quiseram se converter. Ambos acabaram cedendo à pressão dos maometanos ofendidinhos, que invocaram inclusive uma lei que torna ilegal a "intenção maliciosa" em "ofender sentimentos religiosos". Os repórteres foram liberados mediante fiança.
Agora é oficial: está instituída na Índia a polícia do pensamento. Nada impressionante para os padrões brasileiros, é verdade...
domingo, 8 de fevereiro de 2009
Como não sei moderar os comentários, a polícia me ajuda
Dezoito pessoas no Japão tiveram seus computadores e celulares confiscados pela polícia e estão sendo processadas por difamação. O difamado é um comediante que iniciou sua carreira com o apelido "o ex-bandidão de Adachi", na época em que uma garota foi morta e soterrada em concreto em Adachi. Os 18 réus são acusados de escrever comentários no blog do comediante insinuando que ele seja o assassino. O comediante chegou até mesmo a moderar os comentários por um tempo, mas deve ter achado muito cansativo.
Dizem que a prática do "enjo" (inundação com mensagens difamatórias) é um problema sério no Japão: pessoas públicas analfabetas tecnologicamente querem todas as vantagens da nova mídia publicitária mas não admitem pagar o ônus. Nada mais justo que pedir ao Estado que resolva seus problemas de imagem.
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sábado, 31 de janeiro de 2009
quarta-feira, 21 de janeiro de 2009
Pintando cadáveres
Mais dois na conta de Vlad, o ex-agente da KGB que é dublê de premiê e pintor na Rússia: na segunda-feira, um advogado que lutava contra a libertação de coronel que é assassino confesso foi morto a tiros no centro de Moscou por um homem mascarado, que ainda atingiu também fatalmente uma jornalista que acompanhava o alvo do ataque. Yuri Budanov, o militar libertado, assumiu ter enforcado a jovem tchechena Heda Kungayeva em 2000 - o que explicou acusando-a de integrar a irridente insurgência separatista de região.
Não se sabe ainda (e talvez jamais se saiba) se houve ordem direta do Kremlin para assassinar o advogado - Budanov é um herói para vários grupos nacionalistas russos que podem perfeitamente ter planejado e executado o crime sem qualquer participação estatal. Mas sabemos também que é característica de diferentes regimes de força de ontem - ver fascismo italiano e nazismo, por exemplo - e de hoje - o post abaixo é um dentre muitos exemplos possíveis sob o Chavismo - contar exatamente com milícias e afins que farão parte do trabalho sujo mais ou menos independentes do poder central, alimentadas por diferentes graus de impunidade e por lideranças carismáticas (ler Ian Kershaw para Hitler) cujos desígnios e tendências muitas vezes são apenas sugeridos a fiéis que se acostumam a deduzir quais seriam as melhores expressões concretas para a única fonte real de legitimidade, a "vontade do líder". Certamente a Rússia de Putin não é um fascismo, mas esse e outros fatos ocorridos sob a égide do ex-presidente (e ainda mandatário-mor) nos deixam claro que ela também está muito longe de ser uma democracia.
Não se sabe ainda (e talvez jamais se saiba) se houve ordem direta do Kremlin para assassinar o advogado - Budanov é um herói para vários grupos nacionalistas russos que podem perfeitamente ter planejado e executado o crime sem qualquer participação estatal. Mas sabemos também que é característica de diferentes regimes de força de ontem - ver fascismo italiano e nazismo, por exemplo - e de hoje - o post abaixo é um dentre muitos exemplos possíveis sob o Chavismo - contar exatamente com milícias e afins que farão parte do trabalho sujo mais ou menos independentes do poder central, alimentadas por diferentes graus de impunidade e por lideranças carismáticas (ler Ian Kershaw para Hitler) cujos desígnios e tendências muitas vezes são apenas sugeridos a fiéis que se acostumam a deduzir quais seriam as melhores expressões concretas para a única fonte real de legitimidade, a "vontade do líder". Certamente a Rússia de Putin não é um fascismo, mas esse e outros fatos ocorridos sob a égide do ex-presidente (e ainda mandatário-mor) nos deixam claro que ela também está muito longe de ser uma democracia.
terça-feira, 20 de janeiro de 2009
sexta-feira, 16 de janeiro de 2009
Liberdade política e liberdade econômica no mundo
A Freedom House e a Heritage Foundation publicaram índices sobre o grau de liberdade dos países. O primeiro trata da liberdade política; o segundo, da econômica.
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terça-feira, 13 de janeiro de 2009
quinta-feira, 1 de janeiro de 2009
Os crimes de Fidel Castro e Che Guevara
Os cinquenta anos da Revolução Cubana têm sido lembrados na maioria das vezes com a omissão dos crimes de Fidel Castro e Che Guevara. Ainda há no Brasil muitos admiradores de tais figuras, que oprimiram de forma terrível o povo cubano. Certas informações sobre a ditadura cubana publicadas na Internet deveriam ser mais divulgadas. Estes são alguns textos e vídeos que revelam o mal causado por Fidel e Guevara: Vida y muerte de Fidel (Carlos Alberto Montaner), La máquina de matar (Álvaro Vargas Llosa), Las torturas de Castro, Los muertos de Castro e Guevara: anatomía de un mito.
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